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Classificação, padronização e controle da água deionizada utilizada na rotina laboratorial

Resumo: Água reagente ou de grau reagente é o tipo de água livre de componentes e/ou elementos comprovados por métodos analíticos que pode ser utilizada para fabricação de medicamentos, diluição de reagentes, determinação de branco (blank) e calibração de sistemas, obtida através de sistema de purificação simples ou associada. O objetivo do trabalho foi classificar, padronizar e controlar a água deionizada utilizada na rotina através das leituras de condutividade, resistividade e dosagem de sílica. O presente trabalho padronizou a água reagente deionizada do LPCV com valores de resistividade de 15,02 mΩ/cm, condutividade de 0,37 µS/cm e de silicato de 0,01 mg/dL a uma temperatura média de 24,19°C e classificá-la como Clinical Laboratory Reagent Water – CLRW (Água do tipo I) de acordo com as referências da CLSI através de leitura do medidor automático do deionizador e dosagem sílica por meio de espectrofotometria. Após análise estatística, constatou-se que a dosagem de sílica é bom marcador da qualidade da água, uma vez que, tendo uma correlação positiva com a condutividade são bons indicadores para tomadas de ação para iniciar manutenção do purificador e da pureza iônica da água reagente deionizada.

Introdução: A água deve ter três características básicas para ser considerada de boa qualidade, além de ser potável, ela deve ser incolor, inodora e insípida. Contudo, esta possui também características peculiares como a dilatação anômala (dependendo da temperatura o volume aumenta devido a expansão molecular), capacidade térmica específica (1 cal/°C) que torna capaz de adquirir ou perder mais calor em relação a outras substâncias, dissolução de substância polares ou iônicas que forma soluções aquosas e forte poder de dissociação já que a água aumenta sua condutividade quando misturada ao material dissolvido (GIBS, 2003; MENDES et al. 2011). Por estas características, a água é utilizada amplamente nas atividades humanas, incluindo as atividades médicos-laboratoriais, contudo, a água de abastecimento urbano (“água de torneira”) não tem pureza suficiente para muitas aplicações específicas como uso em laboratórios (BREDA, 2001). Por conter contaminantes como íons inorgânicos, moléculas orgânicas, partículas, coloides, gases e microrganismos, que pode afetar diretamente as reações bioquímicas (BASQUES, 2010). Para utilização laboratorial, a água deve possuir características e qualificação específicas garantidas por purificações químicas em processos controlados e ao final receberá a classificação de água reagente (BREDA, 2001). Esse processo é essencial para o engajamento dos laboratórios para obtenção dessa qualidade de água, permitindo as exercer suas atividades de pesquisa, testes biológicos e produção de produtos médicos ou farmacêuticos (GIBS, 2003). Água reagente ou de grau reagente é o tipo de água livre de componentes e/ou elementos comprovados por métodos analíticos e que pode ser utilizada para fabricação de medicamentos, diluição de reagentes, determinação solução branco (blank) e calibração de sistemas, obtidos de sistema de purificação simples ou associados (GAUTAM, 2005; PORADA et al. 2013). Esses sistemas de purificação devem ser acompanhados por características referenciais com objetivo de garantir a manutenção do processo de purificação, que são estabelecidos por entidades ou associações governamentais e/ou públicas. Mendes et al. (2011) lista as seguintes entidades: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), American Society for Testing and Materials (ASTM), Standard Methods for Analysis of Water and Wastewaters, United States Pharmacopeia (USP), American Chemical Society (ACS), British Standards Institute (BSI), International Organization for Standardization (ISO), College of American Pathologists (CAP), Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) e Organização Mundial da Saúde (OMS). A ANVISA por meio de sua resolução (RDC n. 302 de 13 de outubro de 2005) estabelece que os laboratórios clínicos devam adotar e definir o grau de pureza da água reagente que irão utilizar em suas análises, bem como as formas de controle de qualidade (VEIRA, 2005). Mendes et al. (2011) afirma que, a padronização de água reagente mais utilizada na maioria dos laboratórios brasileiros é a padronização proposta pela Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) através do documento C3-A4 (Preparation and testing of reagent water in the clinical laboratory) onde há definições e regras para cada tipo de água obtida pelos processos de purificação, e ainda esta entidade classifica para quais fins essa água reagente será emprega, tal como: água reagente para laboratório clínico (Clinical laboratory reagent water – CLRW), água reagente especial (Special reagent water -SRW) e água para equipamentos (Instrumental feed water – IFW). A CLRW é antiga classificação de água tipo I e II, amplamente utilizada em laboratórios de análises clínicas como reconstituição de reagentes, padrões, calibradores, branco de reações, lavagem de cubetas e probes (MILLER et al. 2010). A SRW é água livre de DNAses e RNAses para técnicas moleculares e IFW é empregada para maquinários e analisadores automatizados (VIEIRA, 2005; MENDES et al. 2011). Os sistemas de purificação incluem além da filtração de partículas, a destilação, deionização, desinfecção e filtração por ultravioleta, adsorção de carbono, eletrodeionização, microfiltração e ultrafiltração e osmose reversa (GAUTAM, 2005; BURLIN e ALBERTÃO, 2011; BHALCHANDRA et al. 2014). Os controles de qualidade da água incluem determinação da resistividade e condutividade, determinação de carbono total (TOC), controle microbiológico e dosagem de endotoxinas (MENDES et al. 2011). Fundamentado nas referências propostas e na afirmação de Basques (2011) de que a “água é o suprimento do Laboratório Clínico de menor custo, por este motivo, sua qualidade seja tão negligenciada apesar de ser o reagente mais importante e utilizado”, o trabalho teve como objetivo classificar, padronizar e controlar a qualidade da água deionizada utilizada no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária do Hospital Veterinário Governador Laudo Natel da FCAV/UNESP, Câmpus Jaboticabal (LPCV).

Autores: MV Mestrando Nathan R. N. Cruz; Biol. Marília V. Hanna; Biol. Mateus Y. Andrade; Biol. Mestrando Douglas J. Luduvério e MV Prof. Tit. Dr. Aureo E. Santana.

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