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Modelagem espacial e sistema de abastecimento de água na Amazônia

Resumo

A pesquisa teve como objetivo elaborar um modelo espacial, na área urbana do município de Altamira, Amazônia Oriental, que indique a possibilidade de uso dos recursos hídricos superficiais para abastecimento público e opções viáveis de implantação de estruturas do sistema de abastecimento de água. A metodologia utilizada consistiu na análise multicritério e para ponderação das variáveis foram utilizadas bibliografias técnicas e acadêmicas. Os resultados obtidos foram um mapa de uso e cobertura do solo; mapa dos principais cursos de drenagem e, por fim, a indicação de pontos excelentes para instalação das infraestruturas de abastecimento. As informações levantadas e analisadas constituem produtos que poderão subsidiar tomadas de decisões, no que diz respeito à escolha de mananciais para abastecimento urbano e no manejo ambiental das microbacias urbanas da cidade de Altamira, PA.

Introdução

A água está presente no cotidiano humano, sendo o principal item para sua dessedentação, preparo de alimentos, higiene pessoal e outros fins menos nobres. Desta forma, a água potável, própria para o consumo, dispensando processos físico-químicos para que possa ser consumida, constitui um direito essencial e garantido por lei.

Segundo Brasil (2007, Art. 3º-I) saneamento básico se entende pelo conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Define ainda que o abastecimento de água potável é “constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição”.

Deve-se levar em consideração a qualidade das águas naturais a serem captadas para tratamento e distribuição de forma a se evidenciar qual manancial oferece melhores recursos naturais, diminuindo assim os custos com o tratamento, sendo as técnicas de análise espacial e geoprocessamento importantes neste processo. A este respeito Câmara, Davis e Monteiro (2001, p. 2) definem geoprocessamento como “a disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica […]”.

Para que se possa tomar uma decisão com maior segurança os métodos de análise multicritério podem ser adotados, sendo estes, muito utilizados na solução de problemas de tomada de decisão, uma vez que procuram esclarecer ao gestor ou equipe responsável as possibilidades de escolhas, permitindo uma maior compreensão do ambiente em foco ocasionando em uma decisão mais consistente. (Campos 2011, p. 17)

O município de Altamira é constituído por sua sede de mesmo nome e dois distritos, Cachoeira da Serra e Castelo dos Sonhos. O abastecimento de água potável é oficialmente realizado pela Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA), entretanto a população, em sua maioria, faz uso de poços como fontes de abastecimento devido as constantes interrupções ou inexistência da rede de abastecimento. Desde o ano de 2010 a sede do município passa por um intensificado processo de expansão urbana e ambiental devido às obras de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHEBM).

Além da alteração urbano-espacial, a presença de um grande empreendimento hidráulico, afeta principalmente, os cursos d’água, neste caso o rio Xingu de forma direta e seus afluentes de forma indireta, fator que pode representar uma posterior dificuldade ao acesso e distribuição da água tratada.

Sendo assim, o presente estudo visa a elaboração de uma solução a partir de modelos de análise espacial como subsídio a caracterização, identificação e proposição de localidades ótimas a instalação de um Sistema de Tratamento de Água, levando em consideração, também, a utilização de mananciais que compõem a Rede Hidrográfica da cidade de Altamira, localizada na Amazônia Oriental Brasileira.

Autores: Vagner Nascimento Costa; Alan Nunes Araújo; Amintas Nazareth Rossete e Lorena Maria Mourão de Oliveira.

 

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