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Estudo da adição do lodo de ETA – Estação de tratamento de água em argamassas de revestimento

Resumo

No processo de tratamento de água, mais precisamente na lavagem dos filtros e descarga dos decantadores, é produzido um resíduo conhecido como lodo. Este por sua vez, ainda é bastante negligenciado e na maioria dos casos, tem sua disposição final inadequada, sendo depositado em corpos hídricos ou em terrenos baldios, ocasionando a poluição destes locais. Nesta pesquisa, foram realizados testes com o resíduo coletado numa concessionária de abastecimento de água da região sul, caracterizando-os quanto as suas propriedades físico-químicas, e posteriormente, produzindo argamassas com 0%, 3%, 5% e 10% de adição do lodo da ETA em relação à massa do agregado. Partindo de um planejamento experimental de misturas, verificou-se a influência de traço na resistência à tração na flexão, à compressão axial, na absorção de água por capilaridade e no módulo de elasticidade, após 28 dias de cura. Os resultados indicam que as propriedades mecânicas das argamassas sofrem uma diminuição com a adição do lodo de ETA, em relação à argamassa de referência, com a sua incorporação as argamassas apresentaram menores valores de módulo de elasticidade, o que indica que estas argamassas possuem uma boa capacidade de sofrer deformações, e a adição do lodo de ETA possibilitou a diminuição da absorção de água por capilaridade das argamassas, deixando-as mais resistentes contra agentes deletérios que ocasionam patologias nas mesmas.

Introdução

As Estações de Tratamento de Água (ETA) possuem o papel de fornecer água potável a população, de forma que atenda os padrões conforme exigido pela Portaria de Consolidação n° 5/2017 do Ministério da Saúde. Para que ocorra a transformação da água bruta (sem tratamento e imprópria ao consumo humano), em uma água potável, as estações de tratamento comumente adotam o sistema de tratamento de ciclo completo, que inclui os processos de: captação, coagulação, floculação, decantação, filtração e cloração (COMUSA, 2017).

Para a retirada das impurezas contidas na água bruta neste sistema de tratamento são utilizados produtos químicos, que fazem a coagulação das impurezas e estas ficam retidas nos filtros ou depositadas em decantadores. Após um período de funcionamento, essas unidades devem ser lavadas para a retirada do acúmulo dessas impurezas, gerando resíduos que são o lodo e a água de lavagem de filtros. Estes resíduos são gerados nas etapas de decantação e filtração (ACHON; BARROSO; CORDEIRO, 2013).

Segundo Teixeira et al. (2006), os lodos gerados em ETA’s são classifi cados como resíduos sólidos devendo ser devidamente tratados e dispostos sem que provoquem danos ao meio ambiente. Ao sair da ETA, o lodo contém um grande percentual de umidade e deve, preferencialmente, passar por um processo de desidratação, diminuindo esse percentual e aumentando a concentração de sólidos.

A Lei Federal 11.445 de 5 de janeiro de 2007, estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. No inciso III do artigo 2º, traz em seus princípios fundamentais o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente (BRASIL, 2007).

Almeida, Carvalho e Passig (2010) afirmam que no país, quase todas as ETA’s não possuem qualquer forma de tratamento para esses resíduos, na maioria eles são lançados em corpos d´agua, causando efeitos ao meio ambiente e não cumprindo as legislações ambientais.

De acordo com Megda, Soares e Achon (2005) em várias partes do mundo, o tratamento e a disposição de lodos de ETA’s vêm sendo tratados como oportunidade de aumento de receita e, principalmente, redução de custos e de impactos ambientais em empresas e sistemas autônomos de saneamento básico. Uma alternativa para a disposição do lodo é o seu reaproveitamento, incorporando-o na argamassa de revestimento utilizada na construção civil.

A ABNT NBR 13281:2005 define argamassa como uma mistura homogênea de agregado(s) miúdo(s), aglomerante(s) inorgânico(s) e água, contendo ou não aditivos, com propriedades de aderência e endurecimento, podendo ser dosada em obra ou em instalação própria (argamassa industrializada).

Santos (2008) afirma que os revestimentos argamassados são fundamentais para a durabilidade e preservação de uma edificação, tendo como função proteger os elementos de vedação da ação direta dos agentes agressivos, regularizar e servir de base para aplicação de outros revestimentos.

Dessa maneira, este trabalho teve como objetivo analisar as características físicas e propriedades mecânicas de argamassas produzidas com adição do lodo da ETA. Para tal, fez-se necessária a caracterização físico-química do lodo da ETA e, posteriormente, a avaliação da sua influência nas resistências à tração na flexão, compressão axial, módulo de elasticidade e absorção de água por capilaridade e coeficiente de capilaridade das argamassas produzidas.

Autores: Sibele Silveira Laurindo; Elaine Guglielmi Pavei Antunes; Aline Eyng Savi; Jaison Araujo Speck e Jorge Henrique Piva.