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Qualidade da água armazenada em cisternas para consumo humano no semiárido cearense

Resumo

A principal característica da região semiárida é a irregularidade das chuvas, associada às altas taxas de evapotranspiração que contribuem para reduzir a disponibilidade hídrica e a degradação qualitativa dos recursos hídricos favorecendo o processo de salinização e eutrofização. A construção de cisternas que acumulem a água de chuva captada nos telhados, estocando-as para o período de estiagem, é uma solução simples e relativamente barata. Embora essa prática minimize o problema da quantidade de água, tem-se observado problemas associados a qualidade da água, pela exposição aos riscos de contaminação no armazenamento e manejo da água nas cisternas, o que contribui para a disseminação de doenças de veiculação hídrica. Desta forma, o presente estudo, objetiva avaliar as condições de uso e qualidade da água armazenada em cisternas para o consumo humano em uma comunidade rural do semiárido cearense (comunidade da Sororoca, município de Santana do Acaraú/CE). Foram monitorados os parâmetros físico-químicos: pH, Cor, Turbidez, Condutividade Elétrica, Cloretos, Dureza Total, Amônia, Sólidos Totais e Sólidos Totais Dissolvidos-STD, e parâmetros bacteriológicos: Bactérias Heterotróficas Totais-BHT, Coliformes Totais-CT e Coliformes Termotolerantes-CTt. Os resultados demonstraram que a água armazenada nas cisternas apresenta grande vulnerabilidade à contaminação. Os principais problemas de qualidade estão associados à contaminação bacteriológica tanto das amostras de água coletadas nas cisternas, quanto das amostras coletadas no interior das residências (imediatamente antes do consumo), ambas apresentando incidência de CTt e altas concentrações de BHT. Foi observada ausência de qualquer método de desinfecção da água em quase todas as residências verificadas, além da falta de cuidados ao manejar a água no trajeto entre cisternas e residência (falta de higiene dos recipientes utilizados e/ou das mãos dos usuários), fundamental para a prevenção da contaminação e segurança sanitária da água utilizada para consumo humano na comunidade.

Introdução

A escassez de água potável atualmente é um grande problema social que atinge milhares de pessoas, o que associada ao aumento populacional, a industrialização desenfreada e falta de consciência ambiental resulta em um grande potencial de poluição de mananciais subterrâneos e principalmente superficiais, diminuindo a quantidade e, consequentemente, a qualidade de água disponível para consumo e demais usos (JAQUES, 2005; SILVA & ALMEIDA, 2009).

A principal característica da região semiárida é a irregularidade do regime de precipitação pluviométrica, tanto no tempo, como no espaço, que geralmente ocorre em até quatro meses em diversos municípios. A escassez de água associada as altas taxas de evapotranspiração contribuem para reduzir a disponibilidade hídrica e favorecer a concentração de solutos nas fontes hídricas superficiais, degradando a qualidade das águas, por meio da eutrofização, salinização e concentração de poluentes, exigindo rigoroso controle da qualidade (BRITO et al., 2005).

Diante dessa situação de escassez da água e da diferença de disponibilidade hídrica, existe uma grande necessidade de buscar meios para ampliação da oferta de água (ALVES et al., 2012). A água de chuva vem sendo uma alternativa que a cada dia está sendo mais difundida nessas regiões com a criação do P1MC – Programa um Milhão de Cisternas executado pelo ASA – Articulação do Semiárido diminuindo o número de famílias que não tem acesso a água com a implantação de cisternas de placas para captação e armazenamento da água de chuva para o consumo humano (GNADLINGER, 2007).

Para que a água seja considerada adequada ao consumo humano, deve atender aos padrões estabelecidos pela legislação vigente no país, conforme define a Portaria 2.914 de 2011 do Ministério da Saúde. Entretanto, o acesso a água de qualidade para o consumo humano no nordeste brasileiro, consiste em um grande desafio para a população de baixa renda, representando um drama social, provoca aumento de doenças, da fome e da pobreza que é cada vez mais agravada pelo longo período de estiagem típico da região. A água de consumo humano é um dos importantes veículos de enfermidades diarreicas de natureza infecciosa, o que torna 11 primordial a avaliação de sua qualidade microbiológica (AMARAL, 2003; XAVIER, 2010).

Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade da água armazenada para consumo humano em cisternas e residências da comunidade de Sororoca (município de Santana do Acaraú/CE), para subsidiar o planejamento e a definição de medidas que venham assegurar a manutenção da segurança sanitária da água armazenada com impactos positivos na saúde pública e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida dessas populações.

Autores: Walterlanne de Vasconcelos Jeremias; Mayara Carantino Costa e Francisco Rafael Sousa Freitas.

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