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Nível da Billings cai a 33,9% e especialistas apontam risco de nova crise hídrica

Nível da Billings cai a 33,9% e especialistas apontam risco de nova crise hídrica

Especialistas apontam que ausência de chuvas, desmatamento e falta de saneamento comprometem abastecimento de mais de 20 milhões de pessoas

O volume de água nos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo segue em queda e já preocupa autoridades, ambientalistas e especialistas. De acordo com a Sabesp, o SIM – Sistema Integrado Metropolitano, que reúne sete mananciais,  apenas 39,2% da capacidade, o menor índice desde a crise hídrica de 2015.

Além disso, a situação da represa Billings, um dos mais importantes reservatórios do sistema, também acende o sinal de alerta: ela opera hoje com 33,9% de sua capacidade, patamar inferior ao esperado para o período. Para efeito de comparação, no início de agosto, o índice estava em 36,04%, chegando a 38,01% no fim de julho. Ainda mais preocupante, a redução tem sido praticamente diária, reflexo direto da prolongada ausência de chuvas.

Agravantes

Contudo, especialistas garantem que a estiagem não é o único fator responsável pelo quadro crítico. Segundo o advogado Virgílio Alcides de Farias, representante do MDV – Movimento em Defesa da Vida, a degradação ambiental no entorno da Billings e a falta de saneamento básico são problemas históricos que agravam a escassez.

“Antes de qualquer coisa, é preciso entender o seguinte: esse nível de água está muito baixo, e isso já era esperado. Por quê? Porque o que mantém o reservatório com água é a preservação e a recuperação da cobertura vegetal do seu entorno. Sem floresta, não há água”, afirmou.

Nesse sentido, ele lembrou que a vegetação é responsável por alimentar os mananciais, garantindo a infiltração de água no solo e a manutenção do nível mesmo em períodos de estiagem.

“O que faz com que a represa não baixe rapidamente, mesmo em períodos secos, é justamente a vegetação do entorno. Entretanto, a ausência de chuvas, que já se prolonga, impede a reposição natural da água. Ainda assim, a situação poderia estar muito pior se não fosse o lançamento constante de esgoto que, apesar de errado, acaba mantendo o nível um pouco mais alto”, explicou.

Poluição

Do mesmo modo, o advogado ressaltou que a poluição trazida pelo despejo irregular compromete a qualidade da água. “Basta observar qualquer córrego da região: todos recebem esgoto, que vai direto para a represa. Isso piora a qualidade da água, porque quanto menos água há, maior é a concentração de poluentes, já que não existe diluição suficiente”, completou.

Ainda assim, para ele, o problema vai além da degradação ambiental: trata-se também de uma falha institucional e de descumprimento de leis.

“O que deveria ter acontecido há muito tempo é a coleta e o tratamento adequado do esgoto gerado no entorno da Billings. A Constituição paulista, no artigo 46 das disposições transitórias, deu um prazo de três anos para impedir o despejo de esgoto nas represas. Isso nunca foi respeitado”, criticou.

Em outras palavras, a situação atual é vista por ambientalistas como resultado de omissão política e falta de planejamento. Todavia, a preocupação não é apenas com o nível da água, mas também com a sua qualidade e com a possibilidade de nova crise hídrica afetar o abastecimento de milhões de pessoas.

Futuro

A bióloga e professora Marta Marcondes, da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, reforça que a preservação da vegetação é crucial para o futuro da Billings.

“Quando se destrói a vegetação de áreas do reservatório, que são justamente produtoras de água, estamos dando um verdadeiro tiro no pé. Sem floresta, não há produção de água. Esse é um ponto crucial”, afirmou.

Além disso, ela destacou que a universalização do saneamento é uma pauta urgente. “Os municípios não podem, e não devem mais, despejar esgoto sem nenhum tipo de tratamento dentro do reservatório, mas infelizmente ainda vemos isso acontecendo repetidamente”, lamentou a especialista.

Juntamente com a questão ambiental, Marta defendeu também a compensação financeira aos municípios que preservam mananciais.

“Não faz sentido, por exemplo, que o Braço do Rio Grande — que abastece municípios como São Bernardo, Santo André, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra — não gere benefícios diretos a essas cidades. Ao contrário, em vez de serem penalizados, esses municípios deveriam ser recompensados por garantir a recarga do reservatório”, disse Marcondes.

Nesse sentido, ela alertou que o uso da Billings vai muito além do abastecimento de água.

“Ele é utilizado não apenas pela população, mas também por pescadores, esportistas e pessoas que praticam remo, natação, voo e até mesmo lazer e contemplação. Ter um espaço como esse, que pode ser admirado e aproveitado, é um privilégio que precisamos preservar”, completou.

A Sabesp, por sua vez, reconhece que o nível está abaixo da média, mas ressalta que o SIM garante maior segurança hídrica por interligar sete mananciais. Em nota, a companhia destacou investimentos realizados após a crise de 2015, como a interligação Jaguari–Atibainha, o Sistema São Lourenço e a transferência de água do rio Itapanhaú.

“O momento reforça a importância do uso consciente da água. Pequenas atitudes no dia a dia ajudam a garantir água para todos”, informou a empresa.

Fonte: ABC Repórter


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