BIBLIOTECA

Programa água doce (PAD) e convivência com o semiárido: uma avaliação da autogestão dos sistemas a partir do município de Brumado na Bahia

Resumo

Diante dos problemas historicamente enfrentados pelo Semiárido no que diz respeito à oferta de água em quantidade e qualidade, diversas ações e políticas públicas foram e vêm sendo desenvolvidas. Dentre essas está a utilização de dessalinizadores que utilizam a tecnologia da osmose reversa como forma de potabilização da água, como é o caso do Programa Água Doce (PAD). Esse Programa propõe a autogestão dos sistemas implantados, o que exige a participação da comunidade local. Assim, esse trabalho visa analisar o modelo de autogestão dos sistemas do PAD, a partir das ações implementadas no município de Brumado, na Bahia, identificando fragilidades e potencialidades. Foi realizada revisão bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas e análise dos Acordos de Gestão das localidades contempladas. Os resultados demonstraram que apesar das potencialidades do modelo de autogestão proposto, existem também fragilidades importantes, tais como: indefinição do papel de cada agente, falta de arranjo adequado de gestão, capacitação insuficiente dos operadores, distribuição de água de forma inapropriada quanto à frequência e monitoramento da sua qualidade; falta de integralidade das ações de saneamento básico; baixa participação social nos processos de formulação e implementação do Programa; e falta de integração com outras políticas.

Introdução

As regiões de semiárido no mundo sempre foram relacionadas à escassez hídrica. No Brasil, um dos principais fatores para o deficit hídrico nas regiões de semiárido não é a ausência de chuvas, mas sim sua irregularidade espacial e temporal. A precipitação média pluviométrica da região varia de 200 a 800 milímetros anualmente e o índice de evaporação é pelo menos três vezes maior do que a precipitação, cerca de 3.000 milímetros por ano. Além disso, a escassez de mananciais superficiais, o embasamento cristalino é presente em cerca de 70% do solo do Semiárido brasileiro, o que condiciona a região a uma pequena capacidade de armazenamento de água subterrânea devido aos baixos níveis de permeabilidade e porosidade desse tipo de solo, e quando existente, apresenta alto teor de sais dissolvidos, oriundos da composição química das rochas formadoras desse embasamento (BRASIL, 2012).

Além de suas características intrínsecas, o Semiárido brasileiro apresenta uma realidade complexa em vários aspectos, sejam geofísicos, de ocupação humana ou exploração do seu patrimônio natural (SILVA, 2007). Diante dessa realidade, Costa e Abreu (2013) enfatizam a necessidade de se buscar alternativas ao abastecimento de água da região para o uso doméstico e dessedentação animal, o que é ainda mais difícil quando se trata de comunidades rurais dispersas e que não possuem acesso à rede pública de abastecimento. Nesse sentido, esforços federais, estaduais e municipais e da sociedade civil organizada vêm sendo desenvolvidos com o intuito de se formular políticas públicas compatíveis com o cenário do Semiárido, que incluem a participação das comunidades, bem como se utilizem de tecnologias apropriadas às características geográficas, sociais e econômicas da região, além da implementação de medidas estruturais descentralizadas de abastecimento de água, de forma a promover democratização e universalização do acesso às famílias oriundas da zona rural (SANTANA et al., 2011). Com isso, a partir das décadas de 1990 a 2000, passam a ser formuladas e implementadas políticas públicas consideradas inovadoras. Em 2001, surge a proposta de convivência com o Semiárido e nesta o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), que previu a implantação de cisternas de placa para armazenamento de água de chuva no Semiárido brasileiro. Em 2004 foi proposto o Programa Água Doce (PAD) para a implementação de sistemas de dessalinização de água salina e salobra via osmose reversa (AZEVEDO, 2012), Programa esse objeto de investigação deste trabalho. Para Costa e Abreu (2013), o PAD se constitui em uma ação pública que busca aderir aos princípios da tecnologia social, a partir da gestão dos sistemas comunitários de dessalinização, com o uso de um aparato tecnológico convencional – os dessalinizadores -, buscando, assim, garantir o acesso à água e também maior durabilidade e melhor operação dos equipamentos.

Nessa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo a análise do modelo de autogestão dos sistemas de dessalinização proposto pelo Programa Água Doce (PAD), identificando suas potencialidades e fragilidades. Dessa forma, sua estrutura é composta inicialmente por uma apresentação da concepção e componentes do Programa Água Doce, possibilitada pela revisão de literatura e documental, e uma discussão sobre o funcionamento da autogestão dos sistemas de dessalinização a partir das ações implementadas no município de Brumado na Bahia.

Autores: Albert Tiago Porto Gomes e Patrícia Campos Borja.

ÚLTIMOS ARTIGOS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS