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Avaliação da eficiência de coagulantes naturais a base de tanino para o tratamento de água preta do Município de Itacoatiara-AM

Resumo

Avaliação da eficiência de coagulantes naturais – A água é um recurso fundamental para sobrevivência dos seres vivos, mas devido a poluição causadas pelo descarte inadequado de lixos, esgotos e até mesmo resíduos industriais, a mesma torna-se inadequada para consumo. Tendo em vista essa problemática, é necessário fazer tratamentos para remoção de poluentes, que envolvem processos com diversas etapas, entre as quais está a de coagulação. Este trabalho tem como objetivo avaliar o desempenho de taninos como coagulantes naturais para o tratamento de água preta. Foram feitas coletas de 20 a 40L de água do Lago de Serpa e Rio Urubu no município de Itacoatiara e avaliados os parâmetros físico-químicos pH, condutividade elétrica, temperatura por eletrometria, cor por espectrofotometria, turbidez por turbidimetria e sólidos em suspensão por gravimetria. Para determinar a quantidade de coagulante, foi aplicado o teste dos jarros, usando os coagulantes Tanfloc SG®️, Tanfloc MTH®️ e Tanfloc MT®️. Para cada coagulante preparou-se uma solução-mãe na concentração de 1,0%(m/v). Usou-se cinco jarros de 1,0L, no qual se adicionou a água bruta e as seguintes alíquotas de volume da solução-mãe: 1,0; 2,0; 3,0; 4,0 mL. Na água bruta foram encontrados valores de 184,85 a 228,34 mg Pt/L para cor aparente e 65,20 a 122,51 mg Pt /L para a cor real. Em relação à quantidade de sólidos suspensos houve um aumento de 1,0 a 2,50 mg/L. O pH variou de 6,22 a 6,61 para a água bruta e apresentou variação de 6,22 a 8,38 para as águas tratadas. A condutividade elétrica variou de 24,2 a 29,5 µS/cm. A turbidez aumentou de 7,02 para 15,20 NTU na água bruta durante as coletas. Já a turbidez para a água tratada tivemos variações entre. Para água tratada, encontrou-se remoção de cor de 82,52% para o SG, 98,63% para o MT e 99,86% para o MTH e remoção de turbidez de 100% para o SG, 98,88% para o MT e 100% para o MTH. O valor de pH da água tratada nestas remoções variou de 6,31 a 8,52 para o Lago de Serpa e 6,52 a 7,16 para o rio Urubu. Com isso, concluiu-se que os coagulantes utilizados no tratamento de água preta são eficientes na remoção de cor e turbidez; além de manter pH praticamente constante e dentro do intervalo exigido pela legislação vigente sobre água potável.

Introdução

A Amazônia é a região que possui a maior riqueza em recursos  hídricos. Essa riqueza traz consigo uma variação nas cores dessas águas sendo elas classificadas como: clara, branca e preta, podendo por exemplo, ser observadas no encontro das águas, que é popularmente conhecido (CUNHA, 2006). As águas superficiais amazônicas são amplamente conhecidas também por suas características físico-químicos, que são um dos fatores que ocasionam a variação na sua tonalidade, isso combinado com a diversidade de matéria orgânica existente na região (SILVA et al., 2013).

Como a água é uma das principais fontes de vida, não só para os animais como também para o homem, ela não pode ser consumida diretamente dos rios, lagos por conduzir possíveis contaminantes químicos e biológicos que causam danos ao organismo humano (POOI et al., 2018). Por esse motivo, a água adequada para ser consumida é a água potável, a qual passa por diversas etapas de tratamentos físico-químicos. Essas etapas de tratamentos têm como principal objetivo eliminar esses contaminantes, vírus, microrganismos, toda e qualquer impureza que pode ameaçar a vida humana e também trazer doenças (SILVA et al. 2009).

Entre as diversas etapas podem-se citar a coagulação, floculação, filtração e desinfecção. Na etapa coagulação geralmente são usados coagulantes inorgânicos que tem como base o ferro e alumino (CORAL et al., 2009).

Os tipos de coagulantes que são usados no método convencional de tratamento, podem trazer riscos à saúde por apresentarem na sua composição metais que possuem alto grau de toxicidade e também trazem riscos de poluição ao meio ambiente já que os resíduos gerados no tratamento podem acarretar danos se descartados inadequadamente (LIMA et al., 2018).

A partir desses problemas encontrados na utilização desses coagulantes sintéticos, surge então a ideia de utilizar-se coagulantes alternativos naturais. Dentre esses, tem os taninos vegetais que vêm sendo bastante pesquisados pelo motivo de gerarem uma menor quantidade deresíduos, não serem tóxicos e pela sua biodegradabilidade (SIQUEIRA, 2009).

Um dos coagulantes à base de taninos já usados em pesquisas é o Tanfloc, que é um polímero extraído da casca da Acácia Negra (Acácia mearnsii) cuja vantagem é a não alteração do pH da água tratada e também sua biodegradabilidade (CORAL et al., 2009). Neste contexto, o uso de coagulantes à base de tanino vegetais pode ser uma alternativa aos coagulantes inorgânicos convencionais para o tratamento de água. Logo tem-se a proposta de fazer o uso do coagulante Tanfloc comercial com objetivo de tratar águas de coloração preta encontradas na região Amazônica que possui uma elevada quantidade de matéria orgânica.

Autor: Layane Kaliny de Souza Leite.

 

Avaliação da eficiência de coagulantes naturais


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