BIBLIOTECA

Desperdício de Água

Desperdício de Água

Autoria : Floriano de Lima Nascimento – Presidente da FBDE e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Fonte : http://www.odebate.com.br/

A Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou, no começo de 2008, dados assustadores sobre o desperdício de água no Brasil. Segundo levantamento feito pela ANA, cerca de 40% da água retirada do subsolo do país é desperdiçada. Cerca de 840 mil litros são recolhidos dos rios e do subsolo a cada segundo. Dividindo-se esse total pela população de 188,7 milhões de brasileiros, chega-se a um consumo médio de 384 litros diários por habitante, mas, na verdade, o número é bem menor, situando-se em torno de 384 litros. Do ponto de vista do consumo, a quantidade situa-se em patamar mais modesto: o relatório de Desenvolvimento Humano 2006 divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) afirma que o gasto médio diário da nossa população é de 185 litros. 199 litros são destinados à agricultura, à pecuária e à indústria e 150 litros – o que é assustador – desperdiçados. Adicione-se a esses números a água utilizada diariamente em residências, irrigação de jardins e limpeza de calçadas (e automóveis), em torneiras abertas por tempo superior ao necessário e em descargas prolongadas, e teremos números alarmantes. Em artigos já publicados nesta página, fizemos referência a procedimentos conhecidos e colocados em prática em alguns lugares, para economizar água. É o caso da irrigação por gotejamento na agricultura e do reúso ou reaproveitamento de água, na indústria; e de torneiras e descargas com emissões limitadas, como já existem em algumas instalações sanitárias de estabelecimentos comerciais. Outras iniciativas importantes, como deixar de utilizar água para lavar veículos e calçadas, dependem de uma ação de esclarecimento às pessoas, por meio de campanhas educativas.

A par disso, impõe-se, por parte dos três entes da Federação – União, Estados e Municípios – a implementação de políticas capazes de alterar o quadro existente, de modo a reduzir a ameaça do desperdício e da escassez do líquido. Algumas medidas importantes têm sido tomadas, mas, diante de um quadro que se agrava continuamente, é chegada a hora de intensificá-las e acelerá-las. De todas as políticas, a mais abrangente e decisiva é a da proteção do meio-ambiente. Como disse o ex-ministro Rubens Ricúpero, o tema deveria ser prioridade no Brasil, permeando todos os objetivos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e colocando-se em ação um mecanismo de alto nível “para elaborar uma política urgente de atenuação dos efeitos de mudança climática”.

No âmbito estadual, devem ser mencionados, como exemplo a ser seguido em todo o país, os 50 grandes projetos de planejamento estratégico traçados pelo governo de Minas Gerais para a recuperação de nossos rios, com destaque para as obras de revitalização do Rio das Velhas. A meta, neste caso, é poder-se nadar e pescar no principal afluente do Rio São Francisco até o ano de 2010. Um dado importante é que os recursos estão garantidos. Segundo o Coordenador de meta 2010 do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Thomaz Gonzaga Motta Machado, “a COPASA ( Minas Gerais ) vai investir cerca de R$250 milhões, a Prefeitura de Belo Horizonte tem diversos projetos que, juntos, somam quase R$650 milhões, e o restante é investimento previsto por outras prefeituras que fazem parte da Bacia das Velhas, em várias ações de saneamento, como Contagem”.

Para um outro grave problema, o da poluição de rios por esgotos, o Superintendente de Serviços e Tratamento de Efluentes da Copasa, Ronaldo Matias de Souza, informou que a empresa eliminou, em 2006, 441 lançamentos de esgoto em redes pluviais e córregos, implantando 58 quilômetros de redes interligadas de esgoto. O destino do material são as estações de tratamento (ETE) Onça e Arrudas, parte do Programa Caça-Esgoto, lançado em 1999. Em 2007, pretende-se eliminar outros 152 lançamentos indevidos. O quadro ainda é precário, de vez que, nas últimas décadas, não houve iniciativas importantes no setor. Mas, com as medidas que começaram a ser tomadas, a situação deverá mudar.