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Espacialização pluviométrica da precipitação média mensal na parte brasileira da bacia do rio Uruguai

Resumo

Informações espaciais sobre a variação temporal mensal e trimestral da precipitação pluviométrica são importantes para o gerenciamento de recursos hídricos, tanto para o abastecimento urbano, quanto para a agropecuária, além de serem essenciais em estudos climatológicos. O presente trabalho possui como objetivo estudar a espacialização da precipitação pluviométrica mensal nas sub-bacias 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77 e 79 (Bacia do Rio Uruguai em sua parte brasileira), criando subsídios para um melhor entendimento da distribuição espacial da chuva mensal nessas sub-bacias. A bacia do rio Uruguai pertence ao Brasil, à Argentina e ao Uruguai, sendo que a mesma possui uma superfície de drenagem da ordem de 349.844,1 km², em que 174.075,9 km² estão localizados na porção brasileira da bacia hidrográfica. Para o estudo da espacialização pluviométrica da precipitação média mensal, utilizou-se os dados de pluviometria disponibilizados do Atlas Pluviométrico do Brasil, publicado pelo Serviço Geológico do Brasil, cuja série histórica é de 1977 a 2006, ou seja, 30 anos de dados. Notou-se também que as regiões de maior precipitação pluviométrica correspondem à porção setentrional da bacia em outubro com 228,9 mm, correspondendo à sub-bacia 74. Por outro lado, as regiões de menor precipitação pluviométrica correspondem à região mais ocidental da bacia em agosto com 69,2 mm, correspondendo à sub-bacia 77. A menor precipitação média anual na bacia é de 1455,4 mm.ano-1, enquanto que a maior é de 1964,2 mm.ano-1. A amplitude de precipitação média anual entre as sub-bacias pertencentes à bacia do Rio Uruguai, em sua parte brasileira, foi de 508, 8mm.ano-1.

Introdução

Informações espaciais sobre a variação temporal mensal e trimestral da precipitação pluviométrica é de grande importância para o gerenciamento de recursos hídricos disponíveis tanto para a agropecuária, quanto para o abastecimento urbano, além de ser importante em estudos climatológicos e meteorológicos, bem como suporte técnico para mitigação de desastres naturais. Contudo, devido ao aumento da frequência de eventos extremos (HIRABAYASHI et al., 2008), o estudo da variabilidade espacial da precipitação torna-se cada vez mais imprescindível.

A dinâmica da região sul do Brasil sofre influência de basicamente quatro massas de ar (polar atlântica, tropical continental, tropical atlântica e equatorial continental a qual tem início na Amazônia). Dependendo do período do ano, a incidência de onda curta pode variar significativamente, levando a uma distribuição sazonal na dinâmica da região, o que se traduz também em movimentos periódicos nas variáveis climáticas na região (YNOUE et al., 2017).

Antes de se modelar um sistema, é esperado que se promova algum estudo de base para compreender a dinâmica desse sistema. No caso de modelagem de grandes bacias, certos programas computacionais, tais como o MGB desenvolvido por Collischonn (2001), fazem uso de dados de precipitação para realizar previsões. Tucci (2005) salienta a importância de bons dados hidrológicos para a calibração de modelos. Savenije (2008) explana a real natureza dos modelos hidrológicos, comentando que são apenas representações do meio físico. Conhecer o comportamento das chuvas de uma região pode auxiliar em um contexto de sistema de alerta de eventos extremos, visto que se pode estimar o comportamento mais provável da chuva em períodos consequentes, conhecendo-se ambos a situação atual e o comportamento sazonal.

Cardoso e Marcuzzo (2012) realizaram um estudo de espacialização mensal e anual da pluviometria na parte brasileira da bacia do Rio Paraguai com a finalidade de avaliar a dinâmica espacial, determinando o ano hidrológico para a região. Em outro estudo, Costa et al. (2012) avaliaram e averiguou a espacialização e a sazonalidade da precipitação pluviométrica do estado de Goiás e do Distrito Federal. Marcuzzo (2016) também avaliou a espacialização da chuva mensal e anual na bacia hidrográfica do Ribeirão Bonito, concluindo que o mês com maior pluviosidade é janeiro. Silva et al. (2003) avaliaram a variabilidade temporal da precipitação mensal e anual para uma estação climatológica em Uberaba. Marcuzzo et al. (2011), avaliaram diversos métodos de interpolação matemática no mapeamento de chuvas do Estado do Mato Grosso, concluindo que o método Topo-to-Raster apresentou os melhores resultados, seguido de Krigagem. Já, Souza et al. (2011), também avaliaram distintos métodos de interpolação para a espacialização das chuvas no território identidade Portal do Sertão na Bahia, concluindo que o método de Krigagem obteve os melhores resultados. Outros estudos referentes a espacialização da precipitação pluviométrica podem ser verificados nos trabalhos de Marcuzzo (2014, 2016), de Alves (2011) e de Deus et al. (2007).

As Figuras 2, 3, 4 e 5 mostram de maneira mais detalhada a espacialização e a variação média do volume de precipitação pluviométrica, segundo os dados publicados por Pinto et al. (2011), das sub-bacias 70 a 79, pertencentes à bacia 7, em sua parte mais meridional e ocidental. Estudos detalhados da precipitação de sub-bacias próximas, a 87 e a 86, são apresentados por Simon et al. (2013), Marcuzzo e Melati (2017), Melati (2015), Melati e Marcuzzo (2015a), Kich et al. (2015) e Melati e Marcuzzo (2015b).

O presente trabalho teve como objetivo estudar a espacialização da precipitação pluviométrica mensal nas sub-bacias 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77 e 79 (Bacia do Rio Uruguai em sua parte brasileira), criando subsídios para um melhor entendimento da distribuição espacial da chuva mensal nessas sub-bacias.

Autores: Guilherme Mendoza Guimarães; Juliano Santos Finck e Francisco Fernando Noronha Marcuzzo.

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