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Avaliação da eficiência da biorremediação na redução da carga orgânica de estações de tratamento de esgoto: o caso da ETE neblina em Araguaína/TO

Resumo

O acelerado crescimento urbano, associado ao aumento na geração de resíduos, tem causado sérios impactos na qualidade da água. A descarga de efluente doméstico sem o devido tratamento é responsável pelo aumento considerável da concentração de matéria orgânica (DBO) nos corpos hídricos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar, por meio de parâmetros físicos, químicos e biológicos, a eficiência da biorremediação (Biorremediador Embralm), no tratamento de efluentes da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE Neblina, na cidade de Araguaína/TO, especialmente na remoção de matéria orgânica.

Introdução

O acelerado crescimento urbano observado nos últimos anos vem causando inúmeros impactos sobre os recursos hídricos, refletindo diretamente na qualidade da água. Esse crescimento está associado ao aumento da geração de resíduos que, se não forem corretamente tratados e/ou dispostos, podem causar graves problemas ao meio ambiente, entre os quais a poluição dos corpos d’água tem se destacado cada vez mais, devido a sua importância para a manutenção da vida e dos processos produtivos (BRAGA; HESPANHO, 2005). A Poluição das águas superficiais é causada principalmente pelo lançamento direto ou indireto de efluentes domésticos e industriais, não tratados ou insuficientemente tratados.

A descarga de efluente doméstico sem o devido tratamento é responsável pelo aumento considerável da concentração de matéria orgânica (DBO) nos corpos hídricos, redução da concentração de oxigênio dissolvido (OD) disponível para a manutenção da vida dos seres aquáticos e eutrofização por excesso de nutrientes (N e P). Além da elevada carga orgânica, o esgoto sanitário representa a maior fonte de várias classes de contaminantes químicos (ex. fármacos) encontrados nos corpos receptores (BILOTTA et al., 2012).

Portanto, as estações de tratamento de esgoto possuem papel fundamental na manutenção da qualidade dos corpos hídricos. Existem diversos processos para o tratamento de águas residuárias, e a associação dos diferentes tipos de tecnologias garantem uma melhor eficiência no tratamento. No Brasil, as Resoluções CONAMA 357/2005 (CONAMA, 2005) e 430/2011 (CONAMA, 2011) dispõem sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes no corpo receptor de modo a controlar e garantir a qualidade da água dos corpos hídricos.

O método de tratamento mais utilizado no Brasil é o tratamento biológico, com destaque para os reatores anaeróbios (UASB, RALF, RAFA), as lagoas de estabilização (aeróbia, anaeróbia, mistura completa, australiana) e os filtros (alta taxa, baixa taxa, aeróbio, anaeróbio), conforme Tchobanoglous e co-autores (2004). Os processos de tratamento biológico de efluentes ganham destaque devido ao seu baixo custo operacional (ROLÔ, 2003) e as condições climáticas existentes no Brasil. Entretanto, muitas vezes esses tipos de tratamento produzem efluentes com qualidade inferior aos padrões estabelecidos pela legislação brasileira, tornando-se necessário o uso de outras tecnologias ou até unidades de pós-tratamento para incrementar os sistemas de modo a adequar os efluentes aos padrões estabelecidos pela legislação (BELLONI, 2011).

Dentro das tecnologias de tratamento biológico de efluentes, a biorremediação tem ocupado posição de destaque como tecnologia no tratamento de ambientes contaminados incluindo seu uso em Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) doméstico e industrial (OLIVEIRA NETTO et al., 2015). Segundo Gaylarde e co-autores (2005), biorremediação é um processo no qual organismos vivos, normalmente plantas ou microrganismos, são utilizados tecnologicamente para remover ou reduzir (remediar) poluentes no ambiente. Também é chamada de biotecnologia ambiental, por usar, de forma controlada, processos microbiológicos que ocorrem normalmente na natureza para remover poluentes.

No Brasil, já estão registrados no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) mais de 40 biorremediadores com uso exclusivo para o tratamento de esgoto doméstico e industrial (IBAMA, 2013). O objetivo principal no uso de biorremediadores em ETEs é aumentar a eficiência na remoção da carga orgânica de modo que o efluente atenda os padrões de lançamento exigidos pelo órgão ambiental. Alguns estudos recentes já têm demonstrando a eficiência desta tecnologia no tratamento de esgoto como o estudo realizado por Oliveira Netto e co-autores (2015), onde a biorremediação vegetal aplicada à pequenas comunidades foi capaz de remover aproximadamente 38% da Demanda Bioquímica de Oxigênio somente na primeira camada de suporte.

Face ao exposto, este estudo teve como objetivo avaliar a eficiência da biorremediação na redução da carga orgânica de uma ETE composta por reator anaeróbio tipo UASB seguido de um filtro biológico aerado. Pretendeu-se ainda verificar de que forma a biorremediação contribuiu para a eficiência global do sistema.

Autor: Vinícius do Carmo Terra.

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