PFAS: o desafio dos “químicos eternos” no saneamento básico
As substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas (PFAS) têm emergido como um dos principais desafios contemporâneos do saneamento básico, devido à sua elevada persistência ambiental, dificuldade de remoção por processos convencionais de tratamento de água e potenciais impactos à saúde humana.
Conhecidos como “químicos eternos”, os PFAS são detectados em mananciais superficiais e subterrâneos em diversas regiões do mundo, impulsionando o desenvolvimento de regulamentações mais restritivas e a adoção de tecnologias avançadas de tratamento. Este artigo apresenta uma visão técnica sobre a natureza dos PFAS, as razões pelas quais se tornaram contaminantes críticos no saneamento, o cenário regulatório nacional e internacional e, por fim, as soluções tecnológicas disponibilizadas pela De Nora para a remoção desses poluentes emergentes.
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Introdução
A crescente complexidade da matriz de contaminantes presentes em recursos hídricos tem exigido uma revisão dos paradigmas tradicionais do saneamento básico. Entre os chamados contaminantes emergentes, os PFAS se destacam pela combinação de ampla disseminação ambiental, elevada estabilidade química e crescente evidência de efeitos adversos à saúde. A presença desses compostos em fontes de abastecimento representa um desafio técnico significativo para operadores de sistemas de água e autoridades reguladoras.
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O que são os PFAS
Os PFAS constituem uma ampla classe de compostos sintéticos caracterizados por cadeias carbônicas parcial ou totalmente fluoradas. Desenvolvidos e utilizados industrialmente desde a década de 1940, esses compostos foram aplicados em espumas de combate a incêndios, revestimentos antiaderentes, têxteis, embalagens e diversos processos industriais.
A principal característica dos PFAS é a presença de ligações carbono-flúor altamente estáveis, consideradas entre as mais fortes da química orgânica. Essa propriedade confere aos PFAS resistência à degradação térmica, química e biológica, resultando em elevada persistência ambiental e capacidade de transporte em sistemas aquáticos.
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PFAS como vilões do saneamento básico
3.1 Persistência e mobilidade ambiental
A estabilidade química dos PFAS impede sua degradação natural, permitindo que esses compostos permaneçam por longos períodos em solos, aquíferos e corpos d’água superficiais. Sua elevada mobilidade em meios aquosos favorece a dispersão a partir de fontes pontuais e difusas, dificultando o controle na origem.
3.2 Ineficiência dos tratamentos convencionais
Os processos tradicionais de tratamento de água, como coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção, não apresentam eficiência significativa na remoção de PFAS. Esses compostos não se associam facilmente a partículas suspensas e não são degradados por processos biológicos convencionais, exigindo tecnologias específicas de adsorção ou separação.
3.3 Riscos à saúde pública
Diversos estudos associam a exposição crônica a PFAS a efeitos adversos, incluindo alterações endócrinas, imunológicas e reprodutivas, além de potenciais efeitos carcinogênicos. Importante destacar que tais impactos podem ocorrer em concentrações extremamente baixas, o que impõe requisitos rigorosos aos sistemas de tratamento e monitoramento.
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Cenário regulatório internacional e nacional
4.1 Panorama internacional
O avanço do conhecimento científico sobre os PFAS tem impulsionado mudanças regulatórias significativas. Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) estabeleceu limites máximos obrigatórios para determinados PFAS em água potável, além de exigir monitoramento sistemático e adequação dos sistemas de tratamento. Na União Europeia, a Diretiva de Água Potável passou a incluir limites para a soma de PFAS, refletindo uma abordagem mais abrangente de controle.
Consulte aqui esses limites: https://www.epa.gov/sdwa/and-polyfluoroalkyl-substances-pfas
Outros países, como Canadá e Austrália, também estabeleceram valores-guia e diretrizes técnicas, indicando uma tendência global de maior rigor regulatório.
4.2 Situação no Brasil
No Brasil, ainda não há limites nacionais específicos para PFAS em água potável estabelecidos em normas federais. No entanto, o tema tem ganhado relevância no meio técnico e acadêmico, com discussões sobre a necessidade de regulamentação, monitoramento e gestão desses contaminantes. Projetos de lei e iniciativas institucionais indicam que o país caminha para uma estrutura regulatória mais robusta nos próximos anos.
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Desafios técnicos para o tratamento de PFAS
Os principais desafios enfrentados pelos sistemas de saneamento incluem:
- necessidade de métodos analíticos avançados para detecção em baixas concentrações;
- adaptação de infraestruturas existentes;
- seleção de tecnologias eficientes e economicamente viáveis;
- gerenciamento adequado das mídias e resíduos concentrados após a remoção dos PFAS.
Esses fatores reforçam a importância de soluções tecnológicas comprovadas e baseadas em evidências técnicas.
Leia Mais sobre os PFAS: https://www.epa.gov/pfas/pfas-explained
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Soluções De Nora para remoção de PFAS
A De Nora desenvolveu sistemas específicos para o tratamento de água contaminada por PFAS por meio da linha SORB™ Contaminant Removal, que integra tecnologias reconhecidas como as mais eficazes para esse fim.
6.1 Tecnologias empregadas
Os sistemas SORB™ utilizam:
- resinas de troca iônica, com alta seletividade para diferentes classes de PFAS;
- carvão ativado granular, amplamente aplicado na adsorção de contaminantes orgânicos persistentes.
A escolha entre essas tecnologias — ou sua aplicação combinada — depende das características da água, do perfil dos PFAS presentes e dos objetivos regulatórios do projeto.
6.2 Aplicações e benefícios operacionais
As soluções da De Nora são projetadas para diferentes escalas de operação, desde sistemas compactos até grandes estações de tratamento. Entre os principais benefícios destacam-se:
- elevada eficiência de remoção;
- flexibilidade operacional;
- facilidade de implantação e manutenção;
- possibilidade de estudos piloto para otimização técnica e econômica.
Com experiência global consolidada, os sistemas SORB™ já operam em diversas localidades, contribuindo para a segurança do abastecimento de água.
Consulte as soluções: https://www.denora.com/applications/Safeguarding-your-water-with-proven-PFAS-treatment-solutions.html#
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Conclusão
Os PFAS representam um desafio técnico relevante para o saneamento básico contemporâneo, exigindo a revisão de práticas tradicionais de tratamento de água. A combinação de persistência ambiental, riscos à saúde e pressão regulatória crescente demanda soluções tecnológicas avançadas e confiáveis. Nesse contexto, as soluções da De Nora se apresentam como uma alternativa tecnicamente robusta para a remoção de PFAS, contribuindo para a proteção da saúde pública e para a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento de água.
Fonte: EPA – United States Environmental Protection Agency e De Nora

