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Índice de estado trófico com base em clorofila a e fósforo total – Comparação entre equações tipo Carlson

Resumo

Os açudes (reservatórios artificiais) são mananciais muito importantes no semiárido brasileiro. No estado do Ceará, açudes de médio e grande porte estão distribuídos em 12 bacias hidrográficas, com um potencial de acumulação de mais de 19 bilhões de m³. Incrementos de demanda e pressões ambio-climáticas contribuem para um declínio geral na qualidade da água. Uma das maiores preocupações é o processo de eutrofização. O preste estudo aborda o assunto e traz um resumo da aplicação de modelos tradicionais para cômputo do Índice de Estado Trófico (IET) aplicado a um reservatório. O uso de diferentes métodos resultou em classificações sem distinções relevantes. Houve equivalência entre os resultados obtidos com os distintos modelos empregados no estudo, se considerados os elevados coeficientes de correlação. É possível, então, expressar os valores de IET entre os métodos com base em equações de regressão. Para o açude Acarape do Meio, corpo aquático do estudo, os resultados mostraram que, ao longo do tempo, houve tendência de incremento dos valores de IET. Também, ocorreu a predominância de índices de estado eutrófico e hipereutrófico.

Introdução

No Ceará, nordeste brasileiro, a construção de reservatórios tem sido a principal ação de infraestrutura para garantir oferta hídrica. Isto se deu ao longo de um século, com açudes de médio e grande porte, que somam 245 atualmente. Estas estruturas estão distribuídas pelas 12 bacias hidrográficas, com um potencial de acumulação de mais de 19 bilhões de m³ (COGERH, 2015). Nos últimos anos, porém, a demanda tem crescido sem restabelecimento hábil dos volumes hídricos. A situação se agrava com uma crescente pressão sobre os mananciais, resultante do incremento populacional desordenado e pela irregularidade climática.

O cenário acima contribui para um declínio geral na qualidade da água. Neste contexto, um importante fenômeno que se desenvolve nos reservatórios é o da eutrofização. O acontecimento resulta do incremento da produtividade primária, consequente do aporte de nutrientes (N e P). O grau de trofia de um corpo aquático é expresso pelo IET (Índice de Estado Trófico), que determinado com base em concentrações, principalmente, de fósforo e clorofila a. São também empregados outros parâmetros como a concentração de nitrogênio e a transparência medida com disco de Secchi. Há diferentes equações e intervalos, que são empregados na classificação do grau de trofia (LAMPARELLI, 2004).

Dentre os diversos modelos para cálculo do IET, destaca-se o proposto por Carlson (1977). A metodologia de Carlson, por sua simplicidade e seu pioneirismo, tem sido uma das mais usadas para classificação trófica de corpos lênticos e com adaptações a estruturas lóticas. Entretanto, destaca-se que a proposição foi baseada em dados de lagos e reservatórios de clima temperado. No Brasil, com clima mais quentes, há importantes variações deste trabalho como nos estudos de Toledo Jr. et al. (1983), de Lamparelli (2004) e de Cunha et al. (2013). Há ainda uma variação, apresentada em PalVluk e Bij de Vaate (2013), que utilizam o conceito de Nível Trófico (NTR) em lugar de Índice Estado Trófico.

Apesar de comunicarem a mesma informação, as equações dos modelos são distintas em seus coeficientes, bem como os intervalos das escalas descritoras para cada grau de trofia. É relevante, portanto, estudar a relação entre os modelos para subsidiar melhor a interpretação dos resultados. O presente estudo busca comparar os modelos aqui mencionados, com aplicação em um reservatório no Ceará.

Autores: Edilene Pereira Andrade; Nosliana Nobre Rabelo; Adriano Ricardo Almeida Alexandre e Fernando José Araújo da Silva.

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