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Viabilidade do lodo de esgoto na agricultura

Resumo

Este estudo identificou através de uma pesquisa exploratória sobre os fatores que viabilizam o lodo de esgoto como resíduo de elevado potencial para o cultivo de certas culturas. Entre outras fontes complementares de conteúdo, o procedimento de pesquisa bibliográfico buscou duas obras, de autores distintos, que apontavam para três fatores (qualidade do resíduo, tipo de solo da área de aplicação e cultura) como condicionantes da destinação do lodo para reciclagem agrícola. Quando o lodo de esgoto é tratado e processado, este recebe o nome de biossólido. Esta pesquisa abordou as etapas de gerenciamento do lodo nas estações de tratamento de esgoto, sua aplicação na agricultura e os riscos associados ao seu emprego nesta. No entanto, o resultado deste estudo mostrou que o lodo e seus derivados têm aplicabilidade na agricultura caso cumpra os requisitos mínimos exigidos de qualidade física, química, biológica e de patógenos referenciados pela Resolução CONAMA nº 375/06. Esse trabalho foi realizado com o apoio da Universidade Estácio de Sá.

Introdução

Com destaque para ausência e deficiência do sistema de esgotamentos sanitários em muitos municípios e os problemas relacionados ao lançamento desses efluentes in natura nos corpos hídricos, Rodrigues e Silva (2011) apontam a necessidade de ampliar as redes de coleta e o tratamento daqueles, para o atendimento aos serviços de saneamento.

Os tratamentos dessas águas residuárias tornam-se essenciais para a diminuição da poluição ambiental, por isso seu processamento se dá em quatro níveis (preliminar, primário, secundário e terciário) em uma estação de tratamento de esgoto (BERNARDES, 2004). A implantação dessas etapas depende da eficiência requerida de projeto da estação e da capacidade do corpo hídrico receptor de depurar as águas (BRASIL, 2008).

Para cada processo de tratamento de esgoto serão gerados resíduos sólidos (material gradeado, areia, escuma e lodo) de características e composições diferentes que deverão ser submetidos a procedimentos específicos de reutilização ou disposição final, seja para uso benéfico ou não. O lodo é um desses resíduos proveniente dos tratamentos primário, secundário e terciário (MATTA, 2011; GONÇALVES; SPERLING, 2001; ANDREOLI et al., 2001b).

O tipo e intensidade do tratamento das águas residuárias influenciam nas características do lodo gerado e na forma de disposição final deste; e, por conseguinte, a escolha entre descarte ou uso benéfico do biossólido determinará a relevância entre um tipo de tratamento do lodo ou outro (ANDREOLI et al., 2001b).

O tratamento do lodo de esgoto objetiva a redução do volume, do teor de matéria orgânica, da instabilidade biológica, além de minimizar a presença de patógenos (ANDREOLI et al., 2001b). Para alcançar estes objetivos, o processamento do lodo usualmente inclui um ou mais tratamentos para retirada dessas características indesejáveis. Os objetivos devem estar aliados com a quantidade de lodo a ser tratada e a integração dos processos de tratamento, pois compatibilizam com as formas de destinação final do lodo (disposição oceânica, aterros sanitários, incineração, reaproveitamento industrial, reciclagem agrícola e na recuperação de solos degradados) (CASSINI et al., 2003; ANDREOLI; SPERLING, 2001; FERNANDES; LUDUVICE, 2001).

Segundo Gonçalves e Sperling (2001), dependendo do destino final que se deseja dar ao lodo, as principais etapas de trato comumente adotadas são: Estabilização; Desidratação e Higienização.

O objetivo geral deste projeto de pesquisa é demonstrar a viabilidade do uso de biossólidos na agricultura como insumo, causando os menores danos possíveis ao meio ambiente e à saúde humana, relacionando-os com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Resolução CONAMA 357/2006. Esta institui a responsabilidade da ETE como geradora de resíduos urbanos e incentiva a reciclagem destes. Já a Resolução 375 dá providências sobre os requisitos mínimos de qualidade ambiental, sanitária e agronômica para o uso dos biossólidos na agricultura (BRASIL, 2006).

O lodo quando tratado e processado obtêm características permissíveis para o uso agrícola de maneira ambientalmente segura. De acordo com Bettiol e Camargo (2000), o uso agrícola do lodo de esgoto como adubo orgânico é considerado hoje alternativa promissora de disposição final desse resíduo. Por ser rico em matéria orgânica e em macro e micronutrientes (como o nitrogênio, fósforo, potássio, entre outros), para as plantas recomenda-se sua aplicação como fertilizante e/ou condicionador de solo.

A disposição dos biossólidos para recuperação de áreas degradadas e a reciclagem agrícola são as medidas mais ambientalmente aconselháveis para o lodo, tendo em vista a viabilidade da reciclagem dos nutrientes e a promoção de melhorias físicas na estruturação do solo (SANTOS, 2001; GODOY, 2013).

Costa et al. (1999) e Andreoli et al. (2001b) marcam os biossólidos como sendo ambiental e economicamente viáveis na reciclagem agrícola pela análise de três critérios: a qualidade do lodo, o tipo de solo da área de aplicação e o tipo de cultura.

Andreoli et al. (2001b, p. 333) fazem uma análise mais abrangente da viabilidade dos biossólidos, acrescentando os riscos associados a estes critérios de disposição benéfica. Os riscos estão relacionados com o conteúdo de metais pesados, o perfil sanitário, a estabilidade do material, os poluentes orgânicos persistentes, o conteúdo de nitrogênio e à integração do lodo com o meio ambiente.

Autores: Guilherme Rodrigues Alves Mesquita;  Jessyana Rangel Von Randow;  Raquel Lima Oliveira e Marcela Vicente Vieira Andrade Gonçalves.

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