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Eficiência de um sistema piloto de dessalinização de água salobra

Publicado em 22/02/2021 às 09:44:13

Resumo

Com a escassez da disponibilidade de água doce e o aumento da demanda de água no mundo e no Brasil, uma das alternativas são os sistemas de dessalinização de água, que removem os sais das águas salobra ou salgada. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficiência de um sistema piloto de dessalinização de água salobra a qual foi obtida a partir da mistura de águas do mar e de rio até atingir concentração de sólidos dissolvidos totais (SDT) de 1.500 mg.L-1. O sistema piloto de dessalinização, com capacidade de 1,0 m3 .h-1 , é composto de ultrafiltração (UF) e abrandamento como pré-tratamento à osmose reversa (OR). Foram realizadas análises de qualidade da água na entrada e saída das unidades de tratamento relativas a SDT, condutividade elétrica, turbidez, pH, cor aparente, alcalinidade, dureza total, cálcio, magnésio, cloreto, sulfato e temperatura. Foram avaliadas a pressão osmótica, o fluxo de filtração e a taxa de recuperação de água no sistema de OR. Com os resultados obtidos, conclui-se que a eficiência de remoção de SDT e condutividade foi de 99%. A UF foi eficiente na remoção de turbidez, enquanto a OR apresentou maiores eficiências de remoção de sais. O sistema piloto de tratamento foi capaz de remover todos os parâmetros estudados. A taxa de recuperação na OR foi de 74,64%.

Introdução

Em muitas partes do mundo, a água do mar tem sido a solução de abastecimento de água para consumos humano, industrial e de irrigação. Com o aumento populacional e o consequente avanço do consumo da água, além dos efeitos das mudanças climáticas na escassez de água doce, a dessalinização de água salgada ou água salobra (AS) pode ser tornar uma alternativa interessante.

Diversos países possuem estações de dessalinização de água com o objetivo de suprir as necessidades de consumo humano. O número de sistemas de dessalinização implantados tem aumentado na região do Mediterrâneo, ao longo da costa da Austrália, na costa oeste dos Estados Unidos e em muitos pequenos estados insulares, como Singapura e Maldivas (WHO, 2011). Globalmente, estima-se que mais de 75 milhões de pessoas em todo o mundo obtenham água doce por meio da dessalinização de água do mar ou AS (KHAWAJI; KUTUBKHANAH; WIE, 2008).

O Brasil também tem estações de dessalinização de água, por exemplo, na ilha de Fernando de Noronha (TAVARES et al., 2009) e em várias comunidades do Semiárido Brasileiro (EMBRAPA, 2013). Considerando a extensão da zona costeira brasileira, percebe-se que esse país tem grande potencial para utilizar essa tecnologia.

Outro fator que agrava o abastecimento de água de regiões costeiras é a intrusão de água do mar na dos rios, principalmente nos períodos de estiagem. Tecnologias de dessalinização que utilizam filtração em membranas, como a osmose reversa (OR), apresentam a vantagem de necessidade de menores áreas de instalação, além de apresentarem custo competitivo de água tratada com processos térmicos tradicionais (KUCERA, 2014).

Com a finalidade de estudar a eficiência de remoção de sais da AS decorrente da mistura da água do mar na do rio, foi instalado e monitorado um sistema em escala piloto para dessalinização de AS, no litoral do Paraná, utilizando ultrafiltração (UF) e osmose reversa (OR).

Na filtração por membranas, ocorre a separação da água em permeado e concentrado ou rejeito. O primeiro é a parte líquida que permeia pela membrana, e o segundo é a porção líquida rejeitada pela membrana com alta concentração de sais, podendo apresentar de duas a dez vezes mais sais em comparação à água de alimentação do sistema (WHO, 2007).

Autores: Juliano Penteado de Almeida, Ana Carolina Barbosa Kummer, Gabriel Carranza, Luiza Cintra Campos, Marcos Rogério Széliga, Miguel Acevedo, Ronald Gervasoni e Giovana Katie Wiecheteck.

 

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