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Avaliação microbiológica e perfil cinético de biodegradação de sistema biológico no tratamento de lixiviado de aterro sanitário

Resumo

À medida que a produção mundial de bens aumenta, impulsionada pelas novas tecnologias e processos de produção, o consumo global tem se modificado. Observa-se um desequilíbrio da cadeia produtiva, devido à grande oferta de produtos, que ocorre em decorrência não só da quantidade disponível, mas também da acessibilidade ao consumidor e da ampla variedade. A principal implicação desse fato é que o ritmo de consumo acaba sendo superior a poucas soluções existentes para a absorção dos resíduos gerados, que na maioria das vezes são destinados de forma inadequada. Atualmente, a disposição e o gerenciamento de resíduos urbanos e industriais constituem um dos grandes desafios do gerenciamento ambiental no Brasil.

O aterro sanitário embora seja considerado uma solução segura para o tratamento de resíduos, gera subprodutos que causam impactos ambientais significativos, tais como o lixiviado. Uma alternativa para tratamento deste lixiviado são os processos biológicos, como o de lodos ativados. Com a aplicação do processo biológico proposto, a conclusão que se pode fazer é que somente este processo não é capaz de respeitar a legislação ambiental vigente, havendo a necessidade de combiná-lo com outras tecnologias para maximizar a eficiência de remoção dos parâmetros estudados (DQO, N-NH3, Turbidez e absorvância em 254 nm).

Entretanto, foi visto que as remoções de DQO e N- NH3 são bastante eficientes pelo processo biológico estudado, chegando a remoções de 41% e 84%, respectivamente. O aspecto do lodo ativado utilizado apresentou-se de maneira ideal, apresentando flocos densos, equilíbrio entre as bactérias formadoras de flocos e as bactérias filamentosas e não foi verificado o excesso de filamentos, que poderia levar ao fenômeno de intumescimento do lodo. Com o tratamento biológico verificou-se também uma grande eficiência na redução da toxicidade aguda do lixiviado, uma vez que a toxicidade do lixiviado biotratado foi mais de quinze vezes menor do que a do lixiviado bruto (125 UT no lixiviado bruto para 8 UT no lixiviado biotratado).

Introdução

Com o desenvolvimento da sociedade houve uma perpetuação do modelo de acumulação capitalista, onde a produção e o consumo tendem a apresentar crescimento indiscriminado. Devido a este fato, as indústrias precisam, além de aumentar sua competitividade, desenvolver novos processos e tecnologias que consigam atender a esta crescente demanda sem causar maiores danos ao meio ambiente.

Entretanto, à medida que a produção mundial de bens aumenta, impulsionada pelas novas tecnologias e processos de produção, o consumo global tem se modificado. Observa-se um desequilíbrio da cadeia produtiva, devido à grande oferta de produtos, que ocorre em decorrência não só da quantidade disponível, mas também da acessibilidade ao consumidor e da ampla variedade. A principal implicação desse fato é que o ritmo de consumo acaba sendo superior a poucas soluções existentes para a absorção dos resíduos gerados, que na maioria das vezes são destinados de forma inadequada.

Atualmente, a disposição e o gerenciamento de resíduos urbanos e industriais constituem um dos grandes desafios do gerenciamento ambiental no Brasil. Em 2014, a produção per capita de resíduos sólidos domiciliares no Brasil foi de 1,062 kg/hab.dia, estimando-se uma produção média diária de 215.297 toneladas (ABRELPE, 2015).

Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), a classificação da destinação dos resíduos sólidos domiciliares, públicos e comerciais, em 2014, é 17,4% em vazadouros a céu aberto, 24,2% em aterros controlados e 58,4% em aterros sanitários. Essa pesquisa demonstrou que, naquele ano, somente 58,4% dos resíduos sólidos coletados são destinados a aterros sanitários. Portanto, uma grande parte dos resíduos ainda é direcionada para aterros controlados e lixões, que são áreas de grande potencial de poluição e contaminação do meio ambiente.

O aterro sanitário embora seja considerado uma solução segura para o tratamento de resíduos, gera subprodutos que causam impactos ambientais significativos, tais como o lixiviado e o biogás, os quais necessitam ser drenados, coletados, conduzidos e tratados de forma adequada (JUCÁ et al., 2002).

Sendo assim, o principal inconveniente dos locais clandestinos para disposição dos resíduos sólidos urbanos (RSU) é a geração destes contaminantes e o seu não tratamento para lançamento no meio ambiente, pois a gestão inadequada destes resíduos e de seus efluentes pode provocar a proliferação de vetores e agentes patogênicos, poluição do solo, do ar e de recursos hídricos.

Devido a esta problemática, uma tendência mundial é o desenvolvimento de processos que tratem e reduzam os danos causados por esses subprodutos no meio ambiente, mais precisamente o lixiviado. Além do que, a busca por uma nova alternativa para tratamento é incentivada pelo constante aumento nas restrições dos padrões de lançamento para efluentes, estes impostos pelos órgãos ambientais.

Diante disso, este documento apresenta como proposta estudar a eficiência do sistema biológico no tratamento de lixiviados de aterros de resíduos urbanos.

Autores: Gullit Diego Cardoso dos Anjos; Rafael dos Santos Chalegre; Alyne Moraes Costa e Juacyara Carbonelli Campos.

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