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Desenvolvimento de biotecnologia como melhoria no saneamento básico – estudo de caso do Rio Camarajipe

Resumo

No Brasil, apenas 99 milhões de habitantes recebem a infraestrutura necessária para obter o saneamento básico, totalizando apenas 48,9% (SNIS, 2015). Os efluentes domésticos que não são devidamente coletados e tratados e são lançados indevidamente em corpos hídricos causa graves problemas ambientais, sociais e econômicos.

O desenvolvimento de biocnologias como a ficorremediação possibilita no tratamento eficiente desses efluentes urbanos, sendo assim a área de estudo foi o médio curso do rio Camarajipe localizado no município de Salvador na Bahia. Foi avaliados em campo parâmetros físico-químicos utilizando uma sonda multiparâmetros. Em laboratório foi analisados os contaminantes de interesse da pesquisa: nitrogênio amoniacal (NH4 +) e ânions: nitrato (NO3 -) e fosfato (PO4 -3) pelo método ASTM (2005) e clorofila (a) através da leitura em espectrofotômetro utilizando o Standard methods for Examination of Water and Wastewater (APHA, 2012). Foi desenvolvido um sistema de fotobiorreatores a base de microalgas dulciaquícolas contendo cinco gradientes de concentrações diferentes para verificar a eficiência do tratamento da água residual urbana. A biotecnologia demonstrou eficiência de remoção do nitrogênio em 100% e de fósforo até 75%. Também foi apresentado alternativas para o reaproveitamento do resíduo após o tratamento tendo o potencial de gerar bioprodutos. Palavras-chave: Saneamento, biotecnologia, tratamento e efluentes.

Introdução

O saneamento básico brasileiro, apesar dos pequenos avanços conquistados, ainda enfrenta diversos problemas ambientais e sociais no que se refere ao tratamento de água residual adequado e seu devido lançamento. O Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelece que uma das dezessete prioridades mundiais encontra-se o desafios na gestão dos recursos hídricos e na disponibilidade de água limpa para a população bem como o fornecimento de saneamento básico (ONU, 2015). Considerando o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação à população total do Brasil que contém 204 milhões de habitantes, apenas 99 milhões de habitantes recebem a infraestrutura necessária para obter o saneamento básico, totalizando apenas 48,9% (SNIS, 2015). Estes valores ratificam a importância de investir no saneamento básico brasileiro de forma eficiente e sustentável. Os efluentes domésticos que não são devidamente coletados e tratados em uma estação de tratamento de efluentes, são lançados indevidamente em corpos hídricos que percorrem as cidades ocasionando um problema ambiental chamado de eutrofização. O rio Camarajipe é o exemplo de um rio urbano receptor de efluentes domésticos, pois percorre pelo município de Salvador na Bahia, passando por zonas concentradas residenciais e comerciais. Segundo Santos e colaboradores (2010), este rio urbano já foi utilizado como abastecimento de água para a população de Salvador no século XX, porém sua qualidade vem sendo reduzido ao longo dos anos devido a falta dos serviços adequados de saneamento básico (SANTOS et al., 2010).

Avaliando o desenvolvimento sustentável, algumas biotecnologias vem sendo desenvolvidas para a melhoria no tratamento de águas residuais urbanas com redução de custos operacionais. Sendo assim a ficorremediação é uma dessas biotecnologias que estão sendo estudas para o tratamento de diversos efluentes (domésticos, industriais e agrícolas). Esta tecnologia utiliza microrganismos fotossintetizantes (microalgas) que assimilam diferentes tipos de contaminantes em meio aquoso que compôe sua estrutura celular, sendo então nutrientes para estes microrganismos (WANG et al., 2016). Visando a necessidade de solucionar os problemas citados anteriormente, a presente pesquisa teve como objetivo avaliar a qualidade da água proveniente do rio urbano Camarajipe e propor uma biotecnologia a base de microalgas dulciaquícolas para o tratamento sustentável e eficiente dessas águas residuais, com o intuito de melhorar os recursos utilizados para o saneamento básico brasileiro.

Autores: Isadora Machado Marques; Ícaro Thiago Andrade Moreira; Raiany Sandhy Souza Santos; Tuane Nascimento Mendes Aragão e Milton Santos Cardoso Filho.