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O problema das bioinvasões aquáticas e os impactos causados pelo mexilhão dourado

Publicado em 28/05/2021 às 14:53:02

Autores: Carlos Rivas, Daniel Waitman e Otto Mader

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Uma espécie exótica (não nativa) pode ser considerada invasora, quando entra em um novo ambiente e passa a dominá-lo, se reproduzindo de forma descontrolada, causando impactos econômicos, ambientais ou sociais. A introdução de espécies em um ambiente pode ocorrer de forma natural, porém, a maioria dos casos tem grande correlação com a atividade humana e, em especial, com a expansão e a globalização do comércio. A navegação marítima, antigamente, pela incrustação em cascos de navios e atualmente pela descarga de água de lastro, é a maior responsável pelo transporte de espécies de plantas e animais, de um lugar a outro do planeta.

Há um conjunto de fatores ecológicos que podem tornar as espécies exóticas invasoras abundantes e persistentes. Estes fatores incluem a falta de controle de inimigos naturais, o desenvolvimento de novas associações entre invasores e as espécies nativas, a ausência de predadores eficazes no novo ecossistema, além de habitats já perturbados que se tornam ecossistemas favoráveis à invasão. O efeito da introdução de espécies invasoras no meio ambiente, de forma intencional ou acidental, é reconhecido como a segunda maior causa de declínio da biodiversidade, ficando atrás, apenas, da destruição de habitats naturais. Pesquisadores indicam que impactos gerados por bioinvasões podem ser comparados aos causados por tormentas (e outros distúrbios naturais), contaminações e pelo extrativismo de recursos naturais.

O molusco invasor L. fortunei, conhecido vulgarmente como mexilhão dourado, foi desde sua introdução, considerada uma espécie de grande potencial invasor devido às suas características biológicas. Os impactos ecológicos causados por esta espécie na América do Sul são similares àqueles causados por Dreissena polymorpha (mexilhão zebra) na América do Norte. Esses impactos vão desde a variação na composição da comunidade bêntica, com a remoção de moluscos nativos e aumento na abundância e distribuição de outros grupos, até nas modificações da cadeia trófica. Além disso, como foi observado para o mexilhão zebra na América do Norte, L. fortunei é encontrado fixado sobre substratos vivos, representados por espécies nativas de bivalves e crustáceos.

Dentre as características que torna o mexilhão dourado uma espécie de grande potencial invasor está a sua grande resistência a condições ambientais e sua alta fecundidade. Ele é capaz de colonizar uma grande variedade de habitats. Suas colônias atingem densidades de mais de 150.000 indivíduos/m2.

Os organismos aquáticos invasores são problemáticos não somente para os ecossistemas, mas também para as atividades humanas, em sistemas industriais e produtivos. Os danos econômicos associados com espécies exóticas invasoras nos Estados Unidos são de, aproximadamente, US$ 120 bilhões/ano, sendo cerca de US$ 1 bilhão/ano apenas para monitorar e controlar o mexilhão zebra.

No Brasil, como no resto do mundo, o maior impacto econômico destas espécies invasoras ocorre no setor elétrico. Todavia, ao contrário do que ocorre na maioria dos países, a quantificação dos gastos com este impacto não é divulgada oficialmente pelas concessionárias.

Uma usina hidrelétrica de 120 MW, com 3 unidades geradoras e com problema de incrustação na parte crítica de seu sistema de resfriamento, pode ter o prejuízo de até R$ 40.000,00 por dia de máquina parada, sem considerar neste valor a mão de obra e os materiais necessários para desobstruir o sistema.

Embora o setor elétrico seja o maior impactado com o problema, ele não é o único. Qualquer instalação que, de forma direta ou indireta, capte água de bacias contaminadas por estes organismos, vai apresentar problemas com bioincrustações causadas por estas espécies.

Os sistemas de resfriamento das usinas hidrelétricas são de fundamental importância para dissipar o aumento térmico causado durante o funcionamento dos geradores e demais equipamentos, pelas trocas térmicas, seja com o ar, água ou algum outro sistema. A bioincrustação nestes sistemas gera perda na eficiência de troca térmica, podendo causar inúmeros problemas, desde aumento de mão-de-obra até mesmo a parada de máquinas (unidades inteiras) para manutenção.

Com o aumento da globalização o problema da introdução de espécies invasoras na água de lastro de navios cargueiros está causando diversos prejuízos à usinas, indústrias, companhias de abastecimento de água e ao meio ambiente. Em 2001, o mexilhão dourado foi reportado pela primeira vez no reservatório da Usina de Itaipu, causando grandes problemas à empresa. Hoje o molusco invasor já está presente em diversas usinas do sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, causando muitos impactos ambientais e econômicos.

Desde a entrada do mexilhão no Brasil, as metodologias de controle mais utilizadas foram às químicas como produtos a base de cloro, sais quaternários de amônio e hidróxido de sódio, estas metodologias foram importantes inicialmente quando a ameaça do mexilhão fez algumas unidades geradoras pararem de funcionar por superaquecimento do sistema de resfriamento, mas uma evolução das metodologias de controle é fundamental para reduzir os impactos ambientais, aos materiais do sistema de resfriamento, reduzir custos e até mesmo aumentar a eficiência do controle.

A Atlantium trás ao Brasil a primeira metodologia de controle física, empregada com sucesso em 8 usinas hidrelétricas dos EUA e Canadá. Um sistema que utiliza UV e não causa impactos ambientais e nem danos aos materiais do sistema de resfriamento.

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