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Poços de visita e inspeção em material plástico: potencial de expansão do uso em sistemas de esgotamento sanitário

Resumo

A Sabesp possui Poços de Visita e Inspeção numa quantidade total de aproximadamente 500 mil unidades, apenas na região metropolitana de São Paulo. Esses poços são unidades importantes nos sistemas de esgotamento sanitário pois são utilizados para monitoramento, manutenção, limpeza e desobstrução do sistema. Os poços evoluíram desde os construídos em alvenaria, passado pelas aduelas e tubos de concreto até os confeccionados em material plástico de forma monolítica, ou seja, sem juntas. A utilização de Poços em material plástico, quando comparada com os poços executados em tubos de concreto apresenta algumas vantagens que serão relatadas nesse trabalho. É apresentado também um estudo comparativo entre os custos de aquisição de poços constituídos por tubos de concreto e poços em material plástico. Posteriormente é apresentado um comparativo de custos totais, onde se considera inclusive a produtividade de execução do sistema para cada material. Fez-se ainda um estudo sobre a viabilidade técnica e de segurança no trabalho da redução de diâmetro do balão dos poços de visita dos atuais 1000 ou 1200 mm para 800 mm.

Introdução

A Sabesp possui uma quantidade expressiva de Poços de Visita (PVs) em seus sistemas de esgotamento sanitário. Somente na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), são mais de 313 mil PVs e 216 mil PIs (segundo dados do SIGNOS de Março/19). Com a meta de universalização dos serviços de esgoto, há uma tendência de crescimento acentuado desse número nos próximos anos em novos projetos.

Ao longo do tempo, a tecnologia de construção dos PVs evoluiu consideravelmente. No passado, os PVs eram construídos de alvenaria de tijolos comuns, de forma um tanto artesanal e demorada. Com o passar dos anos, a Sabesp adotou as aduelas de concreto. As soluções em alvenaria e aduelas de concreto apresentam como desvantagem a descontinuidade das suas paredes (juntas), que são pontos preferenciais para percolação de água ou esgoto, e o carreamento do material do subsolo entorno ao poço, podendo comprometer o suporte da estrutura, além de aumentar o volume de fluído a ser esgotado.

A partir de 2006, a Sabesp, por meio da Norma Técnica Sabesp NTS 044: Tubos Pré-moldados de Concreto para Poços de Visita e de Inspeção, especificou que os Poços de Visita e Inspeção fossem construídos por tubos de concreto armado. Essa solução apresenta menos juntas e menor possibilidade de infiltração no poço, devido ao anel de elastômero instalado nessas juntas.

A partir de 2008, com base na especificação da NTS 234: Poços de Visita e Inspeção em Materiais Plásticos, a Sabesp iniciou o uso de PVs de plástico confeccionados pelo processo de rotomoldagem, que não apresentam juntas, tornando a peça totalmente estanque.

Essa utilização concentrou-se nas unidades de negócio situadas no litoral paulista onde a cota quase aflorante do lençol freático e a presença de solos arenosos incrementam as vantagens de Poços em material plástico quando comparado com Poços construídos com tubos de concreto.

No final de 2018 a Diretoria da Sabesp solicitou para seu corpo técnico um estudo para verificar as vantagens técnicas e econômicas da utilização dos Poços em material plástico, quando comparados aos Poços executados em tubos de concreto. Outra demanda foi a de verificar a viabilidade técnica de redução do DN do balão dos Poços de Visita dos atuais 1000 ou 1200 mm, para 800 mm.

Esse trabalho apresenta aspectos de projeto, instalação, operação, manutenção e custos dos Poços de Visita de Plástico (inclusive de diâmetro de 800 mm), comparativamente aos Poços construídos em tubos de concreto, para embasar, tecnicamente e economicamente, a viabilidade de adoção como mais uma opção de poços de visita de maneira corporativa, padronizada e, consequentemente, em escala maior.

Autores: Allan Saddi Arnesen; Marco Aurélio Lima Barbosa e Samuel Soares Muniz.