BIBLIOTECA

Precipitação de Estruvita em Lixiviado de Compostagem para uso como Fertilizante

Resumo

Extruvita Lixiviado Compostagem – Recuperação de nutrientes de efluentes agroindustriais como minerais precipitados para uso como fertilizantes na agricultura é uma estratégia promissora para alcançar a sustentabilidade. A precipitação de estruvita (MgNH4PO4.6H2O) é um dos métodos estudados para a recuperação de fósforo (P) de águas residuais; seu uso como fertilizante de liberação lenta muitas vezes testado. Este método também permitiu a recuperação do potássio (K) como K-estruvita (MgKPO4.6H2O). O lixiviado tem sido considerado como uma grande ameaça das instalações de compostagem ao meio ambiente – devido à sua alta demanda bioquímica de oxigênio e teor de nutrientes (K, N e P). O lixiviado de uma compostagem de esterco de cama de cavalo e hortaliças de uma agroindústria de processamento apresentaram alto teor de K (2.256 mg L-1), e baixos níveis de nitrogênio amoniacal (217 mg L-1) e P (83 mg L-1). Adicionando solúvel fontes de fósforo (H3PO4) e magnésio (MgCl2) seguido de ajuste de pH (8 a 10), chegamos à formação simultânea de NH4-estruvita e K-estruvita, como evidenciado por difração de raios-X. Além do mais, compostagem de lixiviados, a precipitação de estruvita pode ser uma rota viável para outras águas residuais agroindustriais com alto K e N.

Introdução

Efluentes agroindustriais são uma relevante fonte de lançamento de nutrientes para o meio ambiente, como o nitrogênio (N) e fósforo (P), representando um fator relevante de desequilíbrio ambiental. Por isso, fechar o ciclo de nutrientes recuperando-os para o agro ecossistema é essencial para a sustentabilidade, já que resulta na redução do uso de fertilizantes minerais (ex. fosfatados e potássicos), recursos não renováveis. Um desses efluentes é o lixiviado de compostagem de resíduos orgânicos. Pelas suas características físico-químicas (ex. elevada concentração de demanda química de oxigênio – DQO, nutrientes e sólidos suspensos totais – SST), o lixiviado é considerado um efluente com potencial poluidor quando não tratado de forma correta, podendo causar relevante impacto ambiental em corpos d’água.

A compostagem é uma técnica reconhecida e aplicada para o gerenciamento de resíduos sólidos agroindustriais (ex. estercos de animais) e resíduos orgânicos de origem urbana, sendo apontada como uma estratégia promissora do posto de vista de ganhos ambientais, tanto em relação à redução da poluição hídrica como pela mitigação de gases de efeito estufa. Seu produto final, o composto orgânico, é mais estável biologicamente e não fito tóxico, e com elevada capacidade de troca de cátions, característica agronômica extremamente desejável para a melhoria da fertilidade dos solos. No entanto, a compostagem é um bioprocesso aeróbio e termófilo de degradação de sólidos orgânicos e, como tal, gera água resultante da quebra das moléculas orgânicas, que somada a própria água contida nos resíduos orgânicos (ex. 60 a 80% de umidade), vai formar o lixiviado que é liberado durante o processo de compostagem.

O lixiviado da compostagem se caracteriza como um líquido de coloração escura, alto conteúdo de carbono oxidável, presença de ácidos fúlvicos e húmicos, teores elevados de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio, metais e microrganismos. As características do lixiviado são dependentes da composição do resíduo orgânico e do manejo do processo. Por exemplo, o pH do lixiviado pode variar de ácido (ex. 5,1) a alcalino (ex. 8,9) dependendo das condições predominantes de anaerobiose (e anóxicas) ou aerobiose, respectivamente, o que, por conseguinte, interfere nos níveis de elementos traço percolados. A literatura também cita o potencial uso do lixiviado para fertirrigação devido aos seus níveis de nutrientes (notadamente nitrogênio, fósforo e potássio). No entanto, outros íons dissolvidos que compõem o lixiviado, como sódio (Na+), cloreto (Cl-), dentre outros, podem contribuir de forma negativa para o uso direto deste tipo de efluente no solo. Sendo assim, o uso desse efluente em fertirrigação dependeria de um atento controle de qualidade que envolveria medição constante desses íons e uso de técnicas de eliminação ou redução dos teores na água de fertirrigação (ex. diluição).

Este estudo objetivou avaliar a composição de nutrientes do lixiviado da compostagem de esterco de cavalo e sobras de hortaliças de uma agroindústria de processamento mínimo e o potencial para a recuperação de nitrogênio amoniacal (NH4+) e potássio (K) na forma de estruvita em condições de laboratório.

Autores: Caio de Teves Inácio, Aolibama da Silva de Moraes, David Villas Boas de Campos, Diego Macedo Veneu, Ioná Rech, Marco Antônio de Almeida Leal.

leia-integra


LEIA TAMBÉM: LODO DE ESGOTO E SUAS POTENCIALIDADES AGRÍCOLAS

ÚLTIMOS ARTIGOS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS