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A dessalinização da água do mar é uma solução para a crise hídrica mundial

A dessalinização da água do mar é uma solução para a crise hídrica mundial?

A resposta é sim, mas com algumas considerações importantes.

A dessalinização da água do mar representa uma das alternativas mais promissoras para enfrentar a escassez de água potável que afeta bilhões de pessoas, porém não é uma solução mágica que resolve todos os problemas de uma vez.

Por que precisamos dessa solução agora?

A realidade dos números é impressionante: embora nosso planeta seja coberto majoritariamente por água, apenas 1% de todos os recursos hídricos existentes é potável e acessível. Atualmente, um quarto da população mundial vive em países com “estresse hídrico extremo”, utilizando pelo menos 80% de todo o abastecimento disponível durante o ano.
As projeções para 2050 indicam que 1 bilhão de pessoas estarão nessa situação crítica, mesmo considerando cenários otimistas de combate às mudanças climáticas. Populações crescentes, distribuição desigual de recursos e eventos climáticos extremos tornam urgente a busca por fontes alternativas de água.

Como a dessalinização funciona na prática?

Existem duas tecnologias principais em uso:

destilação térmica aquece a água do mar e coleta o vapor condensado, deixando o sal para trás. Já a osmose reversa utiliza membranas semipermeáveis sob pressão para filtrar a água, removendo o sal e outras impurezas.

Hoje, cerca de 16 mil usinas de dessalinização operam globalmente, produzindo 56 bilhões de litros de água dessalinizada diariamente. O Oriente Médio concentra 39% dessas instalações, sendo pioneiro no uso da tecnologia devido às suas condições climáticas áridas.

Os avanços que tornam a solução viável

A evolução tecnológica tem sido notável. A energia necessária para a osmose reversa diminuiu quase 90% entre 1970 e 2020, tornando o processo muito mais eficiente e econômico. A maioria das novas usinas adota essa tecnologia por consumir metade da energia dos processos térmicos.

Especialistas preveem que os custos da água dessalinizada podem cair 60% nos próximos 20 anos, ampliando significativamente o acesso à tecnologia para diferentes regiões do mundo.

Os desafios que ainda existem

Apesar dos avanços, a dessalinização enfrenta obstáculos importantes:

Consumo energético elevado: A maior parte das usinas ainda depende de combustíveis fósseis. No Chipre, as quatro usinas do país consomem 5% de toda a eletricidade nacional e respondem por 2% das emissões de gases de efeito estufa.

Produção de salmoura: Para cada litro de água dessalinizada, gera-se aproximadamente 1,5 litro de resíduo altamente concentrado em sal, que pode causar poluição marinha e contaminação de águas subterrâneas se mal gerenciado.

Desigualdade de acesso: Mais de 90% da capacidade de dessalinização está concentrada em países de renda média-alta e alta, enquanto regiões que mais necessitam da tecnologia, como a África Subsaariana, têm acesso limitado.
Caminhos para uma dessalinização sustentável
As soluções para esses desafios estão em desenvolvimento:

Pequenas usinas movidas por energia solar e eólica já funcionam em comunidades isoladas, demonstrando a viabilidade da dessalinização renovável. Novas tecnologias permitem reduzir o volume de salmoura e recuperar materiais valiosos do resíduo, transformando um problema em oportunidade econômica.

Sistemas aprimorados de difusão garantem que a salmoura seja dispersa adequadamente nos oceanos, minimizando impactos ambientais locais

Uma solução com potencial transformador

A dessalinização possui uma vantagem única: independe das variações climáticas. Enquanto chuvas e secas afetam fontes tradicionais de água doce, os oceanos permanecem como fonte constante e abundante.
Embora não seja a única resposta para a crise hídrica mundial, a dessalinização é definitivamente parte fundamental da solução. Combinada com conservação de água, reuso, captação de chuva e gestão eficiente de recursos, ela pode garantir segurança hídrica para bilhões de pessoas.

O futuro da dessalinização depende de investimentos em tecnologias mais limpas, sistemas de tratamento de resíduos e políticas que democratizem o acesso. Quando isso acontecer, teremos verdadeiramente transformado a abundância dos oceanos em esperança para a humanidade.

Fonte: Pensamento Verde


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