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Recuperação de óleos hidráulicos

n36

Recuperação de óleos hidráulicos

Reduza custos com os benefícios da recuperação de óleos hidráulicos e lubrificantes em sistemas industriais

por Carlos Thomsem Junior

page28_1Um assunto cada vez mais na moda, a recuperação de óleos de sistemas hidráulicos e de lubrificação em equipamentos industriais é um tema que, apesar de simples, é tratado com pouco cuidado por muitas empresas.

A começar pela decisão em descartar óleo que pode continuar a ser usado, devido à cultura de se trocar por tempo e não por condição.

Obviamente, alguns parâmetros devem ser pesados como volume de óleo a ser trocado, disponibilidade para manutenção, custo da troca etc.

Para se ter uma idéia do impacto ambiental e econômico, estudos apontam que a poluição que pode ser gerada no meio ambiente pelo descarte de 1 tonelada por dia de óleo usado é equivalente à poluição gerada pelo esgoto doméstico de uma cidade com população de 40 mil habitantes. Ou ainda, a queima indiscriminada desse produto, sem o adequado tratamento de desmetalização, gera emissões de poluentes como óxidos metálicos e gases tóxicos.

Cada litro de óleo lubrificante usado pode contaminar 1 milhão de litros de água e “demora até 300 anos para se degradar”.

Além do mais, o óleo mineral é um recurso que tem sua origem em fontes escassas e não-renováveis, o que alerta para as questões de preservação do meio ambiente.

Plano de Trabalho

Levando-se em conta estas questões, sugerimos um plano de trabalho para otimização da vida útil

do óleo.

O primeiro passo é verificar se a recuperação pode ser feita no próprio tanque do equipamento ou se é necessário transferir o óleo para outro reservatório.

Neste último caso, deve-se ter instalações adequadas para acondicionamento do óleo que se pretende recuperar, separando-o por viscosidade e por base (mineral, semi-sintética e sintética). Dependendo da situação, deve-se também fazer a separação por fornecedor, uma vez que um fabricante pode ter um pacote de aditivos diferente de outro.

Por instalações adequadas entende-se não apenas um ambiente limpo, organizado e bem identificado, mas também reservatórios com capacidade suficiente para viabilizar a recuperação.

O óleo hidráulico ou lubrificante pode sofrer alterações físicas e/ou químicas durante sua utilização. Dependendo da severidade dessas alterações, o óleo é passível ou não de tratamento. O plano começa avaliando-se a extensão dessas alterações, através de análise de óleo.

Não é possível pré definir quais análises devem ser feitas, uma vez que estas dependem do tipo de equipamento, ambiente de trabalho e até do próprio tipo de óleo que está em operação.

Basicamente, as análises vão determinar a viscosidade, a reserva alcalina, teor de umidade, quantidade de contaminantes sólidos, metais presentes e indícios de oxidação.

Vale lembrar que tão importante quanto as análises a serem efetuadas no óleo, é também o cuidado com a amostragem no que diz respeito a equipamentos de coleta, procedimento de amostragem e representatividade da amostra. Muitas vezes são utilizados frascos inadequados, frascos de produtos químicos, garrafinhas de água, potes de geléias etc, os quais certamente poderão interferir nos resultados dos exames. Outro exemplo é no caso de óleo contaminado com água que, mantido em repouso, provoca a decantação da água no fundo do reservatório. Se a amostra for coletada sem a homogeneização, não indicará a real condição do óleo.

A interpretação dos resultados é também um ponto crítico e deve ser feita por pessoal de confiança.

Os resultados que indicam contaminação por partículas podem ser facilmente corrigidos com unidades de filtragem, sendo características importantes:

• elementos filtrantes de alta eficiência;

• unidades de vazão compatíveis com o volume a ser tratado;

• disponibilidade de contador eletrônico de partículas no campo, de forma a monitorar a evolução do tratamento.

Caso o desvio seja em relação ao teor de água no óleo, a correção pode ser feita com elementos filtrantes removedores de água ou equipamento de desidratação à termo vácuo, que têm a característica de remover não só a água livre, mas também a água emulsionada.

No caso de remoção de água, quem executa o serviço deve ter um kit de análise de água em mãos, para análise no campo.

Caso o resultado das análises apresente viscosidade alterada, indícios de oxidação ou pacote de aditivos alterado, geralmente o mais econômico é encaminhar o óleo para rerrefino.

Melhoria Contínua

Outro aspecto importante para a otimização da vida do óleo é garantir que o equipamento trabalhe sempre com:

• classe de contaminação adequada aos componentes instalados e à pressão de trabalho;

• temperatura sob controle;

• teor de água abaixo do limite de saturação.

Isso se consegue através da implementação de:

• avaliação e eventual correção dos filtros de linha;

• unidades de filtragem off-line;

• contadores de partículas in-line;

• monitores de água no óleo;

• respiros absolutos;

• trocadores de calor;

• inspeções periódicas em juntas, guarnições, etc;

• procedimentos de manutenção otimizados quanto ao ingresso de contaminantes;

• manutenção do nível de óleo correto no tanque;

• verificação periódica de ocorrência de verniz ou lodo no tanque.

Retorno Garantido

A prática de recuperação de óleo é uma operação em franca expansão, uma vez que o custo para recuperar um litro de óleo é substancialmente menor que o preço de um litro de óleo novo.

Nos tempos de competição acirrada em que vivemos, este pode ser um componente importante para redução do custo de manutenção, além dos evidentes benefícios para o meio ambiente.

POLYTEC C.E.A.I. Ltda.
www.polyteconline.com.br
Fonte: http://www.meiofiltrante.com.br