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Saneamento básico em comunidades rurais de lavras, minas gerais

Resumo

O Saneamento Rural no Brasil possui muitas deficiências. Enquanto nos centros urbanos tem havido um esforço em melhorar as condições sanitárias para a população, na zona rural ainda faltam ações mínimas de educação ambiental e adequação dos sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos e resíduos sólidos. Nesse sentido, o presente trabalho objetivou diagnosticar a situação do saneamento básico na zona rural de Lavras, incluindo as vertentes abastecimento de água, tratamento de esgoto e destinação de resíduos sólidos, com o intuito de elaborar programas e ações voltados para a melhoria do cenário atual. O município de Lavras está localizado no Sul de Minas Gerais e a população residente na área rural é da ordem 5%, totalizando 1848 residências. A pesquisa desenvolveu-se pela aplicação porta a porta de um questionário, abordando as diversas esferas do saneamento básico, levantando-se informações sobre o tipo manancial utilizado na captação de água para consumo humano; tipo de reservatório domiciliar; tratamento aplicado à água para consumo; manancial utilizado na captação de água para irrigação e dessedentação de animais; destinação dada ao esgoto doméstico e aos dejetos de animais; destinação dada aos resíduos sólidos; realização de compostagem e separação de materiais recicláveis e destinação dada às embalagens de agroquímicos. Por meio dos dados coletados foi possível observar que a maioria da população rural da cidade de Lavras ainda não realiza adequados controles de qualidade da água para consumo, como a desinfecção da água subterrânea captada coletivamente, higienização dos reservatórios domiciliares, e 18% não realiza procedimento algum de tratamento domiciliar. Dessa forma, é necessário que haja um maior esforço, tanto da população rural quanto dos órgãos competentes, em adequar as residências rurais às condições sanitárias necessárias para garantir boa qualidade de vida e de produção agropecuária.

Introdução

O Saneamento Básico no Brasil ainda é uma área que merece muita atenção e avanço. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento para ano de 2015, o índice brasileiro de atendimento com rede de abastecimento de água foi de 83,3% e de coleta de esgotos foi de apenas 50,3%, sendo que na região Norte estes índices caem para 56,9% e 8,7%, respectivamente. Do volume total de esgotos gerados, somente 42,7% são tratados, e do volume de esgotos coletados 74% passam por tratamento (BRASIL, 2016).

Quando se trata de Saneamento Rural, a situação é ainda mais crítica. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD/2014, mostram que apenas 34,5% dos domicílios nas áreas rurais estão ligados a redes de abastecimento de água com ou sem canalização interna. No restante dos domicílios rurais (65,5%), a captação é realizada em chafarizes e poços protegidos ou não, diretamente de cursos de água sem nenhum tratamento ou de outras fontes alternativas geralmente inadequadas para consumo humano (IBGE, 2015).

O panorama é ainda pior quando são analisados dados de esgotamento sanitário: apenas 5,45% dos domicílios estão ligados à rede de coleta de esgotos, 4,47% utilizam a fossa séptica ligada a rede coletora e 28,78% fossa séptica não ligada a rede coletora como solução para o tratamento dos dejetos. Os demais domicílios (61,27%) depositam os dejetos em fossas rudimentares, lançam em cursos d´água ou diretamente no solo a céu aberto. E no que se refere aos serviços de coleta de resíduos sólidos, percebe-se um cenário de extremo contraste entre domicílios urbanos e rurais, enquanto que 92,8% dos domicílios urbanos têm acesso à coleta direta, somente 27,2% dos domicílios rurais recebem este tipo de serviço (IBGE, 2015).

Muitas das vezes, a população rural utiliza águas para fins de abastecimento se atentado apenas a aspectos físicos, como a cor, turbidez, odor e sabor para diagnosticar a qualidade da água e por análise sensitiva, o que pode acarretar em sérios problemas de contaminação química e biológica. Aliada ao desconhecimento das populações rurais sobre a falta de qualidade sanitária da água que consomem sem tratamento e o mito de que águas subterrâneas e subsuperficiais sejam potáveis, está a falta de esforços em criar condições sanitárias adequadas nas zonas rurais, assim como nas áreas urbanas.

As principais fontes de contaminação das águas utilizadas em propriedades rurais são a ausência de tratamento de efluentes humanos e animais, a ausência de limpeza e desinfecção adequada dos reservatórios e caixas d’água, ausência de tratamento de água para a abastecimento e a falta de manutenção correta dos poços (PINTO et al, 2010).

Rocha et al. (2006) avaliaram a qualidade da água e a percepção higiênico-sanitária na área rural de Lavras, MG, e verificaram que poucos entrevistados fazem algum tratamento que vise a eliminar microrganismos da água, e desses, 7% informou ferver e 20% utilizam cloro. Do total de entrevistados, 67% realizaram análise de água e citam apenas características físicas (cor, odor, sabor e material em suspensão) como importantes para avaliar a qualidade, e os 33% restantes demonstraram preocupação com contaminação ou desinfecção. Os autores verificaram que 93% das águas analisadas apresentaram número de coliformes fecais acima do padrão de potabilidade.

Carvalho et al. (2010) destacam a importância de consolidar políticas públicas e a necessidade de novos arranjos organizacionais que estreitem as relações entre saúde e meio ambiente, com o fortalecimento da intersetorialidade entre as instituições estatais e a co-responsabilidade e participação da população na promoção do bem-estar e da qualidade de vida.

Autores: Gabriela Rezende de Souza; Jéssica Soares Freitas; Fernanda Ribeiro Pinheiro; Camila Silva Franco e Carlos Eduardo Silva Volpato.

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