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Análise de ciclo de vida social inerente ao gerenciamento de lodo e de biogás em uma estação de tratamento anaeróbio de esgoto

Resumo

As etapas de gerenciamento de lodo e do biogás são responsáveis por aspectos sociais importantes em uma estação de tratamento de esgoto (ETE), tais como a emissão de odor e ruído, a manipulação de produtos químicos pelos trabalhadores e a valorização do produto final a ser destinado. O presente artigo tem como objetivo realizar o inventário e a avaliação dos aspectos sociais associados ao gerenciamento do lodo e do biogás de ETEs, utilizando como ferramenta os indicadores de Avaliação de Ciclo de Vida Social (ACV-S). A pesquisa foi realizada em uma ETE anaeróbia. Na elaboração do inventário social foram consideradas as seguintes categorias de partes interessadas: trabalhadores, consumidores, comunidade local e sociedade. Para cada subcategoria foram elaborados indicadores. Para a categoria trabalhadores foram apresentados os resultados de salários, ruído ocupacional, produtos químicos perigosos, emissões gasosas e risco biológico. Para a categoria consumidores, teores de N, P e concentração de patógenos presentes no lodo biológico. Para a parte interessada comunidade local e sociedade, o ruído ambiental, odor e a geração de emprego.

Introdução

No Brasil, a tecnologia de reatores anaeróbios (reatores do tipo UASB) é a terceira mais empregada em termos de número de estações de tratamento de esgotos (ETEs) (NOYOLA et al., 2012). Essa tecnologia possui como característica a geração de lodo adensado e estabilizado, além de biogás, rico em metano. No Estado do Paraná, em especial, 94,6% das ETEs utilizam reatores anaeróbios (ROSS, 2015).

Nos últimos anos, o tratamento e a destinação final do lodo tem sido um dos problemas mais complexos enfrentados no campo da engenharia sanitária e ambiental (GARRIDO-BASERBA et al., 2015). Atualmente, o aterro sanitário é a alternativa mais empregada para o destino final do lodo de ETE no Brasil. Nesse caso, destacam-se os elevados gastos com o transporte, bem como o desperdício do potencial dos nutrientes e/ou energético do lodo desidratado. O uso agrícola do material é uma alternativa interessante, pois possibilita reciclagem dos nutrientes. No entanto, a eventual presença de metais pesados tem sido apontada como um elemento impactante ambientalmente (BITTENCOURT et al., 2014). Diante das inseguranças sanitárias e ambientais, alternativas têm sido propostas, apesar de todas apresentarem ressalvas, como as formas de tratamento térmico para o lodo de ETE (ROSA et al., 2016).

No Brasil, poucas ETEs que empregam a tecnologia anaeróbia realizam o aproveitamento do biogás. Na maioria das ETEs o biogás é queimado em flares, com baixa eficiência (ROSA et al., 2016), desperdiçando o seu potencial energético.

As etapas de gerenciamento de lodo e do biogás são responsáveis por aspectos sociais importantes em uma ETE, como a emissão de odor e ruído, a manipulação de produtos químicos pelos trabalhadores e a valorização do produto final a ser destinado. A Avaliação de Ciclo de Vida Social (ACV–S) é uma técnica utilizada para avaliar os aspectos sociais e socioeconômicos dos produtos e seus potenciais impactos positivos e negativos ao longo de ciclo de vida, englobando a extração, processamento de matérias-primas, produção, distribuição, uso, reutilização, manutenção, reciclagem e disposição final (UNEP e SETAC, 2009). A ACV–S complementa a Avaliação de Ciclo de Vida Ambiental (ACV–A), podendo ser aplicada sozinha ou em conjunto (UNEP e SETAC, 2009). Atualmente, existem mais de 20 métodos para avaliação dos impactos sociais, de tipo I (baseado em pontos de referência de desempenho) e tipo II (relação de causa e efeito).

O método Subcategory Assessment Method (SAM) foi elaborado com base no guia metodológico da UNEP e SETAC (2013), utilizado após a fase de elaboração do inventário e permitindo avaliar o desempenho social das empresas envolvidas em todos os estágios do ciclo de vida do produto. A fim de produzir um método consistente para todas as subcategorias o método estabelece uma linha de base para avaliar o perfil da organização, chamado requisito básico (RB). A escala varia de “1” a “4” (sendo “A” a pior e “D” a melhor avaliação) (RAMIREZ et al., 2014). Esse método foi utilizado por Padilla-Rivera et al. (2016) que selecionaram 25 indicadores relacionados à 4 stakeholders (comunidade e sociedade, trabalhadores, consumidores e cadeia de valor), específicos para ETEs. Para realizar a avalição dos aspectos, os autores utilizaram ponto de referência e requisito básico.

Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo realizar o inventário e a avaliação dos aspectos sociais associados ao gerenciamento do lodo e do biogás de uma ETE, utilizando como ferramenta os indicadores de ACV-S.

Autores: Karina Guedes Cubas do Amaral;  Miguel Mansur Aisse;  Gustavo Rafael Collere Possetti; Fernanda Janaína Oliveira Gomes da Costa e Cássia Maria Lie Ugaya.

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