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Viabilidade socioambiental e econômica de tecnologias e alternativas para a gestão de água em residências unifamiliares

Resumo

Recentemente, devido às crises no gerenciamento dos recursos hídricos, tecnologias e equipamentos que promovam uma melhor gestão e consumo da água passaram a se tornar mais relevantes. Contudo, com o incremento de novas práticas, torna-se necessário compreender o funcionamento e a relação de custo-benefício de cada uma, para o uso adequado em construções novas ou já existentes. Este trabalho apresenta uma análise de alternativas e tecnologias de recursos hídricos, elencando quais poderiam ter uma maior aplicação em residências unifamiliares, considerando os custos de implantação/manutenção e utilizando indicadores qualitativos no contexto de construções sustentáveis. A metodologia contempla uma pesquisa bibliográfica sobre alternativas de gestão de recursos hídricos e a avaliação da viabilidade econômica dessas alternativas, utilizando a equação proposta por Hafner (2007), considerando duas residências (de 70m² e de 134m²) e duas famílias hipotéticas (com ganhos de 4 e 10 salários mínimos). A partir destas informações realizou-se uma análise de indicadores de benefícios econômicos, sociais e ambientais. Dentre as tecnologias e equipamentos pesquisados, foram selecionados: bacia de duplo acionamento, bacia com lavatório por gravidade, torneira hidromecânica, restritor de vazão, arejador de vazão constante e reaproveitamento de água de chuva (minicisterna). Pode-se inferir que se tratando de equipamentos hidrossanitários ou tecnologias que a eles se apliquem, a maioria pode ser encontrada a custos relativamente acessíveis, com ótimas taxas de redução de consumo de água e com um reduzido tempo de retorno. Conclui-se que os equipamentos e alternativas que apresentaram maiores benefícios foram: a bacia sanitária de duplo acionamento, os equipamentos com restritores de vazão, os arejadores e o sistema de minicisterna.

Introdução

O aumento da população, devido ao rápido desenvolvimento das cidades na segunda metade do século XX, causou uma grande competição pelos recursos naturais, como o solo e a água, prejudicando a biodiversidade natural (TUCCI, 2008). Assim, um dos assuntos mais recorrentes atualmente está relacionado com o melhor aproveitamento de água, e formas de uso eficientes deste recurso.

Atualmente, existe uma maior divulgação, tanto na mídia, como em trabalhos técnico-científicos, de que é real o aumento da escassez da água, sendo desacreditadas as afirmativas de que a mesma é um recurso infinito (LIMA, 2010). Apesar da rápida ciclagem, um processo mal planejado, pode gerar um grande impacto ambiental negativo, podendo até mesmo inviabilizar outros usos para a água. Destaca-se ainda que, caso se mantenha a taxa de crescimento da população mundial e o consumo per capita, é considerado que o planeta terá cinquenta anos garantidos em relação aos recursos hídricos, e a partir deste ponto a demanda será maior que a oferta (LIMA, 2010).

Torna-se necessário um processo de desenvolvimento urbano objetivando maior qualidade da vida da população em conjunto com a conservação ambiental, sobretudo em relação aos recursos hídricos. É necessário aliar um ambiente que atenda as necessidades da população, como também que forneça subsídios para a conscientização da importância e uso racional destes recursos, em todos os setores (LIMA, 2010; TUCCI, 2008). Para isso, devem ser realizadas análises para criar sistemas que buscam soluções alternativas para o aumentar a oferta da água, utilização da água de reuso, coleta, tratamento e uso da água pluvial, e diminuição do desperdício e das perdas. No que cabe aos usos não potáveis, a alternativa em se utilizar a água pluvial tratada pode ser promissora. E em se tratando da redução do desperdício, existem tecnologias e componentes economizadores acessíveis no mercado brasileiro, que são de fácil instalação, e cujo objetivo é a redução eficaz no consumo de água (LIMA, 2010).

Ainda de acordo com Lima (2010), são vários os estudos em desenvolvimento nos diversos países a fim de identificar os usos finais da água, principalmente no setor residencial. No Brasil, segundo trabalho de Hafner (2007), considera-se que os principais responsáveis por consumo excessivo de água em residências são chuveiros e bacias sanitárias, responsáveis por 59% do total, seguidos das pias de cozinha (18%), lavadoras de roupa (9%), lavatórios (7%), tanques (4%) e consumo no jardim e lavagem de carros (3%).

Devido às secas mais intensas e períodos de racionamento de água frequentes, novas maneiras de promover uma melhor gestão de recursos hídricos se tornam necessárias. Para tanto, devem-se considerar duas áreas distintas: a humana e a técnica. A área humana trata do comportamento com relação ao uso da água e os procedimentos para realizar atividades consumidoras. Ao mudar o comportamento da sociedade, através de teorias e tecnologias para um uso sustentável, medidas para o uso racional da água começam a evoluir. Por outro lado, na área técnica, temos ações de medições e aplicações de tecnologias e procedimentos para enquadramento do uso, por exemplo, incentivadas campanhas, divulgação de informações, educação pública, tarifas e regras que incentivem os usuários a adotar medidas conscientes quanto ao consumo de água. (Montibeller & Schmidt, 2004 apud Marinoski, 2007 apud LIMA, 2010).

Contudo, com tantas alternativas, torna-se complexo compreender o funcionamento e a relação custo benefício de cada uma delas. Assim, este trabalho tem por objetivo geral analisar alternativas e tecnologias para gestão da água, que possam ser aplicadas em residências unifamiliares, no conceito da construção civil.

Autores: Rodrigo Prieto Rocha; Erica Pugliesi; Caroline Antonelli Santesso e Clauciana Schmidt Bueno de Moraes.

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