BIBLIOTECA

Potencial do uso de água residuária na silvicultura utilizando espécies nativas da caatinga

Resumo: O cultivo de espécies nativas da caatinga, irrigadas com água residuária de esgoto doméstico, caracteriza-se como uma ação para recuperação de áreas degradadas para mitigação dos efeitos da seca. O objetivo da execução do presente trabalho foi avaliar o crescimento de espécies nativas na região semiárida. O ensaio foi conduzido em campo de áreas de solo com degradação agrícola e biológica. A aplicação dos tratamentos foi realizada 120 dias após o transplantio. Utilizou-se um delineamento em blocos casualizados, dispostos em faixas, com 10 tratamentos resultantes da combinação fatorial 2×5 (2 lâminas e 5 cultivares) com 4 repetições, totalizando 40 subparcelas. As espécies cultivadas foram: Aroeira branca – Astroium urundeuva (Allemão), Ipê roxo – Tabebuia avellanedae, Braúna – Schinopsis brasiliensis Engl, Catingueira – Caesalpinia pyramidalis e Freijó – Cordia trichotoma, em espaçamento 3×2 m, com área útil de 1,98 m2, com área total de 3600 m². As irrigações foram feitas com 2 lâminas semanais e 3 frequências (aplicação diária de 2,8 L dia-1, aplicação duas vezes por semana de 7,0 L dia-1, aplicação diária de 1,4 L dia-1, aplicação uma vez por semana 7,0 L dia-1 e aplicação uma vez por semana 14,0 L dia-1). Avaliou-se o crescimento de plantas aos 60 dias após o transplantio, através da mensuração da altura da planta-1, diâmetro caulinar e número de folhas planta-1. O Ipê Roxo e Freijó apresentaram maior índice de crescimento.

Introdução: A degradação de terras agrícolas ocorre, principalmente, pelas variações climáticas e o uso e manejo inadequado dos solos. No Brasil, a maioria das áreas suscetíveis à desertificação, estão localizadas nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas do Nordeste (GALINDO et al., 2008), que se constituem de solos rasos e cobertura vegetal esparsa típicas da caatinga. A recuperação de áreas degradadas garante a restauração do ecossistema danificado. Neste contexto, os sistemas agroflorestais podem desempenhar um papel crucial na restauração das propriedades físicas do solo e na ciclagem de nutrientes, pois promovem o sequestro e o armazenamento de carbono (FAO, 2014). A disponibilidade e qualidade da água representam fator limitante para o bem-estar e os meios de subsistência, especialmente em terras áridas e semiáridas, por representar baixa disponibilidade de água doce (MONTEVERDI, et al., 2014). A falta de gerenciamento dos esgotos domésticos também afeta diretamente na utilização e disponibilidade de recursos hídricos, pois contaminam o solo e águas subterrâneas. A contribuição para a sustentabilidade depende da utilização ou reutilização dos recursos hídricos não convencionais (OLIVEIRA, SILVA e CARNEIRO, 2013). Os esgotos domésticos podem ser adequadamente tratados e utilizados para sistemas florestais e agroflorestais em áreas rurais e urbanas, aumentando a produção de madeira, lenha e biomassa (carvão vegetal). O presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial de uso de água residuária no crescimento de espécies florestais nativas da caatinga.

Autores: SILVANETE SEVERINO DA SILVA; CLAÚDIA FACINI REIS; SALOMÃO DE SOUSA MEDEIROS; RENAN FERREIRA DA NÓBREGA e JOSÉ DANTAS NETO.

Leia o estudo completo: potencial-do-uso-de-agua-residuaria-na-silvicultura-utilizando-especies-nativas-da-caatinga