BIBLIOTECA

Avaliação da remoção de fósforo através da aplicação de lodos de tratamento de água formado por diferentes tipos de coagulantes

Resumo

O excesso de fósforo nas águas é um dos responsáveis pela poluição ambiental dos reservatórios para abastecimento público e os diferentes lodos gerados em estações de tratamento de água – ETAs tem apresentado resultados positivos para a adsorção de fósforo. Neste contexto, a pesquisa tem por objetivo avaliar a capacidade de adsorção do fósforo dos lodos de ETAs formados a partir de diferentes coagulantes inorgânicos. A metodologia consistiu em comparar em escala de laboratório, a capacidade de adsorção do fósforo por diferentes concentrações de 3 tipos diferentes de lodo, através de ensaios de equilíbrio e cinéticos. Os 3 tipos de lodos, SA, CF e PAC foram formados em jar-test a partir do processo de coagulação, floculação e decantação utilizando os coagulantes sulfato de alumínio, cloreto férrico e policloreto de alumínio, respectivamente. Os resultados mostraram grande capacidade de adsorção do fósforo por todos os lodos, assim como, elucidou que o mecanismo de remoção é desempenhado pelos hidróxidos metálicos no lodo. Os menores valores da concentração de fósforo na água obtidos juntamente aos respectivos valores de q foram: Ce = 0,1 mg/L e q = 42,75 mg/g (SA); Ce = 0,86 mg/L e q = 24,41 mg/g (CF) e; Ce = 0,1 mg/L e q = 36,38 mg/g (PAC). Os lodos SA e PAC obtiveram os melhores resultados e muito semelhantes um ao outro. As reações de adsorção do fósforo são de ordem cinética alta, onde em torno de 90 % da reação ocorre em 2 minutos. Além dos resultados da pesquisa que corroboram para o desenvolvimento de aplicações deste processo na remoção do fósforo, a pesquisa contribui para estudos de reaproveitamento de resíduos gerados em estações de tratamento de água.

Introdução

O desenvolvimento da sociedade e consequente aumento da densidade populacional em centros urbanos trazem diversas consequências negativas para o meio aquático, como o aporte de nutrientes (principalmente fósforo) em reservatórios e lagos. Este aporte, por sua vez, propicia o crescimento massivo de algas, afetando diretamente os possíveis usos das águas, ente eles, o abastecimento público.

Dentre as fontes de liberação de fósforo para o meio ambiente, as mais relevantes estão ligadas às atividades humanas estando presente nos esgotos domésticos, efluentes industriais e drenagens de áreas agrícolas.

Neste âmbito, as estações de tratamento de esgoto – ETEs, podem ser vistas como a última barreira capaz de evitar que cargas elevadas de fósforo atinjam os cursos d’água e mananciais. Quando projetadas para tal finalidade, as ETEs contemplam unidades de tratamento terciário visando a remoção de nutrientes, dentre eles o fósforo.

As tecnologias para remoção do fósforo dos esgotos podem se basear no tratamento por via biológica ou no tratamento físico químico, sendo que o último é o processo mais empregado quando os limites para emissão são mais restritivos, da ordem de 1 mg P/L ou menos.

O tratamento físico químico em ETEs emprega coagulantes químicos a base de metais trivalentes, normalmente sulfato de alumínio e cloreto férrico, para precipitação e adsorção do fósforo, acarretando em custos operacionais expressivos com produtos químicos e disposição de lodo adicional. No entanto, nem 10 % das ETEs existentes no Brasil contem tratamento a nível terciário (IBGE, 2008).

Por outro lado, as estações de tratamento de água – ETAs gera volumes consideráveis de lodos, sendo que a grande maioria das ETAs brasileiras não contemplam unidades de tratamento e desidratação dos lodos, fazendo com que os mesmos sejam descartados nos corpos d’água sem nenhum tipo de tratamento gerando problemas ambientais à jusante.

Em busca de alternativas adequadas para a disposição do lodo das ETAs, algumas companhias de saneamento começaram a descarta-los em ETEs. Estudos científicos avaliaram os impactos decorrentes do lançamento dos lodos de ETAs para tratamento em ETEs concluindo que trata-se de uma alternativa promissora. Além disso, puderam observar uma elevação substancial na eficiência de remoção de fósforo do esgoto relacionado a aplicação do lodo.

Desta forma, o objetivo deste estudo é avaliar em escala de laboratório a capacidade de adsorção de fósforo pelo lodo de ETA, formados a partir de três coagulantes diferentes; o sulfato de alumínio (Al(SO4)3), o cloreto férrico (FeCl3) e o Policloreto de Alumínio (PAC).

Autores: Gustavo Fachini Macluf e Sidney Seckler Ferreira Filho.

 

leia-integra

ÚLTIMOS ARTIGOS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS