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Tratamento de efluente de processos de radiografia: solução para descarte dos resíduos

Resumo

O processo da revelação das imagens de radiografias simples utilizadas como diagnóstico por imagem na área da saúde consiste em quatro etapas: revelação, fixação, enxágue e secagem. Esses processos geram resíduos que, quando descartados de forma inadequada, poluem o meio ambiente, devido a altas concentrações de elementos compostos por sulfetos e derivados da prata. De acordo com a Resolução nº 358/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), os efluentes gerados pelo processamento das radiografias se encaixam no grupo B (resíduos químicos), pois contém substâncias tóxicas que causam risco ao meio ambiente e para a saúde da população. Um dos possíveis métodos para o tratamento desse efluente é a eletrocoagulação. É um método relativamente barato, no qual, a partir de uma eletrólise, pode ocorrer a desestabilização e agregação de partículas, onde há a formação de precipitado. A metodologia consiste em tratar o efluente gerado no processo de diagnóstico por radiografia simples pelo método da eletrocoagulação para poder comparar os resultados de turbidez, dureza do líquido, análise da demanda química de oxigênio (DQO) das amostras tratadas e, assim, atender todas as legislações ambientais de descarte. Os resultados consistem na queda de turbidez, queda de dureza, diminuição da DQO e nos sólidos totais, comprovando a eficiência do método de eletrocoagulação.

Introdução

Desde o início do século XX os diagnósticos por imagem se tornaram uma importante ferramenta para a área da saúde. O uso de radiografias simples possibilita a análise de tecidos ósseos sem a necessidade de incisões. Porém, a utilização desta tecnologia gera resíduos contaminantes provenientes do processamento radiográfico, associados à revelação e fixação da imagem. Além disso, água utilizada na lavagem dos filmes radiográficos é contaminada durante o processo com compostos orgânicos e inorgânicos, os quais apresentam elevada toxicidade ao meio ambiente (GRIGOLETO et al, 2011).

Os compostos utilizados para a revelação e fixação da imagem têm elevada concentração de íons de prata, ferro, hidroquinona, quinona, tiossulfato de sódio, sulfito de sódio e ácido bórico, além de cloretos, fosfatos e nitretos (RAMOS, et al, 2018).

De acordo com a RCD n° 306/04 da ANVISA, as soluções fixadoras utilizadas em processos de radiologia, devem ser submetidas a processos de recuperação da prata ou então, embaladas e identificadas em frascos de até dois litros, resistentes, rígidos e estanques, com tampa rosqueada e vedante. Os frascos devem ser identificados conforme a NBR 7500 e encaminhados à aterros sanitários industriais (ANVISA, 2004; CONAMA, 2005). Este processo de descarte demanda tempo e elevado custo o qual não pode ser embutido no valor do diagnóstico.

O processamento das radiografias é realizado em quatro etapas: revelação, fixação, enxágue e secagem. A solução reveladora tem como objetivo a boa visibilidade da imagem por meio da reação química entre haletos de prata presentes no filme e o agente revelador. Em seguida, a solução fixadora converte o haleto de prata em um sal solúvel. Após esse processo, há a formação de água residual, utilizada na etapa de remoção dos resíduos das soluções reveladora e fixadora (BORTOLETO et al., 2007). Ao final do processamento do filme, são gerados três efluentes: água residual, fixador e revelador utilizado no processo. O revelador usado tem elevada Demanda Química de Oxigênio (DQO), além de componentes resultantes das reações químicas entre os haletos de prata com o agente de revelação. O fixador usado possui alto teor de prata na forma de complexo de tiossulfato de prata com carga negativa ([Ag(S2O3)2]-3). Já a água residual contém baixa concentração de tiossulfato de prata e de compostos fenólicos.

O método de eletrocoagulação é uma opção para o tratamento de efluentes contendo, por exemplo, resíduos químicos, alimentares e soluções contendo metais, configurando como uma técnica econômica e ambientalmente viável para o tratamento de águas residuais. É uma técnica poderosa, uma vez que a adsorção em superfícies de hidróxidos minerais é cem vezes maior comparado aos pré-hidróxidos precipitados quando são utilizados hidróxidos de metais como coagulantes (BALBINOT, 2015).

Os equipamentos para a montagem de um eletrocoagulador são simples e usados em todas as escalas de processo. Os custos para o start-up são consideravelmente baixos e com baixo custo para a manutenção, sem a adição de produtos químicos no processo, não gerando outro tipo de resíduo contaminado (BALBINOT, 2015).

Nesse processo, há a formação de lodo a partir de um conjunto de eletrodos ligados a uma fonte extrínseca e “in situ” pela dissolução anódica de alumínio ou ferro, incluindo a produção de hidróxidos pela hidrólise da água no cátodo, onde há a desestabilização e agregação de partículas, ocasionando a adsorção dos contaminantes dissolvidos e ocorrendo precipitação do metal (BALBINOT, 2015; AOUNI et al, 2009; ONCEL et al, 2013).

A eletrocoagulação tem início quando o ânodo de sacrifício sofre oxidação, onde há a liberação de íons metálicos e o cátodo sofre redução, formando íons hidroxila provenientes da hidrólise da água. Em pH apropriado, os íons metálicos são dissolvidos e formam coagulantes que quando combinados com íons hidroxila, formam hidróxidos metálicos, os quais contribuem para a formação de flocos por desestabilização que concedem a remoção dos poluentes por flotação ou sedimentação (BALBINOT, 2015).

Com base neste princípio, o presente trabalho apresenta uma rota simples e de baixo custo para o tratamento dos efluentes gerados em laboratórios de diagnóstico por imagem que empregam técnicas de radiografia utilizando-se o processo de eletrocoagulação para a adequação às normas ambientais vigentes no Brasil para o descarte de efluentes desta classe.

Autores Ailton Venâncio Nascimento Junior; Thaísa Cristiane Assis Santos; Erika Peterson Gonçalves e Monica Duarte Vieira Del Core Torres Barbosa.