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Uma forma inédita de medir o impacto humano nas águas da Amazônia

Impacto humano na Amazônia

Resumo

A Amazônia perdeu 12% da sua superfície de água – um total de 1.104.575 ha, equivalente à metade do território de Sergipe – nos últimos 30 anos, anunciou em setembro do ano passado um levantamento da rede colaborativa MabBiomas. Segundo a iniciativa, “a dinâmica de uso da terra baseada na conversão da floresta para pecuária e agricultura e a construção de represas contribuem para a diminuição do fluxo hídrico”.

Um dos principais resultados do Índice de Impacto nas Águas da Amazônia (IIAA), desenvolvido pela Ambiental Media com apoio do Instituto Serrapilheira, aponta na mesma direção: um quinto das microbacias hidrográficas da Amazônia brasileira estão significativamente impactadas.

Esses números negativos impressionantes expõem a real extensão da degradação dos ecossistemas aquáticos da Amazônia e indicam que a crise hídrica brasileira é ainda mais grave do que aparenta. “É preciso uma revisão urgente das políticas de conservação do meio ambiente voltada às águas”, afirma a bióloga Cecília Gontijo Leal, consultora científica do projeto Aquazônia.

O IIAA, criado para contribuir com esse debate, não pretende ser uma ferramenta de precisão acadêmica, mas um produto de jornalismo científico com base em dados disponíveis. Seu objetivo é expor as regiões e bacias mais impactadas com clareza gráfica, ao lado de opiniões qualificadas. E, com isso, tornar-se uma plataforma de referência para o entendimento dos principais impactos da atividade humana nos ecossistemas aquáticos da Bacia Hidrográfica Amazônica, que cobre uma área de 7 milhões de quilômetros quadrados ao longo de oito países e responde por aproximadamente 18% de toda a água doce que chega aos oceanos.

Mais do que ostentar números de proporções colossais, a água na Amazônia é o agente de conexão. Ela transborda do degelo dos Andes e escorre na forma de rios que, ao longo de seu curso, alimentam comunidades humanas e irrigam matas e planícies ricas em espécies de fauna e flora. A evapotranspiração da biomassa vegetal transfere água para a atmosfera em um ciclo anual de chuvas que retroalimentam os estoques do bioma e viajam continente afora – os chamados “rios voadores” irão irrigar lavouras e garantir o abastecimento de centros urbanos mais ao sul do Brasil.

Destaques do Impacto humano na Amazônia

  • Baseado em dados científicos sobre estado geral de saúde dos ecossistemas aquáticos amazônicos no Brasil, o inédito Índice de Impacto nas Águas da Amazônia sintetiza dados de monitoramento e pesquisa para apontar as áreas mais vulneráveis da floresta.
  • De acordo com o índice, 20% das 11.216 microbacias da Amazônia no Brasil têm impacto considerado alto, muito alto ou extremo; metade destas microbacias estão afetadas por hidrelétricas.
  • O mesmo índice aponta que 323 das 385 Terras Indígenas na Amazônia Legal têm índice de impacto de médio para baixo, o que demonstra o papel fundamental dessas áreas na proteção dos ecossistemas aquáticos da Amazônia.
  • A Bacia Hidrográfica Amazônica cobre 7 milhões de quilômetros quadrados e contém 20% de toda a água doce da superfície da Terra. Ainda assim, pouco se sabe sobre os impactos do aumento da atividade humana predatória nos ecossistemas aquáticos.

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