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Ecora é lançada na COP30 para impulsionar certificação de carbono no Brasil

Ecora é lançada na COP30 para impulsionar certificação de carbono no Brasil

Nova certificadora nasce com apoio de BNDES, Bradesco e Ecogreen para ampliar credibilidade, transparência e competitividade do mercado de carbono no país

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Bradesco e o Fundo Ecogreen anunciaram, no dia (11), durante a COP30, em Belém (PA), o lançamento da Ecora, nova certificadora brasileira de créditos de carbono. A iniciativa conta com a Aecom — uma das maiores consultorias globais em engenharia, infraestrutura e sustentabilidade — como advisor técnico.

As certificadoras de carbono desempenham papel central na consolidação do mercado climático global. Elas validam metodologias, verificam dados e asseguram que projetos de mitigação — como reflorestamento, conservação florestal, energia renovável ou redução de emissões — gerem créditos reais, adicionais e mensuráveis. Seguindo padrões internacionais como Verra/VCS, Gold Standard e ISO, essas instituições garantem transparência, monitoramento constante e confiabilidade das reduções de gases de efeito estufa, elementos essenciais para evitar fraudes e greenwashing.

A Ecora nasce justamente para fortalecer essa infraestrutura, ampliando a capacidade nacional de certificar créditos e reduzindo a dependência de organismos estrangeiros. A proposta é atuar de forma integrada em todos os biomas do país, com metodologias adaptadas às realidades regionais e alinhadas às políticas brasileiras de descarbonização. Com tecnologia avançada e rigor técnico, a certificadora promete mais segurança ao mercado e maior competitividade internacional aos créditos gerados no Brasil.

Para dar suporte à operação, a Ecora utilizará a plataforma Conservare, que oferece automação, rastreabilidade e gestão completa do ciclo de vida dos créditos — da análise inicial ao registro final. A ferramenta integra bases públicas, dados geoespaciais e módulos de gerenciamento, permitindo maior agilidade e confiabilidade no processo de validação.

O BNDES destaca que tem atuado ativamente para fortalecer o mercado brasileiro de certificação. No primeiro semestre, realizou uma consulta pública em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para mapear desafios e oportunidades no mercado voluntário nacoinal. O presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o Banco está comprometido com o aprimoramento e o fortalecimento desse setor. “Esse projeto vai contribuir muito para reduzir o custo para os pequenos produtores, democratizar o acesso, impulsionar o mercado voluntário no Brasil e estabelecer o diálogo com a nova legislação que avança para o mercado regulado”, ressaltou. Segundo ele, “essa iniciativa faz todo o sentido para o país que tem a maior cobertura de floresta tropical, que mais serviços ambientais presta ao planeta e que é responsável por dois terços de toda a diversidade da flora e da fauna”.

Mercadante avalia ainda que a certificadora poderá se diferenciar pelo desenvolvimento de metodologias ajustadas à realidade brasileira.

“Estamos avaliando diferentes formas de avançar com a agenda da certificação de carbono do Brasil, incluindo o apoio a iniciativas nacionais já em andamento”, explicou.

O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, reforçou a relação entre créditos de carbono e concessões florestais. “Uma das possíveis receitas das florestas que estão sendo concedidas é a geração de créditos de carbono”, disse. Ele destacou também a necessidade de ampliar a capacidade de geração desses créditos: “A gente percebeu a necessidade de aumentar a capacidade de geração de crédito de carbono, gerar crédito de carbono mais adaptável aos biomas brasileiros e viu essa oportunidade de gerar emprego e tecnologia no Brasil, porque a cadeia da certificação tem vários agentes”.

O Bradesco, parceiro da iniciativa, vê na Ecora uma oportunidade de consolidar o protagonismo brasileiro no tema. “O lançamento da Ecora é um compromisso destas organizações aqui presentes com a transparência, com a ciência, com o desenvolvimento sustentável e com o futuro”, declarou o CEO do banco, Marcelo Noronha. Ele reforçou a posição estratégica do país: “O Brasil pode ser o principal hub de soluções de crédito de carbono do mundo. Por isso estamos investindo numa certificadora de carbono com profundo conhecimento do país e dos seus biomas. Temos orgulho de contribuir para a construção de um mercado de carbono robusto, transparente e alinhado às melhores práticas de mercado”.

O Fundo Ecogreen também destaca o potencial brasileiro na nova economia verde. Para o diretor Hélio Barbosa Júnior, o país reúne “todos os atributos naturais para ser o líder global da nova economia verde”. ”Nosso investimento na Ecora é a demonstração desse propósito: a Ecora nasce com alma brasileira e conexão global, aderindo aos mais altos padrões internacionais de referência e credibilidade”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa “valoriza a brasilidade e os nossos biomas, fortalece o papel do Brasil no enfrentamento da crise climática, na atração de investimentos e no impulso à inovação sustentável”.

A Aecom, responsável pela consultoria técnica, também destacou a relevância da nova certificadora. Para o vice-presidente sênior Vicente Mello, o lançamento representa “um marco para a infraestrutura climática do Brasil e do Sul Global”. Ele afirmou: “Na Aecom, temos a honra de atuar como consultores técnicos na estruturação de uma certificadora que reflete a complexidade e a riqueza dos biomas do Brasil”. Mello completou que o objetivo é “ajudar a construir um sistema que seja não apenas cientificamente rigoroso e transparente, mas também profundamente alinhado às realidades regionais. A Ecora será um passo fundamental no avanço da liderança do Brasil no mercado global de carbono”.

Com a Ecora, o país avança na construção de uma infraestrutura climática própria, robusta e alinhada às demandas globais de sustentabilidade. A expectativa é que a nova certificadora contribua para ampliar investimentos, fortalecer a confiança internacional nos créditos brasileiros e consolidar o Brasil como referência mundial na economia de baixo carbono.

Fonte: Brasil 247


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