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Estudos de indicadores de eficiência hídrica, energética e de sustentabilidade aplicados a sistemas de distribuição de água real do Sul de Minas Gerais

Resumo

Os sistemas de abastecimento de água necessitam de estudos e investimentos para à busca de melhoria na eficiência, em especial no uso dos recursos hídricos e energéticos. Neste contexto, o estudo tem como objetivo avaliar o desempenho de um sistema de distribuição de água real situado no sul de Minas Gerais, por meio de indicadores de eficiência hídrica, energética e proposta de indicadores de sustentabilidade. Na literatura a medição de desempenho para sistemas de abastecimento utiliza indicadores operacionais, de infraestrutura e financeiros, direcionados à produtividade, caracterizando-se uma lacuna referente à avaliação de eficiência dos sistemas. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica com diversos indicadores com potencial de aplicabilidade em sistemas reais com uma seleção de indicadores em linhas gerais relacionados a eficiência hídrica, energética e perdas de água propostos pelas principais associações mundiais de saneamento. Estes foram aplicados para o sistema de distribuição de água objeto de análise, que conformou a área de estudo e forneceram subsídios necessários para a adequação e proposição de indicadores relacionados a sustentabilidade. Deste modo, foram propostos indicadores de compensação hídrica (ICHR) e energética (ICER) utilizando conceitos de técnicas de sustentabilidade e economia de água e energia. Os resultados mostraram que o sistema analisado apresentou relativamente baixos índices de perdas e de consumo per capta, embora esta ainda bem representativos. Em termos de indicadores de sustentabilidade demonstrou-se potencialidade de auxílio na análise e comparação dos sistemas, entretanto, poderão ser melhor avaliados em futuros estudos.

Introdução

De acordo com a ONU (2016) cerca de 1 bilhão de pessoas necessitam de um abastecimento de água eficiente, um problema causado pela crescente demanda pelos recursos hídricos para o atendimento das atividades agrícolas, além de uso ineficiente e degradação da água.

A Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei n° 9.433, de 8 de janeiro de 1997) assegura o uso prioritário dos recursos hídricos ao consumo humano e a dessedentação de animais, além da gestão ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, usuários e comunidade.

O crescimento populacional desordenado e sem qualquer tipo de planejamento aliado a crise hídrica dos últimos anos são dois fatores que aumentam significativamente a demanda pelos recursos hídricos e energéticos, devido ao alto consumo de energia necessário para bombear o volume dos reservatórios para os usuários da rede o que compromete os sistemas de abastecimento de muitas cidades no país.

O gerenciamento dos sistemas de abastecimento de água no país tem apresentado uma certa urgência na busca pela eficiência na gestão, fato que se deve aos altos índices de desperdício, problemas com infraestrutura da rede e falhas de manutenção. Desta forma, a gestão dos recursos hídricos e energéticos para o fornecimento de água para o consumo humano torna-se um dos grandes desafios para a sociedade.

Na tentativa de melhorar o gerenciamento, uma alternativa seria a avaliação de desempenho dos sistemas de distribuição de água por meio de indicadores como ferramenta de suporte à tomada de decisão no que diz respeito a questão hídrica, energética e de sustentabilidade, além de auxiliar os gestores e tomadores de decisão na busca por uma maior eficiência hídrica e energética que irá proporcionar a sustentabilidade dos sistemas.

Na literatura os trabalhos sobre medição de desempenho são focados em indicadores operacionais, de infraestrutura e financeiros, direcionados à medição da produtividade, desta forma, verificou-se uma lacuna referente à formalização de métodos e ferramentas para medir a eficiência hídrica, energética e sustentável de sistemas de abastecimento de água.

Em termos hídricos, a eficiência está associada a produtividade, podendo gerar erros quando utilizados como forma de comparação com outros sistemas. A questão energética é abordada de forma superficial, ou seja, há uma necessidade de um indicador demonstrar um sistema que consome menos energia elétrica para produzir e fornecer o mesmo volume de água tratada, sendo considerado o mais eficiente em termos energéticos. Em termos de desenvolvimento sustentável há um espaço ainda mais amplo para o estabelecimento de indicadores para medir o desempenho dos sistemas em matéria de sustentabilidade que garante melhoria da qualidade do ambiente e da sociedade.

Neste contexto, pretendeu-se utilizar indicadores de desempenho hídrico e energético como forma de avaliar um sistema de distribuição de água real e, a partir dos resultados, uma proposição inicial de indicadores de sustentabilidade no sentido de demonstrar a capacidade que os sistemas têm em recuperar a água e energia perdidas ou gastas em excesso com a utilização de técnicas de sustentabilidade e economia de água e energia.

Este trabalho está associado ao projeto REDECOPE – FINEP que envolve as universidades UNIFEI, UFMG, UFMS, UFMT, UFPA e UFRGS.

Autor: Halison Junior Alves.