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Disruptores Endócrinos

Os desreguladores hormonais, também conhecidos como disruptores endócrinos

São substâncias químicas que estão presentes no meio ambiente e possuem propriedades suscetíveis a desequilibrar o sistema endócrino de um organismo humano. Diversos disruptores endócrinos são conhecidos. A maioria é produzida pela indústria, fazendo com que o ser humano entre em contato diário com eles, por meio da contaminação de produtos, alimentos, da poluição do ar ou até da água.

Primeiro precisamos entender como os disruptores endócrinos atuam:

• Podem mimetizar hormônios naturais do organismo como o estrogênio ( hormônio predominante na mulher ), androgênios ( hormônios predominantes nos homens ) e, possivelmente, hormônios tireoidianos;

• Podem antagonizar hormônios ligando-se com receptores celulares, bloqueando a ligação de hormônios em seus receptores. Assim, a sinalização hormonal passa a não ser eficiente, podendo ocorrer falhas de metabolização e/ou falhas de resposta hormonal.

O uso em larga escala dos disruptores endócrinos é uma preocupação para os órgãos públicos de saúde, principalmente após a proibição do químico Bisfenol A (BPA) em mamadeiras nos EUA devido a pesquisas apontando que a exposição ao BPA poderia alterar as funções cerebrais e o comportamento de recém-nascidos e do feto ainda no útero. Devido à importância do tema, a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) lançou a campanha “Diga não ao Bisfenol A, a vida não tem plano B“ contra o uso do BPA.

De fato, o BPA, encontrado em plásticos e resinas pode possuir potencial para alterar o sistema endócrino, modificando o sistema hormonal do organismo, gerando prejuízos irreversíveis ao indivíduo, entre eles:

• Obesidade: O estudo de L. Trasande publicado na JAMA – The Journal of American Medical Association em 2012 (fator de impacto : 35.0) mostra uma quantidade de BPA maior na urina de crianças obesas.

• Hipogonadismo: O estudo de Abdel-Maksoud publicado em 2015 no Journal da Endocrine Society sugere que o BPA possa interferir no processo de produção hormonal testicular de adultos devido à diminuição da expressão do LH e FSH.

• Câncer: O estudo de C. Faulk publicado em 2015 sugere que o BPA possa favorecer a hipermetilação do DNA e estaria relacionado ao aparecimento de doenças como o câncer, por exemplo. Ainda, outro estudo in-vitro de Calderon-Gierszal publicado também em 2015 no Plos One mostra que células tronco prostáticas humanas são suscetíveis e se modificam com a exposição ao BPA.

Diversas pesquisas são voltadas para o BPA, mas ele não é o único. Conheça outras substâncias conhecidas :

Ftalatos: Encontrados em embalagens de plástico, brinquedos, equipamentos médicos e PVC. O Estudo de Meeker JD de 2014 mostra que a exposição ao Ftalato pode diminuir em até 29 % o desenvolvimento sexual de meninos e diminuir os níveis de testosterona em homens e mulheres entre 40 a 60 anos de idade. Também está associado com a obesidade : estudo recente de Buckley JP de 2016 mostra aumento do IMC (índice de massa corporal) de meninos expostos aos Ftalatos.

Perfluoroquímicos (PFC): Encontrados em plásticos resistentes ao calor, superfícies antiaderentes de panelas e na indústria têxtil. O estudo de Kannan de 2002 mostra que os PFC podem estar relacionados com o hipotireoidismo, doenças do sistema imune, hipogonadismo e o câncer.

Benzofenona: Substância encontrada no protetor solar ( H. Gonzalez; A. Farbrot; O. Larko ). O estudo de T. Suzukia, S. Kitamuraa, R. Khota publicado em 2005 no Toxicology and Applied Pharmacology sugere que as benzofenonas possuem capacidade de alterar a atividade estrogênica in vitro de células mamárias. Os riscos para a saúde da Benzofenona ainda não são esclarecidos, sendo necessários maiores estudos.

Octilfenol: Substancia utilizada pela indústria têxtil, plásticos, acrílico, usado como emulsificante agrícola, produção do papel e reciclagem. Estudo de T. Sweeney, L. Nicol, J. F. Roche publicado no Journal da Endocrine Society em 2013 mostra que a exposição de fetos ao Octilfenol inibiu a secreção de FSH levando a diminuição do tamanho testicular.

Fitoestrógenos : Substancias naturais presentes em plantas que possuem atividade hormonal, como a genisteína, encontrada em produtos derivados da soja. São elas : Genisteína, Daidzeína, Naringenina e a Apigenina.
Essas substâncias possuem atividade estrogênica, e diversas pesquisas tentam avaliar os possíveis riscos de menarca precoce e de câncer de mama com o consumo exagerado dessas substâncias. No entanto, como mostram os estudos de Swann R., Perkins K., Velentzis L. de 2013 e de Chakraborty 2012, ainda são necessários maiores estudos para avaliar o real impacto dessas substâncias na saúde do homem.

Dr. Guilherme Renke: É médico pela Universidade Estácio de Sá (RJ), Pós Graduado em Cardiologia pelo Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro (INCL), Pós Graduado em Tratamento e Prevenção de Doenças Relacionadas à idade pela Faculdade Ingá. Aprimoramento pela Harvard Medical School – Post Graduate Obesity Medicine (Boston, EUA) e pelo American Board of Obesity Medicine (EUA). Pesquisador aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ (Inovações no esporte 2012).
Pós Graduando em Endocrinologia e Metabologia pelo Instituto de Pós Graduação Médica (IPEMED) com experiência em pesquisa clínica e laboratorial nas áreas de Andropausa / Hipogonadismo, realizando palestras em diversos eventos científicos da área.