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Análise comparativa dos coagulantes sulfato de alumínio e cloreto férrico no processo de clarificação de água residuária têxtil

Publicado em 29/06/2021 às 14:15:29

Resumo

A água é indispensável para a vida e para o desenvolvimento econômico. A pronunciada escassez hídrica atual promove a busca pelo consumo sustentável e a reutilização da água. Não menos importante, destaca-se a poluição dos recursos hídricos pelo lançamento de efluentes oriundos de diversos tipos de indústrias, sejam têxteis, de laticínios, de alimentos, dentre outras. Nesse sentido, o presente trabalho objetivou comparar a eficiência de clarificação de água residuária têxtil pela utilização dos coagulantes cloreto férrico e sulfato de alumínio. Para tal, formularam-se amostras sintéticas de águas residuárias têxteis, diluindo-se em meio aquoso caulim e corante para tecido, em diferentes concentrações. Procedeu-se à adição dos coagulantes em diferentes dosagens por meio de teste de jarros. Os resultados obtidos variaram de acordo com a concentração da mistura dos poluentes, sendo que o sulfato de alumínio apresentou maior eficiência de clarificação, atingindo valores adequados para turbidez e pH nas proporções corante/caulim 1:3 e 2:2 (m/m). Já o cloreto férrico apresentou melhor desempenho na proporção corante/caulim 2:4 (m/m).

Introdução

A carência do saneamento ambiental presente na maioria das cidades brasileiras, ocasiona impactos ambientais diversos, dentre eles, o lançamento de esgotos domésticos in natura em corpos de água e consequente degradação dos mananciais urbanos. No âmbito da indústria têxtil, esse tipo de prática é extremamente danosa ao meio ambiente.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA, 2017), o crescimento acelerado da demanda hídrica industrial vem acompanhando o crescimento populacional do país, fazendo com que os resíduos gerados e, posteriormente depositados, comprometam a qualidade da água nas áreas urbanas, afetando o abastecimento. Nesse sentido, consoante a Organização Mundial da Saúde (Word Health Organization), as emissões e o descarte de resíduos podem acarretar na disseminação de doenças que geram uma baixa expectativa de vida em países com tratamento de água escasso (WHO, 2002).

É certo que o produto final da indústria têxtil está presente no dia a dia das pessoas, tendo seu consumo incentivado e constantemente alterado, acompanhando as tendências e influências (ANICET et al., 2011). No panorama ambiental, tal atitude se torna problemática, tendo em vista que o processo de produção gera resíduos altamente poluentes (VINETA, 2014).

No contexto das indústrias têxteis, há uma grande utilização de água, além de diversos produtos químicos complexos, fazendo com que seja necessário um tratamento prévio antes do descarte (VERMA et al., 2012). As águas residuárias provenientes desse tipo de indústria possuem alta coloração, turbidez e produtos tóxicos em sua composição, sendo essas provenientes das etapas de tingimento, onde há a incorporação do corante ao tecido, e do processo de lavagem, onde se retira o excesso de corante (CAVALCANTI et al., 2014).

Estudos de Estender, Takeuti e Juliano (2015) mostraram que há dois caminhos para um uso racional da água industrial têxtil: o reuso da água nos banhos de tingimento, considerando a qualidade da mesma e a alteração das máquinas com aprimoramentos técnicos para realização de banhos menores. Segundo a Associação Brasileira da Industria Têxtil e de Confecção (ABIT,2012), o sistema de tratamento de águas residuárias reduz impactos não apenas em corpos de água, mas em contaminações de solo, ar e incômodos à população.

Mesmo a água sendo essencial para o desenvolvimento econômico, a sua utilização de forma inadequada gera desperdício e contaminação, trazendo a necessidade de tratamento, pela utilização de coagulantes naturais e/ou químicos capazes de promover a aglutinação dos contaminantes na água (FRANCISCO, 2015).

Dentre os métodos utilizados para o tratamento de águas residuárias têxteis, destacam-se os processos de coagulação e floculação, que possuem altos índices de remoção de cor e turbidez, sendo métodos de simples aplicação e com baixo custo, comparado com outros processos. (VERMA et al, 2012; CHEN et al.; 2010; ZAHRIM AND HILAL; 2013). Em contrapartida, a eficiência desses processos pode ser contrastada com o uso excessivo de coagulantes, que permanecem de forma residual na água e, ainda, geram grandes quantidades de lodo (HAN et al., 2016).

Devido à complexidade da composição das águas residuárias têxteis, há diversos fatores inter-relacionados que afetam na escolha do coagulante. No tratamento de águas, podem ser utilizados coagulantes como polímeros sintéticos e sais de alumínio e ferro, onde se enquadram o sulfato de alumínio e cloreto férrico (PAULA, 2014).

Ambos os coagulantes atuam hidrolisando as partículas, de forma a desestabilizá-las por adsorção, reduzindo as forças de repulsão (neutralização da carga) e fazendo com que as mesmas possam ser removidas pelos processos subsequentes (HOWE et al., 2016). A etapa da coagulação química é determinante no processo de tratamento, já que sua ineficácia afeta os processos subsequentes, comprometendo o resultado final.

Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de remoção de turbidez e alterações de pH em amostras sintéticas de águas residuárias têxteis pela ação dos coagulantes sulfato de alumínio de cloreto férrico, buscando atingir os padrões de lançamento de efluentes definidos pela Resolução nº 430 do CONAMA (2011) em conjunto com a ABNT NBR 16783 (2019).

Autores: Igor Luz Gonçalves; Frederico Carlos Martins de Menezes Filho e Cassiano Rodrigues Oliveira.

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