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Biossorção do corante têxtil Reactive Black B por Saccharomyces Cerevisiae modificada por KMNO4

Resumo

O setor industrial têxtil é um dos principais contribuintes na contaminação dos recursos hídricos devido ao lançamento de efluentes contendo elevada carga orgânica e coloração. Com isso, uma das maiores dificuldades encontradas por essas indústrias está ligada ao controle e remoção dos corantes utilizados no tingimento dos produtos. Os tratamentos convencionais com processos químicos e físicos requerem diversas etapas e podem ser dispendiosos. Com isso, alternativas apostam em novos processos para a remediação de compostos perigosos como os corantes. Um processo que se destaca dentre vários na remoção de corantes de efluentes industriais é a biossorção, que se torna viável por ser altamente eficaz e apresentar baixos custos de operação. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a capacidade da levedura Saccharomyces cerevisiae modificada por KMnO4 em adsorver o corante têxtil Reactive Black B e identificar as condições ambientais nas quais o processo de adsorção é mais eficiente. Diante dos resultados, pode-se inferir que essa levedura foi eficaz no processo de remoção do corante, confirmando sua capacidade adsortiva. As condições ideais para a descoloração foram em solução com pH 2 e 0.5 g/L de biomassa. O estudo cinético da biossorção mostrou que os dados foram mais bem ajustados pelo modelo de pseudo-segunda ordem. O processo de biossorção seguiu a isoterma de Langmuir indicando que a adsorção do corante sobre o biossorvente ocorre em uma monocamada homogênea. A capacidade máxima de adsorção do corante foi estimada em 113,64 mg/g. Diante do exposto, o tratamento da levedura com permanganato de potássio mostrou-se eficiente permitindo que esse biossorvente possa ser utilizado na remoção de corantes de soluções aquosas.

Introdução

No âmbito da poluição da água, o setor têxtil é um grande contribuinte no que se refere a esse tipo de poluição, visto que o mesmo é responsável por cerca de 15% da água consumida pelas indústrias (QUADROS, 2005).

Uma das grandes dificuldades encontradas pelas indústrias têxteis está ligada ao controle e remoção dos corantes utilizados no tingimento dos efluentes gerados. Estima-se que cerca de 10.000 tipos de corantes são produzidos em escala industrial, sendo cerca de 30% destes disponíveis para a indústria têxtil (GUARATINI e ZANONI, 2000).

O tratamento convencional dos efluentes da indústria têxtil consiste em processos químicos e físicos que podem ser dispendiosos e requererem muitas etapas; ainda assim, por vezes não são completamente eficientes (ALMEIDA, 2013). Como alternativa, pesquisas têm apostado em tecnologias como a biorremediação e biossorção para a remediação de compostos perigosos como os corantes.

O processo de biossorção tem se destacado pelo seu baixo custo e eficiência. Tal fenômeno decorre a partir de ações interfaciais com as moléculas do adsorbato que são transferência para a superfície do adsorvente, permanecendo aí retidas (DI BERNARDO et al. 2002). O uso de biossorventes como efetivos meios para o acúmulo de espécies poluentes é favorecido pelo amplo espectro de potenciais vias de sorção e o baixo custo na produção.

O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de álcool etílico via processo fermentativo, utilizando-se da Saccharomyces cerevisiae (levedura) como o microrganismo agente da fermentação, sendo prática corriqueira nas indústrias de produção de álcool etílico a sangria do creme de levedura, que consiste em retirar parte desses microrganismos do processo fermentativo. Com isso, a Saccharomyces cerevisiae é uma fonte excedente da fermentação e pode ser utilizada como biossorvente para adsorção de poluentes da água, como por exemplo, os corantes, sendo uma ótima alternativa para a descontaminação ambiental (BASÍLIO et al. 2005).

Sendo assim, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a capacidade da levedura Saccharomyces cerevisiae tratada com permanganato de potássio (KMnO4) em condições ácidas, em adsorver o corante têxtil Reactive Black B e identificar as condições ambientais nas quais o processo de adsorção é mais eficiente. Também foram avaliados a cinética de adsorção do corante bem como as isotermas de equilíbrio do processo de biossorção desse corante.

Autores: Bruna Assis Paim dos Santos; Eduardo Beraldo de Morais; Ketinny Camargo de Castro; Hélen Cristina Oliveira dos Reis e Aline Silva Cossolin.

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