BIBLIOTECA

Investigação de tanino como coagulante primário associado à poliacrilamida para tratamento de efluente de biodiesel

Resumo: A produção de biodiesel gera efluentes com grande capacidade poluidora se lançados em corpos d’água ou diretamente sobre o solo sem algum tipo de tratamento prévio. A presença de ácidos graxos livres, terpenóides, fosfatídeos e proteínas nos efluentes origina uma alta carga orgânica nos resíduos e impossibilita o tratamento biológico pela falta de nutrientes necessários para metabolização. Assim, o resíduo produzido deve ser tratado de forma adequada. Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo estudar o tratamento de efluente de biodiesel por coagulação, investigando a influência do uso de tanino como coagulante primário obtido de fontes renováveis, estabelecendo assim uma rota de tratamento físico-químico do efluente em questão. O tratamento foi realizado inicialmente variando-se o pH de alcalinização e o pH de coagulação para investigar a melhor faixa de pH para atuação do tanino, e, posteriormente fez-se um ajuste de polieletrólito (poliacrilamida) para uma atuação mais efetiva do polímero estudado. Analisaram-se os valores de remoção de turbidez e redução de volume de lodo. A aplicação de 0,86 g/L de tanino sozinho resultou em uma redução de turbidez de >1100 NTU iniciais para 37 NTU em pH de alcalinização igual a 12 e pH de coagulação igual 8. Já após aplicação do polieletrólito, conseguiu-se uma remoção de turbidez de até 93% em relação ao tratamento apenas com tanino, e uma redução do volume de lodo de 120,3 cm3 do tratamento apenas com tanino para 111,1 cm3 após aplicação da poliacrilamida.

Introdução: A água é um recurso natural continuamente contaminada, desde o desenvolvimento agrícola e industrial até a produção de vários bens de consumo atuais. Por isso há uma extrema necessidade do tratamento da água devido às contaminações. Um dos métodos mais utilizados nos pré-tratamentos de efluentes industriais consistem na coagulação/floculação. No cenário atual, os coagulantes mais comumente utilizados para remoção de sólidos em suspensão em processos de tratamento de águas residuárias, são os coagulantes inorgânicos, como o sulfato de alumínio e o sulfato férrico (CORAL et al., 2009). Apesar da comprovada eficiência, todos esses compostos se tratam de compostos inorgânicos não biodegradáveis e que acrescentam alumínio à água tratada podendo provocar problemas à saúde, por isso, se têm buscado novas opções de coagulantes para o tratamento de efluentes (MARTINS et al., 2014). Os avanços quanto às tecnologias alternativas para “reparar” os problemas causados por efluentes têm contribuído significativamente para a gerência da qualidade ambiental (ALMEIDA et al., 2004). Uma das alternativas de tratamento hoje estuda a utilização de coagulantes naturais derivados de fontes renováveis, como aqueles retirados de plantas, no qual representa um grande desenvolvimento nas questões sustentáveis e tecnológicas ambientais (MARTINS et al., 2014). Segundo Jorge e colaboradores (2001), os taninos são polímeros naturais e podem ser definidos como qualquer composto fenólico, de peso molecular suficientemente elevado que contém um número suficiente de grupos hidroxilos ou outros grupos adequados, de forma a possibilitar a formação de complexos estáveis com proteínas e outras macromoléculas, nas condições particulares de ambiente em estudo. De acordo com Queiroz e colaboradores (2002), nas plantas, os taninos podem ser encontrados em raízes, flores, frutos, folhas, cascas e na madeira. No Brasil, o tanino é extraído principalmente da casca da planta Acácia Negra de reflorestamento. Depois de extraído, o tanino passa por um processo de cationização e após esse processo ele apresenta características que possibilitam sua aplicação a processos de tratamento primário (como coagulação e floculação), dentre estas características destacam-se a solubilidade em água, propriedades eletrolíticas e peso molecular adequado (SILVA, 1999). A etapa de coagulação é imprescindível, sendo que se esta não alcançar uma boa eficiência, todas subsequentes estarão prejudicadas. Com o efluente em pH ideal para a coagulação, os coagulantes são adicionados com a finalidade de reduzir as forças eletrostáticas de repulsão, que mantém separadas as partículas em suspensão, para que haja aglutinação das mesmas, facilitando sua remoção. A preocupação em se escolher um coagulante para determinado tratamento deve ser amplamente investigada, pois nele se concentra 40% dos custos totais (FONTOURA, 2009). Segundo Bolto (1995), existem poucos estudos que relacionam a estrutura do polímero e seu desempenho no tratamento de água ou efluente. A existência de mais estudos poderia facilitar o entendimento sistêmico que envolve a aplicação destes polímeros e, por sua vez, tal conhecimento poderia ser orientado de forma a se obter melhor eficiência nas etapas de coagulação e floculação que, por sua vez, irão ocasionar melhores taxas de sedimentação e flotação. Dessa forma, o presente trabalho visa estudar o tratamento de efluente industrial por coagulação, investigando o uso de tanino, obtidos de fontes renováveis, associada à poliacrilamida, estabelecendo uma rota de tratamento físico-químico do efluente em questão.

Autores: Nicolle Santos Rozeno; Elaine Angélica Mundim Ribeiro; Sheila Cristina Canobre; Guimes Rodrigues Filho e Fábio Augusto do Amaral.

Leia o estudo completo: investigacao-de-tanino-como-coagulante-primario-associado-a-poliacrilamida-para-tratamento-de-efluente-de-biodiesel