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Segurança hídrica e abastecimento na Região Metropolitana de São Paulo

Tema foi discutido no 6º Seminário Internacional – Água para a natureza

A Associação dos Engenheiros e Especialistas da CETESB e do Meio Ambiente – ASEC CETESB em comemoração dos seus 25 anos de fundação, promoveu entre os dias 23 e 25 de abril de 2018 no Auditório Augusto Ruschi – Cetesb em São Paulo, o 6º Seminário Internacional alusivo ao “DIA MUNDIAL DA ÁGUA – ÁGUA PARA A NATUREZA”.

O seminário teve como seu maior objetivo enfrentar o desafio de trazer às discussões sobre Saneamento e Meio Ambiente a necessidade do uso racional e sustentável dos recursos hídricos com inclusão de formas de reaproveitamento para fins menos nobres. Tal objetivo será atingido através da divulgação de novas soluções para o uso e reúso de água através de tecnologias inovadoras e políticas públicas adequadas.

Esses temas foram amplamente discutidos em palestras, aulas e mesas debates, com abordagem para avanços tecnológicos, novas metodologias e adequação de políticas públicas aos interesses sociais e ao desenvolvimento sustentável.

No dia 25 de abril, a Eng. Silvana Corsaro, representando a Sabesp apresentou, “Iniciativas da SABESP para aumento da segurança hídrica e do abastecimento na RMSP”.

A representante da Sabesp iniciou a palestra, fazendo uma breve apresentação da companhia, onde 365 municípios são atendidos no Estado de São Paulo com Abastecimento de Água, Coleta e Tratamento de Esgotos (66% dos municípios do Estado). São servidos 28 milhões de habitantes, contando com 15 mil colaboradores. É a maior empresa de saneamento das Américas e a 5ª maior do mundo em população atendida.

Em relação a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), os números demonstrados indicam 100% de abastecimento de água, 81% coleta de esgotos e 68% tratamento de esgoto. Conta com 61 m³/s na produção de água e 18 m³/s de esgoto tratado. Representa 19% do PIB brasileiro, com 7,9 mil km² em extensão territorial e 21,2 milhões de habitantes.  A região é responsável por 70% do faturamento Bruto da Sabesp, possui 4,6 milhões ligações de água e 3,8 milhões ligações de esgoto.

Implantação De Sistemas Produtores – Atendimento à População da RMSP

Fonte: Sabesp

Outras características apontadas por Silvana Corsaro, em relação a RMSP são:

Regiões de Estrutura Formal:

  • Infraestrutura consolidada
  • Menor crescimento populacional
  • Renda per capita maior

Regiões Periféricas:

  • Infraestrutura deficiente
  • Dificuldades na instalação de redes de água e de esgotos e coletores de fundo de vale
  • Maior crescimento populacional
  • Consumo médio per capita menor
  • Ocupação de áreas de mananciais

“Existe um planejamento adequado e atuando nesse contexto”, frisou.

Sobre a crise hídrica (2014-2016) no estado de São Paulo, a estratégia adotada para enfrentamento:

1 – Incentivo à economia de água: Programa de Bônus

Pico de redução de consumo: 6,2 m³/s na RMSP.

2 – Obras para aumento da flexibilização e interligação dos Sistemas de Água Tratada

Até 8,0 m³/s avançando na área atendida pelo Cantareira.

Cerca de 4 milhões habitantes passaram a ser atendidos por outro sistema.

3 – Utilização das Reservas Técnicas dos Mananciais

4 – Aportes de novas fontes de Água Bruta

Fonte: Sabesp

O Programa de Bônus incentivou o uso consciente de água:

  • Programa de bônus: implantado em março/14
  • Tarifa de Contingência (ônus): implantada em fevereiro/15
  • Custo total dos programas: R$ 650 milhões
  • Economia total de água no período: 332 milhões m³

Fonte: Sabesp

Fonte: Sabesp

“O consumou atual não retornou ao patamar anterior à crise hídrica”, afirmou a especialista.

O Sistema Adutor Metropolitano (SAM) – Infraestrutura implantada na RMSP para transporte da água tratada até os reservatórios setoriais foram instaurados, a partir das ETAs, para cerca de 20 milhões de pessoas.

Foram implantados 1270 km de adutoras (diâmetros entre 0,5 e 2,5 m), 210 Centros de Reservação, 150 Estações Elevatórias e milhares de válvulas, registros, peças em geral.

