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Destinações ambientalmente adequadas do resíduo gerado no processo de tratamento de água convencional

Resumo

As Estações de Tratamento de Água (ETA) que operam em ciclo completo, produzem resíduo sólido conhecido como lodo, sendo este possível causador de impactos ambientais negativos se não realizada a destinação final ambientalmente adequada. Um exemplo de descarte irregular do lodo de ETA é o lançamento em recursos hídricos, ocasionando impactos ambientais significativos e levando órgãos ambientais a requererem das operadoras de saneamento a implantação de outras alternativas de disposição final ambientalmente adequada desse resíduo. Seu potencial poluidor e contaminante depende, principalmente, das características da água bruta, dos produtos químicos utilizados no tratamento(coagulantes) e das reações ocorridas no processo. O presente estudo tem por objetivo analisar alternativas de destinação final do lodo, sendo estas: aplicação controlada no solo, compostagem, fabricação de material cerâmico, lançamento em sistema de tratamento de esgoto e aterro sanitário. A pesquisa foi desenvolvida de forma qualitativa e quantitativa, por meio de reunião sistemática de dados contidos em livros, artigos, e publicações dos últimos anos, os quais, foram possíveis concluir que as opções estudadas possuem particularidades ao serem aplicadas, pontos positivos e negativos, devendo ser adequadas a cada especificidade de lodo, resultando em diversas opções ambientalmente favoráveis para solução do problema.

Introdução

O tratamento de água é um dos serviços oferecidos pelas companhias de saneamento, presente em todos os estados brasileiros, proporciona água potável de boa qualidade dentro dos padrões estabelecidos por legislação à população. Se não planejado e gerenciado corretamente, este serviço ocasiona risco de impacto ao meio ambiente, por gerar resíduo sólido com relevante concentração de produtos químicos, denominado de lodo de Estação de Tratamento de Água(ETA).

Grandes partes das ETA’s brasileiras operam de forma convencional, também conhecida como ciclo completo, em função do elevado índice de turbidez e cor da água bruta. Segundo Achon (2013), são cerca de 7.500 unidades de ETA’s distribuídas no território brasileiro, estas estações conferem ao processo de tratamento a seguinte sequência: coagulação, floculação, sedimentação, filtração, desinfecção, correção do pH e adição de flúor, como produto deste processo, há potabilização da água e geração de resíduo sólido (lodo), o qual é produzido nas etapas de decantação/sedimentação e filtração.

O lodo proveniente de ETA vem sendo disposto sem nenhum tipo de tratamento em corpos d’água e em solos, causando problemas ambientais. Prática esta que vem sendo questionada por ambientalistas e por órgãos ambientais, pelos possíveis riscos à saúde pública e dos recursos naturais e pelo não atendimento a legislação brasileira. No Brasil, a maioria das ETA’s não foram planejadas de forma a promover a disposição e/ou tratamento dos resíduos de forma adequada e há uma grande dificuldade para realizar a limpeza dos decantadores, a qual muitas vezes, é realizada manualmente por funcionários(KLOC;LAIRD,2017).

No estado de Pernambuco são contabilizados 9 sistemas de estações de tratamento, sendo elas: Sistema Pirapama, Tapacurá, Jangadinha, Várzea Uma, Botafogo, Alto do Céu, Caixa d’água, Gurjaú e Suape, distribuídos nos municípios operados pela Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), todos esses sistemas reunidos produzem aproximadamente 12.813m3/dia de água tratada, gerando quantidade relevante de lodo.

No sistema Pirapama, localizado na cidade de Cabo de Santo Agostinho, abastecendo as cidades de Recife, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e indiretamente as cidades de São Lourenço da Mata e Camaragibe, são potabilizados 5,13m3 de água por segundo(COMPESA, 2017). A quantidade de lodo produzido em uma ETA depende da qualidade físico-química da água bruta, dos coagulantes e produtos utilizados durante o processo de tratamento, sendo o volume do lodo diretamente proporcional à dosagem do coagulante, podendo variar de 0,2 a 5% do volume de água tratada pela estação(HOPPEN,2006).

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2004) em sua NBR10004, o lodo é classificado como resíduo sólido, classe II não perigoso, necessitando estudo de disposição final adequado, sendo proibido seu descarte sem tratamento prévio. A preocupação com o descarte correto do lodo de ETA teve início na década de 90, com o surgimento da Política Nacional dos Recursos Hídricos(PNRH) estabelecida pela Leinº9.433(BRASIL,1997) e com a Lei de Crimes Ambientais nº9.605 (BRASIL, 1997), em que é considerado crime ambiental o lançamento de lodo proveniente de ETA in natura. (SILVEIRA, 2012). O crescimento populacional aumenta a necessidade do consumo de um recurso ambiental de múltiplas funções, a água potável. Em paralelo, cresce a necessidade de gerenciamento do resíduo produzido em seu tratamento e com as formas de disposição ambientalmente correta do mesmo.

Os impactos ecológicos não eram considerados nas sociedades primitivas, pois a produção de resíduos era pequena e a assimilação ambiental era grande, com o crescimento tecnológico foi-se começando a surgir as preocupações em relação à sustentabilidade. Para o desenvolvimento sustentável ,existe a necessidade de produzir a maior quantidade de bens com a menor quantidade de recursos naturais e a menor poluição, ou seja, o desenvolvimento econômico será desvinculado da geração de impactos ambientais. (BRASILEIRO; MATOS,2015).

Na maior parte dos casos, não é incluído na fase de projeto as formas de destino do resíduo gerado, que terminassem do gerenciado de forma precária e emergencial pelos operadores, com elevados custos financeiros e ambientais, colocando em risco, em alguns casos, a qualidade e os benefícios de todo o sistema de coleta da água. Sendo assim, a escolha do destino final do lodo é de grande relevância e complexidade, visto que ultrapassa os limites das estações de tratamento e de manda integração com diversos setores da sociedade civil(ANDREOLI, 2001).

Os usos benéficos de maior potencial de utilização para os municípios são: aplicação controlada no solo, compostagem, fabricação de material cerâmico, lançamento em sistema de tratamento de esgoto e aterro sanitário. Este estudo busca analisar alternativas de destinação final para o resíduo lodo, proveniente da clarificação da água para abastecimento, formas estas que visam proporcionar um bom gerenciamento de resíduo sólido evitando possíveis impactos ambientais por meio de descartes inapropriados, soluções economicamente viáveis e ambientalmente vantajosas.

Autores: Uedja Tatyane Guimarães Medeiros Lima; Maria do Carmo Sobral Martins; Amanda Tenório da Costa e Janaína Accordi Junkes.

 

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