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Caracterização do efluente gerado no campus poços de caldas da Universidade Federal de Alfenas

Resumo

Esse trabalho visou caracterizar o efluente gerado no campus Poços de Caldas da UNIFAL-MG, analisar estatisticamente como as características do efluente são influenciadas por diversas variáveis e definir valores de referência por indivíduo. Foi verificado que DQO e sólidos dissolvidos variam de acordo com os dias da semana, enquanto pH, cloreto e condutividade não sofrem essa influência. Também foi verificado que não há diferenças entre os valores médios de pH do período letivo e de férias, enquanto DQO, cloreto e condutividade têm médias estatisticamente menores em férias do que em dias letivos. Ao longo de perfis temporais foi verificado que pH, DQO, sólidos totais (fixos e voláteis) e sólidos suspensos (fixos e voláteis) não têm médias estatisticamente diferentes ao longo do dia. Os testes de correlação demonstraram que a população acadêmica não interfere diretamente no pH e nas concentrações de DQO, sólidos totais (fixos e voláteis) e sólidos suspensos (fixos e voláteis), mas interfere na quantidade de água consumida no campus. Além disso, o número de refeições servidas pode interferir em alguns parâmetros. Considerando todas as análises realizadas, as médias encontradas foram (em mg/l) DQO: 625,38 ± 347,30 , sólidos totais: 507,60 ± 207,30, sólidos totais voláteis: 311,90 ± 161,10, sólidos totais fixos: 205,00 ± 120,50, sólidos suspensos voláteis: 102,80 ± 82,90, sólidos suspensos fixos: 24,60 ± 0,43, nitrogênio amoniacal: 9,30 ± 4,99, sólidos dissolvidos: 399,05 ± 172,13, cloreto: 189,41 ± 78,09. Para o pH a média foi 7,07 ± 0,59 e para condutividade 787,89 ± 307,58 μS/cm.

Introdução

Com o aumento expressivo da urbanização observado nas últimas décadas, fica evidenciado o desequilíbrio gerado entre as atividades antrópicas e o meio ambiente. Se, por um lado, ganhou-se em novas tecnologias, facilidade e rapidez de comunicação, transporte e execução das mais diversas ações, por outro, atrelado a cada uma das atividades humanas está o consumo de recursos hídricos, a geração de resíduos sólidos e de efluentes que levam a alterações do ambiente natural.

Nesse sentido, os serviços de saneamento básico, incluindo abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, manejo de águas pluviais, gestão de resíduos sólidos dentre outros serviços correlatos, tornam-se importantes, em um primeiro momento, como essenciais à saúde pública.

Uma das formas mais significativas de degradação dos recursos hídricos é o lançamento de efluentes in natura nos corpos d’água. Esse lançamento direto causa alterações na qualidade da água que inviabilizam não só a utilização para abastecimento público como prejudicam os demais seres vivos que dependem do recurso. Dentre as principais alterações nos parâmetros de qualidade de água está o aumento da turbidez (prejudicando a penetração de luz e a fotossíntese), aumento da carga de nutrientes (podendo causar eutrofização dos corpos d’água), aumento da carga orgânica e consequente diminuição do oxigênio dissolvido na água (prejudicando os seres aquáticos aeróbios), aumento da quantidade de organismos patogênicos presentes na água, gerando riscos a saúde pública [1].

Nesse sentido, os serviços de saneamento básico, incluindo abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, manejo de águas pluviais, gestão de resíduos sólidos dentre outros serviços correlatos, tornam-se importantes, em um primeiro momento, como essenciais à saúde pública.

As Instituições de Ensino Superior têm papel de fundamental importância não só no fornecimento de informações e conhecimento como também no processo de desenvolvimento tecnológico. Essa capacidade pode e deve ser utilizada na construção de uma sociedade sustentável e, dessa forma, é indispensável que a própria instituição incorpore práticas de sustentabilidade [2]. Tendo em vista que uma das consequências das atividades praticadas nos campi universitários é a geração de esgoto, torna-se importante a preocupação das instituições com essa questão, tendo em vista que a mesma tem implicações tanto sanitárias como ambientais.

Dessa forma, diversas universidades têm buscado caracterizar e implantar estações de tratamento de esgoto em seus campi, demonstrando sua preocupação com as questões ambientais e se afirmando como referência no quesito sustentabilidade para as cidades e demais instituições. Podem ser vistas ações nesse sentido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que conta desde a década de 80 com uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em seu Campus Central na cidade de Natal [3], e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que tem um Centro Experimental de Tratamento de Esgotos (CETE – UFRJ) com uma área aproximada de 2500m² , dotada de 13 diferentes unidades capazes de tratar o esgoto sanitário através de reatores UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket – Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente em Manta de Lodo) de aproximadamente 500 habitantes cada uma [4].

Além disso, diversas instituições já realizaram estudos quanto a caracterização e tratabilidade de seu efluente, como a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que encontrou valores médios de DQO (Demanda Química de Oxigênio) e DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) de 670 e 300 mg/L respectivamente, que são concentrações típicas de esgoto doméstico [5].

Portanto, este trabalho visa caracterizar o quantitativamente e qualitativamente o esgoto do campus de Poços de Caldas da UNIFAL – MG, buscando para determinar parâmetros que seriam necessários em projetos para implantação de um sistema de tratamento, bem. Além disso, tendo em vista que já há parâmetros pré- determinados para implantação de estações para tratamento de esgoto doméstico, o trabalho visa determinar parâmetros básicos relacionados às atividades de uma universidade.

Autores: Luiz Felipe Ramos Turci; Leda Carolina Carvalho Menezes e Rafael Brito de Moura.

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