Sistema Integrado Metropolitano – SAM, em Abr/16 Capacidade de flexibilização: até 8,0 m3/s

 

Fonte: Sabesp

Ampliação das Estações de Tratamento de Água – Membranas

  • Estação de Tratamento de Água Rio Grande: ampliação em 500 l/s
  • Estação de Tratamento de Água Rodolfo José da Costa e Silva Jr. (ETA RJCS), do Sistema Produtor Guarapiranga, Alto da Boa Vista (ABV): (1ª fase) ampliação em 1 m³/s
  • ETA RJCS: (2ª fase) ampliação em 1 m³/s

A engenheira da Sabesp destacou as obras com entrada em operação prevista para 2018, como o Sistema Produtor São Lourenço, Interligação Jaguari-Atibainha e Bombeamento Itapanhaú-Biritiba, proporcionando um aumento da Segurança Hídrica de 95% para 98%.

Entre as obras para aporte de água bruta:

  • Intervenções no Córrego Guaratuba para incremento de 1,0 m³/s
  • Ampliação da Estação Elevatória de Água Bruta Biritiba Mirim em 3,0 m³/s
  • Bombeamento de 1,0 m³/s do Rio Guaió para o Represa Taiaçupeba
  • Bombeamento de 4 m³/s do Rio Grande para a represa Taiaçupeba

No Sistema Cantareira foram realizadas obras para utilização da Reserva Técnica.

A Reserva Técnica I, incluindo a Represa Jacareí e a Represa Atibainha agregou cerca de 183 milhões de m³. A Reserva Técnica II, Represa Jacareí agregou mais 105 milhões de m³. O total de volume agregado totalizou cerca de 288 milhões de m³.

A Eng. Silvana Corsaro salientou, que a partir de dezembro de 2015 teve início o retorno à normalidade do abastecimento.

Fonte: Sabesp

“Foram muitas lições aprendidas e um legado. O aumento da Segurança Hídrica e da garantia do Abastecimento na RMSP, foi impulsionado pela Crise Hídrica de 2014/2015, mas pôde contar com a solidez do seu planejamento e com agilidade e inovação para vencer a adversidade e ter um sistema de abastecimento mais resiliente”, finalizou.

O Prof. Luis Eduardo Mendes, da FATEC – SP/SAAE de Guarulhos discorreu sobre tecnologia aplicada em hidrometria para controle o de perdas”.

“Substituir os hidrômetros é uma ação fundamental para o controle das perdas aparentes referentes à submedição. A submedição, representa um consumo registrado inferior ao consumo realmente consumido, ocasionando em perdas financeiras devido ao volume não contabilizado”, disse.

O professor apresentou dados do município de Guarulhos/SP:

  • População:1.361.000habitantes

O Sistema de Abastecimento de água possui:

  • Reservação de 55.250m³
  • Redes de distribuição:2.750km
  • Sistemas elevatórios: 25
  • Macromedidores:108
  • Economias:427.352, divididas em 334.874 ligações; 54.651 submedidores e 37.827 economias

COMPOSIÇÃO DO PARQUE DE MEDIDORES

Fonte: Luis Eduardo Mendes/SAEE Guarulhos

Sobre o plano de ação para melhoria do parque de micromedidores, o professor destacou as principais ações:

  • Atualização da bancada de verificação dos medidores
  • Atualização das especificações de medidores
  • Implantação de procedimentos de recebimento de medidores
  • Intercambio de experiencias com outras empresas do setor
  • Plano de troca de hidrômetros
  • Telemetria de hidrômetros

Luis Eduardo Mendes afirmou, que com a implantação das ações foi possível concluir:

  • Utilização do volumétrico nas ligações indicadas pelo procedimento com Índice de Desempenho Metrológico (IDM), proporcionaram recuperação de volumes com media da ordem de 25%
  • A medição de esgoto mostrou um grande potencial de aumento de receita
  • A implantação da telemetria no parque de hidrômetros melhorou o controle sobre fraudes e detecção de vazamentos internos.

 

E como melhorias:

  • Levantamento do real perfil de consumo de cada Distrito de Medição e Controle (DMC) para melhoria da estimativa do IDM
  • Implantação da construção do balanço hídrico a partir das perdas reais
  • Utilização dos dados de vazão dos hidrômetros na operação do sistema

 

Gheorge Patrick Iwaki
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