BIBLIOTECA

Estações de Tratamento de Água: Indicadores de Sustentabilidade

Resumo

Em razão do aumento populacional ocorrido no Brasil nas últimas décadas, o país ocupa hoje a quinta posição dos países mais populosos do planeta. Com isso, surgiram grandes impactos no âmbito ambiental, dentre eles a disponibilidade de água potável. Tais problemas emergentes permitem um olhar mais cuidadoso para a sustentabilidade das estações de tratamento de água. O desenvolvimento sustentável é alcançado com a valoração dos recursos naturais ao maximizar a produtividade do capital natural. Tendo em vista o baixo percentual de água doce, promover o acesso universal à água potável é um dos maiores desafios enfrentados no século XXI. Neste contexto, a aplicação de indicadores de sustentabilidade nas estações de tratamento de água apresenta-se como uma questão fundamental para o desenvolvimento sustentável. A gestão da água vem sendo discutido em vários fóruns nacionais e internacionais, ressalta a relevância em analisar as condições dos recursos hídricos disponíveis, o tratamento e a distribuição de água para abastecimento público. Diante desse contexto, esta pesquisa tem o intuito de analisar os indicadores de sustentabilidade relacionados às estações de tratamento de água pelo banco de dados SNIS – Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento, a fim de identificar os impactos decorrentes para a disponibilidade de água tratada. Como resultados, espera-se evidenciar se os investimentos, condições em infraestrutura e técnica para o tratamento de água no Brasil acompanham as necessidades evidentes. Além de apontar os benefícios e impactos dos indicadores de sustentabilidade aplicados ao processo de tratamento de água.

Introdução

O acelerado avanço populacional e o consumo desenfreado de recursos naturais têm contribuído para a crescente deterioração das características físicas, químicas e biológicas do sistema aquático, ocasionado muitas vezes por ações antrópicas. Adicionalmente, a elevada produção de bens demanda volumes demasiados de água e que, ao não serem tratados da maneira adequada, gera efluentes que influenciam negativamente na qualidade dos recursos hídricos (DEMAJOROVIC et al., 2015). Outro aspecto, refere-se às mudanças climáticas, que impactam tanto na perda da biodiversidade como nos ecossistemas terrestres e aquáticos (ARTAXO, 2020).

Conforme Veiga (2010) o desenvolvimento sustentável é alcançado com a valoração dos recursos naturais ao maximizar a produtividade do capital natural a curto prazo através de investimentos a longo prazo, entretanto o crescimento econômico e a conservação da natureza não são alcançados a curto prazo. Veiga (2010, p. 25) destaca que a concretização da sustentabilidade depende do amplo debate ao redor da temática do crescimento econômico, que exige “um rompimento mental com uma macroeconomia inteiramente centrada no aumento ininterrupto do consumo”, pois a sustentabilidade mais do que um conceito, é um novo valor, como a “justiça” ou a “felicidade” que devem ser incorporados pela sociedade.

Esse assunto é fortalecido por Sachs (2015) ao afirmar que o desenvolvimento sustentável é aquele que é viável ao longo do tempo, através de uma governança efetiva. Um dos aspectos para o alcance do desenvolvimento sustentável refere-se à disponibilidade de água do planeta. Segundo Tundisi e Matsumura-Tundisi (2020) o planeta Terra possui 109 mil km³ de água em toda extensão territorial, um total de cerca de 98% de água salobra existentes em mares e oceanos, sendo apenas 2% de água doce possível de consumo humano, dessedentação de animais e agricultura, esse tema tem se tornado o centro das discussões.

Para acompanhar e avaliar a disponibilidade de água pode-se recorrer aos indicadores de sustentabilidade. Bossel (1999) destaca que os indicadores de sustentabilidade são ferramentas fundamentais nesse processo, fornecendo informações sobre os sistemas, com vistas ao desenvolvimento sustentável. Os indicadores permitem a análise e comparação dos fatores observados como meta em sustentabilidade estabelecidas e com um melhor
monitoramento.

As discussões levadas em pauta sobre os indicadores de sustentabilidade tiveram uma maior influência a partir da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, em 1992, com discussões e argumentações sobre a real necessidade de desenvolver e aplicar ferramentas capazes de melhorar os parâmetros de sustentabilidade em tomadas de decisõe.

Em resposta a todas as dificuldades e a crise hídrica apresentada, em 2015, representantes de 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram para elaborar uma Agenda que tem como pilar a erradicação da pobreza e suas fases sendo considerado um desafio global no âmbito do desenvolvimento sustentável, denominada agenda 2030 (AGENDA 2030, 2020). Essa agenda tem seus objetivos e metas, com um plano de ação estabelecido direcionado para pessoas, planeta e a prosperidade. A agenda 2030 estabelece 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, a fim de erradicar a pobreza e promover a vida, nos limites do planeta (ONU-BR, 2019). Esses objetivos buscam um equilíbrio entre as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

Dentre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), consta o Objetivo 6, de assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos (ANA, 2019). As metas 6.1 e 6.2 do ODS 6, reforçam a preocupação ao tratar água e saneamento como princípios básicos para o desenvolvimento sustentável, ambiental, social e econômico.

O atendimento do Objetivo 6 da Agenda 2030 depende, entre outros fatores, da forma como a água é tratada nas estações de água. A aplicação de indicadores de sustentabilidade nas estações de tratamento de água apresenta-se como uma questão fundamental para o desenvolvimento sustentável. O baixo percentual de disponibilidade de água doce, assunto de discussões em vários fóruns nacionais e internacionais, ressalta a relevância em discutir sobre as contaminações de mananciais e seus recursos hídricos, como por exemplo, o tratamento e a distribuição de água.

O tratamento de água é um processo importante, pois elimina diversos microrganismos patogênicos. Acredita-se que os investimentos direcionados ao saneamento básico podem ser refletidos na saúde pública, como na redução da incidência de doenças de veiculação hídrica e de mortalidade infantil. No entanto, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), os investimentos e as execuções de obras realizadas no Brasil não
acompanham as necessidades do País (SNIS, 2019).

Diante do exposto este trabalho consiste em apontar os indicadores índice de perdas; consumo médio per capita de água e qualidade da água em relação ao cloro residual no contexto de estações de tratamento de água.

Autores: Thiago Carvalho Zanchetta, Denise Helena Lombardo Ferreira e Cibele Roberta Sugara.

 

leia-integra