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Lâminas de água múltiplas via sistema de irrigação subsuperficial no cultivo de alface do grupo crespa

Resumo

O propósito do estudo foi avaliar á eficiência de um sistema de irrigação subsuperficial de baixo custo, a partir da aplicação de lâminas decrescentes de água, para o desenvolvimento vegetativo de plantas de alface do grupo crespa. Para tanto, desenvolveu-se um ensaio no setor de Olericultura do Instituto federal da Paraíba, Campus Sousa, Unidade São Gonçalo. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, e os tratamentos foram compostos de cinco lâminas de água (25, 50, 75, 100 e 125% da evapotranspiração de referência, estimada pela equação de Penman-Monteith), repetidos quatro vezes. As variáveis avaliadas constaram de massa de matéria seca da parte aérea, raiz e total e o número total de folhas por planta. A aplicação de 25% de lâmina de água proporcionou os menores valores de acúmulo de massa, não sendo, portanto, recomendada para esse sistema, já a aplicação de 50%, proporcionou acúmulo de massa similar as maiores lâminas, 75, 100 e 125% da evapotranspiração potência, o que comprova á eficiência do sistema, em termos de economia de água para produção da alface. Por se tratar de um sistema de irrigação de baixo custo e de fácil operacionalização, o mesmo é essencial para a agricultura familiar vivente no semiárido brasileiro, contudo estudos posteriores fazem-se necessários para consolidação do sistema.

Introdução

A escassez de água é resultante de um conjunto de fatores de cunho geográfico, político, ambiental e econômico, associado às formas desiguais de apropriação e uso dos recursos hídricos. Embora atinja parcelas significativas da população em geral, é no meio rural que se verificam condições mais problemáticas de acesso à água, dificultando o atendimento às demandas primordiais (LIMA, 2011).

Conforme Cheyi et al. (2012), “as inovações tecnológicas e a pesquisa são indispensáveis para enfrentar os desafios presentes e futuros da sociedade quanto à disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos, visto a ampliação dos conflitos entre os usuários com consequência da vulnerabilidade que se apresenta nos sistemas hídricos da maioria dos países e nações”.

A olericultura é um sistema produtivo de grande impacto econômico, pois é possível atingir elevadas produções em pequenas dimensões territoriais e tendo grande aceitação no mercado. Dentre as inúmeras hortaliças cultivadas merece destaque a alface (Lactuca sativa L.) que é uma planta herbácea, anual, originaria de clima temperado e pertencente à família Asteracea (HENZ e SUINAGA, 2009). Folhosa muita apreciada pela culinária brasileira, de fácil manejo, típica de saladas, considerada como uma planta de propriedades tranquilizantes e que, devido ao fato de ser consumida crua, conserva todas as suas propriedades nutritivas (ANDRADE JUNIOR e KLAR, 1997). O tipo de alface predominante no Brasil é pertencente ao do grupo Crespa, liderando 70% do mercado. As do grupo americana e lisa detêm 15% e 10%, respectivamente, enquanto outras (vermelha, mimosa, romana) correspondem a 5% do mercado (SALA e COSTA, 2005; BLAT, 2011).

Com limitações quanto ao déficit hídrico, à alface é bastante exigente quanto ao consumo de água, e esse fator acaba por limitar a produção do devido vegetal, interferindo assim na segurança alimentar e na microeconomia das regiões semiáridas.

O uso de Canteiros Econômicos em água constitui uma tecnologia social que visa atenuar o uso eficiente de água para as produções de hortaliças, evitando perda por infiltração ao condicionar uma impermeabilização do terreno plantado, além da irrigação ser realizada de forma subsuperficial, o que, por sua vez, reduz as perdas por evaporação. Embora considerada uma alternativa viável para produção de alimentos, em condições de baixa disponibilidade hídrica, algumas limitações são vislumbradas no tocante ao manejo da água, nos canteiros econômicos, o que potencializa o desenvolvimento de pesquisas sistematizadas a fim de levantar informações precisas e possíveis de serem replicadas para as mais diversas situações de uso desta tecnologia.

De acordo com Romero et al. (2012), a aproximação mais racional para otimização da irrigação é o uso de controladores automáticos. Entretanto, na maioria dos casos, eles são operados por timers e não por sensores que expressam a demanda hídrica das plantas (MEDICI et al., 2010).

Dessa forma, objetivou-se aqui realizar um estudo sistematizado do manejo de água de irrigação, em termos quantitativos, na tecnologia social intitulada, canteiros econômicos, a fim de proporcionar o cultivo da alface em épocas de estiagem, a partir da utilização de fontes de água, produto de políticas públicas de convivência com o semiárido, a exemplo das cisternas de placas, tanques de pedra, barragens subterrâneas, além de poços tubulares.

Autores: Carlos Alberto Lins Cassimiro; Francisco Sales Oliveira; Edvanildo Andrade Silva; Selma Santos Feitosa; Eliezer Cunha Siqueirares e Mateus Gonçalves Silva.