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Fontes hídricas no semiárido paraibano: qualidade de água sob a ótica da percepção social

Resumo

A garantia de abastecimento urbano e rural das populações do semiárido tem sido, em geral prejudicada, decorrente do colapso dos sistemas de abastecimento de pequenas e médias cidades e de comunidades rurais. Consequentemente, a perfuração de poços apresenta-se como mais uma alternativa para o enfrentamento da escassez hídrica, no entanto, a qualidade de suas águas apresenta restrições para consumo humano, já que mais de 70% delas apresenta salinidade superior aos índices exigidos pela Resolução nº 375/2005 do CONAMA, para as águas classificadas como doce. Uma das alternativas empregadas na região é a utilização do processo de dessalinização por osmose inversa que produz uma água de excelente qualidade, porém, a instalação desses sistemas de dessalinização de água não é efetuada de forma que a água dessalinizada seja distribuída por meio de uma rede de distribuição, forçando a população armazenar as águas dessalinizadas em utensílios domésticos que podem modificar a qualidade da água ofertada as comunidades, principalmente pela falta de percepção da população quanto as medidas sanitárias básicas para preservação da qualidade da água dessalinizada. Desta forma, objetivou-se com este estudo identificar a percepção de uma comunidade rural do município de Juazeirinho/PB sobre o consumo, formas de acondicionamento, qualidade e tratamento da água correlacionando estas concepções aos parâmetros microbiológicos de Coliformes totais, Escherichia coli e Bactérias heterotróficas. Os resultados demonstram que o conhecimento da população sobre qualidade de água para consumo humano, formas de armazenamento e tratamentos são obtidos através do senso comum, por isso é necessária uma intervenção a fim de repassar informações de como tratar e manter a potabilidade dessa água. Um dos pontos discutidos no trabalho mais preocupante é o tratamento efetuado por eles, que é a base de cloro, onde uma grande parcela afirmou que não tem conhecimento da quantidade ideal a ser utilizada e os agentes de saúde, que fazem a distribuição, não orienta da melhor maneira de realizar este tratamento. Além do fato que, apesar de todo o tratamento efetuado, a maioria das amostras coletadas apresentaram-se contaminadas, estando assim inadequadas ao consumo humano, sendo necessário rever práticas de armazenamento e manutenção das águas.

Introdução

As regiões semiáridas são caracterizadas, de modo geral, pela aridez do clima, pela deficiência hídrica, com imprevisibilidade das precipitações pluviométricas, e pela presença de solos pobres em matéria orgânica (SILVA, 2006). O estado da Paraíba possui 223 municípios, sendo que 170 estão na região semiárida, o que representa 15,00 % do total da região semiárida no país e 86,20% do estado (BRASIL, 2010).

A garantia de abastecimento urbano e rural das populações do semiárido tem sido, em geral prejudicada, decorrente do colapso dos sistemas de abastecimento de pequenas e médias cidades e de comunidades rurais. Consequentemente, a perfuração de poços apresenta-se como mais uma alternativa para o enfrentamento da escassez hídrica. A qualidade de suas águas apresenta restrições para consumo humano, já que mais de 70% delas apresenta salinidade superior aos índices exigidos pela Resolução nº 375/2005 do CONAMA (BRASIL, 2010).

Uma das alternativas empregadas na região é a utilização do processo de dessalinização por osmose inversa que produz uma água de excelente qualidade e de acordo com os padrões de potabilidade da Portaria de consolidação nº 5 de setembro de 2017 do Ministério da Saúde (MS), porém, a instalação desses sistemas de dessalinização de água não é efetuada de forma que a água dessalinizada seja distribuída por meio de uma rede de distribuição, forçando a população armazenar as águas dessalinizadas em utensílios domésticos que podem modificar a qualidade da água ofertada as comunidades, principalmente pela falta de percepção da população quanto as medidas básicas de saneamento em manter a qualidade da mesma.

A qualidade da água para consumo humano deve obedecer aos padrões estabelecidos pela Portaria de consolidação nº 5/2017 do Ministério da Saúde (MS), que fixa os valores máximo permitido para cada parâmetro de qualidade de água, assim como estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e à vigilância dessa qualidade. Essa portaria define água potável como aquela que é apropriada para o consumo humano e “cujos indicadores biológicos, microbiológicos, físicos, químicos e radioativos, atendem ao padrão de potabilidade e não oferecem riscos à saúde” (BRASIL, 2017).

Para o consumo seguro da água é preciso ficar atento às especificações da análise microbiológica de água, pois, dessa forma, terá garantias de que a água está em condições ideais para o consumo. As maiores epidemias de água contaminada aconteceram no ponto de origem, durante a distribuição aos domicílios, devido à vedação inadequada das caixas, assim como a carência de programas de limpeza para a desinfecção regular e periódica (HIDRO LABOR, 2018).

Os principias parâmetros microbiológicos da qualidade de água são Coliformes totais, Escherichia coli e Bactérias heterotróficas. Os Coliformes totais são microrganismos formados por bacilos gram-negativos, que crescem na presença de compostos ativos, incluindo nesse grupos Bactérias do gênero Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter, sendo Escherichia coli a principal representante do sobgrupo termotolerante, visto que esta é considerada o mais específico indicador de contaminação fecal recente, e de eventual presença de organismos patogênicos, indicando a necessidade de estudo desse parâmetro, para as segurar a contaminação por origem fecal, já as Bactérias heterotróficas são microrganismos capazes de formar colônias na presença de matéria orgânica, que apesar de não confirmarem contaminação da água relatam possíveis falhas na desinfecção (FARIAS, 2014).

Autores: Fernanda Gomes Bernardino; Rafaela Pereira dos Santos; Gleydson Kleyton Moura Nery; Celia Regina Diniz e Weruska Brasileiro Ferreira.