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Itaipu inaugura unidade de produção de petróleo sintético com energia limpa

Itaipu inaugura unidade de produção de petróleo sintético com energia limpa

Planta piloto gerará material para a fabricação de combustível de aviação

A usina de Itaipu inaugurou no dia 17 de Junho, uma unidade de produção piloto de petróleo sintético. O material servirá para a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês).

O Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBIogás) e a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento sustentável criaram a planta. O governo alemão investiu R$ 10 milhões feito através da agência Giz.

O local será capaz de produzir, inicialmente, 6 kg por dia de petróleo sintético, chamado de biosyncrude. Obtém-se o material a partir do processamento de biogás e de hidrogênio verde.  Itaipu produz as duas matérias-primas. O gás, por exemplo, vem do processamento dos restos de alimentos gerados pelos restaurantes de Itaipu.

O refino do biosyncrude para geração de SAF acontecerá na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O estado tem potencial para ser um grande produtor de SAF. “O Paraná apresenta um potencial de produção de 15 mil metros cúbicos por ano de SAF a partir do biogás gerado pelas plantas em operação que foram mapeadas em 2022 no estado”, explica Rafael Gonzalez, presidente do CIBiogás.

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“Esta é a primeira planta de biosyncrude do país. Seu objetivo é viabilizar economicamente uma rota para a produção de combustíveis verdes a partir da valorização do biogás”, diz Markus Francke, diretor do projeto H2Brasil, que une ações de Alemanha e Brasil em novos combustíveis.

A planta usará tecnologia alemã para produzir petróleo sintético. O consumo deverá ser de até 50 Nm³ de biogás e 53 Nm³/dia de hidrogênio verde por dia, para fabricar 6 kg de byosyncrude.

Como funciona o petróleo sintético?

O petróleo é, basicamente, um hidrocarboneto, ou seja, uma mistura de hidrogênio e carbono. O produto, extraído de reservas no subsolo, é depois refinado para gerar combustíveis, como gasolina, diesel e combustível de aviação. Utiliza-se também o material em muitos outros processos, como, por exemplo, na fabricação de plástico.

No petróleo tradicional, combinou-se os dois elementos por processos naturais, como a decomposição de seres vivos. No caso de combustíveis sintéticos, realiza-se a mistura de hidrogênio e carbono por processos químicos sob controle humano. Se essa produção usar energia de origem limpa em sua composição, o processo então é ecologicamente correto.

Exemplificando então, a partir da água, através de um processo que utiliza energia elétrica, obtém-se o hidrogênio. Se essa energia tiver origem limpa, como hidrelétrica ou solar, o material ganha o selo de hidrogênio verde.

Já o carbono pode ser capturado de várias fontes, como o gás gerado pela decomposição de lixo ou as emissões de chaminés de fábricas onde há queima de combustíveis. Isso ajuda a reduzir a presença de gás carbônico na atmosfera e, consequentemente, da poluição do ar.

Se o combustível sintético usar carbono capturado do ar, considera-se limpo, pois sua queima devolverá à atmosfera a mesma quantidade do material que já estava antes na atmosfera.

O petróleo sintético pode ser usado como base para a fabricação de diversos combustíveis, como gasolina, diesel e SAF.

Entenda o SAF

O uso de combustível sintético deverá avançar mais rápido na aviação, pois mais de cem países, incluindo o Brasil, assinaram um compromisso, chamado Corsia, para reduzir as emissões do setor.

O acordo prevê duas fases: de 2021 a 2026, os países podem adotar medidas para mitigar emissões de forma voluntária. A partir de 2027, a adoção de medidas será obrigatória, com exceções para países muito pobres ou com baixo número de voos.

Com isso, o SAF, ou combustível sustentável de aviação, é visto como a principal estratégia para reduzir as emissões. No entanto, o SAF ainda é escasso no mercado: em 2024, sua produção deve representar apenas 0,5% do total de combustível de aviação usado no mundo, segundo dados da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), divulgados no início de junho.

Segundo a Iata, há mais de 140 projetos de produção de SAF anunciados em todo o mundo, que devem entrar em operação até 2030. Pode-se produzir o SAF a partir de diversas origens, e o Brasil poderá ser um produtor relevante pela quantidade de biomassa disponível e pela expertise em combustíveis verdes, como por exemplo o etanol e o biodiesel.

Fonte: exame.


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