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Dessalinizador por osmose inversa: uma opção para o abastecimento de água potável no Sítio Tamancão em São LuísMA

Resumo

Por serem perfurados em solos porosos e próximos aos rios de água salgada, os poços semiartesianos (sistemas isolados), estão sujeitos a contaminação por cloretos, carbonato de cálcio(CaCO3) e Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) além de outras impurezas e microrganismo que afetam a saúde humana. Contextualizando com as diversas realidades da ilha de São Luís e, apontando as falhas no abastecimento de água por parte do poder público, este trabalho tem por objetivo propiciar a melhora na qualidade de vida das 368 pessoas do sítio Tamancão, além dos alunos do Estaleiro Escola do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA).. As condições hidrogeológicas do ambiente estudado, são fatores cruciais à mitigação do abastecimento regular de água, para tanto, é apresentado um estudo para implantação de um dessalinizador por osmose reversa.

Introdução

Estima-se que a ilha do Tamancão teve o seu povoamento iniciado na metade da década de 30 do século XX. Os casarões que outrora abrigava a usina de soque de arroz, foram transformados em armazéns de produtos diversos, posto que a região comercial de São Luís, o bairro da Praia Grande, estava em atividade crescente, assim como sua população.

Constata-se que a partir dos anos 80, a única fonte (poço do Tamancão) de abastecimento de agua à toda a Vila não consegue atender a comunidade de forma satisfatória em função do crescimento populacional.

Atualmente, a realidade no Sítio Tamancão é muito distante dos tempos áureos, pois atravessa uma situação problema no que tange as falhas do abastecimento de água por parte dos poderes públicos, Municipal e/ou Estadual, na região do Tamancão.

A intrusão salina é um fenômeno que ocorre em regiões costeiras onde os mananciais subterrâneos estão em constante contato com a água do mar, no entanto, enquanto a água é explorada de forma intensa, a água salgada mais densa penetra no aquífero formando cunha sob a água doce (MIDÕES; FERNANDES; COSTA, 2017).

A dessalinização da água do mar e de águas salobras não se restringe a países desérticos ou com pouca disponibilidade de água potável e, o seu uso, está bastante difundido no mundo. Diante da crescente mitigação da água potável dos mananciais subterrâneos e do volume de água tratada para atender a população, percebe-se a necessidade da intervenção do Poder Público para alcançar um equilíbrio na distribuição diária de água apropriada para o consumo humano.

A figura 1, que compreende a região do Tamancão, conforme indicado no mapa abaixo, está envolta em região que não é aquífero e a porção de terra da referida ilha se enquadra na classe 05, onde se verifica potencial muito baixo para exploração de água.

Figura 1. Potencial hidrológico

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Fonte: Bandeira et al. 2018 e adaptado pelos autores

O aquífero São Luís apresenta vulnerabilidade natural à contaminação, geralmente alta e localmente moderada, em função da sua forma de ocorrência livre, a sua composição é essencialmente de arenitos. O Aquífero apresenta porosidade intragranular, boa permeabilidade, e tem potencial hidrogeológico muito baixo e moderado, a depender da variação das espessuras saturadas, que ocorrem em poucas unidades de metros.

Nestas áreas em que o Aquífero São Luís tem menor potencialidade hidrogeológica, destaca-se a ocorrência do aquífero Itapecuru que ocorre de forma subjacente. Está caracterizada pela presença de rochas do tipo sedimentar, formada por camadas arenosas intercaladas e argilo-siltico-arenosas associada a intercalações de lâminas de argila.

Por outro lado, apresenta concreções ferruginosas e cascalho laterítico com alto potencial para uso em obras de infraestrutura e a piçarra amplamente utilizada na construção civil, assim com a existência de espessas camadas de arenito intercaladas com argilito, com alto potencial para exploração de areia e argila.

Neste perfil do solo, encontram-se fragmentos ferruginosos maiores que 30cm ou horizonte concessionário, fragmentos, concreções ferruginosas menores que 30cm em meio à matriz areno-argilosa, os que estão sempre associados a um solo pedogenético, coberto por cascalho laterítico dispersos (BANDEIRA et al., 2018).

Autores: Josias Silva Lima; Diego Pereira de Oliveira e Marco Antonio Pires Miranda.

 

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