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Reúso de águas residuárias tratadas através de recarga artificial de aquífero em Natal/RN

Resumo

Diante de situações de conflitos pelo uso da água, principalmente em regiões que possuem histórico de estresse hídrico, associado ao crescimento dos consumos doméstico e industrial, faz-se necessário adotar medidas de gestão sustentável para garantir o suprimento atual e futuro das demandas por água potável. Em Natal-RN, diante da necessidade de atender as demandas, acredita-se que a recarga artificial de aquífero é uma alternativa interessante para o reúso de águas residuárias tratadas, podendo contribuir positivamente com a disponibilidade hídrica da cidade, contenção da intrusão salina e manutenção dos níveis do aquífero. Sendo necessário a estudo da viabilidade ambiental dessa prática, assim como, conhecer as características do aquífero local e sua capacidade de receber os efluentes tratados através de bacias de infiltração.

Introdução

Em muitos países, o reúso em áreas urbanas tem ganhado interesse, visto que suas reservas de água doce estão se aproximando de limite de suprimento, em função de uma crescente demanda, tornando o reúso potável (direto ou indireto) uma alternativa viável para prolongar a vida útil das fontes de abastecimento (METCALF; EDDY, 2016). Países como Estados Unidos, Austrália, Espanha e Alemanha utilizam largamente o reúso de água para complementar a disponibilidade hídrica, obedecendo aos critérios de regulação estabelecidos (ALCALDE-SANZ; GAWLIK, 2017).

A recarga artificial de aquíferos está se tornando uma opção atraente para o armazenamento de água nos processos de reutilização de água, pois também pode oferecer uma barreira de tratamento adicional, através do solo, para melhorar a qualidade da água recarregada e atenuar as variações sazonais da oferta e demanda de água (LEVANTESI et al., 2010).

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, o crescimento populacional tem provocado o aumento da demanda por água, exaurindo os corpos d’água responsáveis pelo abastecimento da cidade, principalmente do aquífero Dunas/Barreiras que é responsável por abastecer cerca de 30% do sistema norte da cidade e 70% do sistema sul, assim considerados em relação às margens do rio Potengi (CAERN, 2018).

A recarga do aquífero Dunas/Barreiras em Natal é composta pela infiltração das águas da chuva, perdas das tubulações de abastecimento de água e infiltração de esgoto oriundo de fossas e sumidouros, também denominada recarga urbana. Apenas 39,8% da cidade possui rede coletora de esgoto em operação, logo, são adotadas soluções individuais de esgotamento, como fossas sépticas ou rudimentares e sumidouros, que aliado ao solo arenoso e permeável, facilita a infiltração do esgoto no subsolo (ANA, 2012; MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2018). Com a ampliação do sistema de esgotamento sanitário (SES) para toda a cidade, cujas obras estão em andamento, espera-se uma melhoria na qualidade da água subterrânea, que apresenta elevados níveis de nitrato, contudo haverá uma redução significativa no volume de recarga urbana, o que pode afetar o volume de água disponível para captação, ocasionar a depleção local das cargas hidráulicas, causar subsidência do solo e favorecer a intrusão salina (ANA, 2012).

A recarga urbana em Natal é da ordem de 111,5×106 m³/ano, do qual cerca de 43,4×106 m³/ano é proveniente de fossas e sumidouros existentes nas áreas sem esgotamento sanitário, o que representa 38,8% da recarga urbana do aquífero (ANA, 2012).

A adoção do reúso através da recarga artificial de aquífero mostra-se uma alternativa interessante, visto que possibilita diminuir o descarte de efluentes em rios e lagos, atenuar a intrusão salina, prevenir a subsidência do solo, além de aumentar a disponibilidade de água para captação e potabilidade (VANDENBOHEDE et al., 2013). Diante do exposto, a recarga de aquífero apresenta-se como uma demanda em potencial para o reúso dos esgotos tratados em Natal-RN, podendo contribuir positivamente com a disponibilidade hídrica da cidade, sendo necessário estudar a viabilidade da recarga artificial do aquífero em Natal-RN com ART, garantindo a manutenção quanti e qualitativa de água disponível para captação.

Para esse estudo, considerou-se a vazão proveniente da estação de tratamento de esgoto (ETE) Jundiaí Guarapes, projetada para tratar até 1050 L/s, através de reatores UASB associados a lodos ativados, com desinfecção por radiação ultravioleta (UV) e pós-tratamento para remoção de nutrientes. Nesse sentido, importa-se saber em que medida o efluente tratado na ETE Jundiaí Guarapes pode ser reutilizado para recarga artificial de aquífero em Natal-RN, considerando-se a viabilidade ambiental e a disponibilidade de áreas para infiltração dos efluentes tratados.

Autores: Teônia Casado da Silva e Jean Leite Tavares.

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