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Monitoramento do lixiviado obtido após percolação de água em mistura de solo degradado e lodo anaeróbio – estudo em escala piloto

Resumo

Dentre as alternativas para destinação final do lodo gerado em ETE, o uso na recuperação de áreas degradadas tem se demonstrando muito atrativo, por promover o reaproveitamento deste resíduo, evitando a disposição em aterros, além de contribuir para a melhoria das características do solo, influenciando positivamente nos processos de recuperação. Porém, apesar dos benefícios para o solo, o lodo pode apresentar contaminantes, devendo-se gerenciar o seu uso com cuidado. Assim, o objetivo da pesquisa foi avaliar a presença dos metais pesados (Cu e Zn) e coliformes termotolerantes no lixiviado proveniente da mistura entre diferentes dosagens de lodo ao solo e inferir sobre a dosagem de lodo mais adequada a ser utilizada na recuperação de áreas degradadas. O lodo foi coletado em uma ETE, localizada no município de Serra, ES, que realiza o tratamento dos esgotos por UASB + Sistema Australiano. O lodo foi retirado da ETE após descarte do UASB em leito de secagem, possuindo um teor de sólidos de 17%, e encaminhado para a secagem. Já o solo é proveniente de uma área que se encontra em acelerado processo de degradação, a área está localizada na mesma cidade da ETE, com coordenadas 372.604.19 m E / 7.764.754.72 N UTM. O experimento desenvolvido foi composto por uma bancada, para disposição de 8 tubetes (volume de 3,8 L), onde foi colocada a mistura (solo + lodo) com diferentes dosagens de lodo ao solo (0%, 10%, 30%, 50% de lodo em massa seca). Foram realizadas 3 campanhas, com intervalo de 3 meses entre elas, para obtenção do lixiviado, sendo lançados 3 litros de água destilada em cada tubete, que foram coletados em recipientes plásticos e encaminhados para caracterização físico-química e microbiológica. A partir da avaliação dos parâmetros de interesse do solo, lodo e lixiviado obtido verificou-se que as dosagens T1 e T2 podem ser utilizadas com fins de condicionar solos degradados, produzindo-se lixiviados com concentrações adequadas de metais pesados segundo a Resolução Conama nº 420/2009.

Introdução 

O tratamento do esgoto provê um grande benefício ambiental. Por meio de operações físicas, químicas e biológicas, promove a redução da carga poluidora do esgoto, fornecendo um efluente final com qualidade adequada para o fim desejado, seja este lançamento em corpos d’água ou reuso (JORDÃO; PESSÔA, 1995).

As operações que envolvem o tratamento do esgoto retiram as substâncias indesejáveis contidas no mesmo, formando os subprodutos do tratamento do esgoto. Estes subprodutos devem ter gerenciamento adequado tendo em vista a conservação da qualidade do meio ambiente, por isso, esta etapa é essencial para o tratamento dos esgotos. Dentre os principais subprodutos estão: material gradeado, areia, escuma e lodo (ANDREOLI; VON SPERLING; FERNANDES, 2001).

Apesar do gerenciamento de todos os subprodutos serem essenciais, o lodo de esgoto merece destaque devido à quantidade de gerada e a maior complexidade de tratamento e disposição final, sendo um desafio para a administração das ETE (CESAR et al., 2008).

As formas de disposição final do lodo consideradas mais interessantes dos pontos de vista ambiental, técnico e econômico são a compostagem, o uso como fertilizante, na recuperação de áreas degradadas e como fonte de energia (ANTONIOUS et al., 2011).

O lodo é um concentrador de todas as substâncias que se encontravam presentes no esgoto, e não foram transformadas em outros subprodutos, como nutrientes e matéria orgânica. Estas substâncias são responsáveis por o tornar um excelente adubo orgânico e condicionador de solo, que atua melhorando as propriedades do solo, influenciando a disponibilidade de nutrientes, a capacidade de troca de cátions do solo, a complexação de elementos tóxicos e micronutrientes, a agregação, a infiltração e a retenção de água, a aeração e a atividade e biomassa microbiana (CARVALHO et al., 2015).

Assim, o uso do lodo na recuperação de áreas degradadas vem sendo considerado muito benéfico e interessante, pois promove uma destinação final sustentável para o resíduo, e auxilia na recuperação de áreas degradadas, diminuindo os gastos com fertilizantes, e tornando o processo mais sustentável.

Entretanto, pelo fato do lodo possuir características indesejáveis, como a presença de poluentes como metais pesados, patógenos e compostos orgânicos persistentes, a disposição deste no solo deve ser controlada, por haver o risco de contaminação pela lixiviação dessas substâncias.

Devido a importância de se evitar a lixiviação de compostos tóxicos presentes no lodo, esta pesquisa tem o objetivo avaliar as características do lixiviado extraído da mistura de diferentes dosagens de solo e lodo anaeróbio gerado em Estação de Tratamento de Esgoto Doméstico, visando determinar os parâmetros pH, metais pesados (Cobre e Zinco), coliformes termotolerantes e o volume de lixiviado produzido, para assim, inferir sobre a viabilidade de uso deste lodo em processos de recuperação de áreas degradadas.

Autores: Márcia Regina Pereira Lima; Aurélio Azevedo Barreto Neto e Roberta Arlêu Teixeira

 

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