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Água e indústria – Experiências e Desafios

O Brasil tem grande campo a ser explorado para otimizar o consumo hídrico nas indústrias e desenvolver novos negócios em torno do reúso da água, obtida do tratamento de efluentes e esgoto doméstico.

O problema é que o índice de adesão ao modelo que poderia reduzir impactos ambientais e conflitos de acesso ao recurso nas bacias hidrográficas ainda é baixo.

A conclusão é de recente estudo de mercado encomendado à Universidade de São Paulo (USP) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI): atualmente, no Sudeste, onde fica a Região Metropolitana de São Paulo sob constante risco de escassez, são utilizados apenas 1,3 m³/s de água de reúso para um potencial estimado de 7 a 8 m³/s.

No país, o uso de esgotos tratados como fonte alternativa de água para a produção industrial poderia representar de 10 a 20 m³/s no curto e médio prazos, principalmente em zonas críticas.

Considerando uma taxa de retorno de 12 % para quem produz e fornece o recurso, os preços se apresentam competitivos para uso industrial diante dos riscos das empresas em áreas de baixa disponibilidade hídrica, constata o estudo.

Em São Paulo, a tarifa para o abastecimento convencional da indústria varia de R$ 5,75 a R$ 18,00 / m³, 12 vezes mais cara que o preço da água de reúso, que varia de R$ 1,50 a R$ 2,28 / m³.

Elaborado como subsídio a investimentos, o estudo reforça a percepção de que há oportunidades” afirma Davi Bomtempo, gerente executivo de meio ambiente e sustentabilidade da CNI.

Surgem novos modelos de negócio baseados na colaboração mútua entre indústrias, dentro de uma abordagem que começa a se difundir no meio industrial: a de simbiose, conceito emprestado da biologia onde o termo se refere à relação entre indivíduos de espécies diferentes.

A água de reúso pode ser compartilhada por empresas, a exemplo do que ocorre na Dinamarca com o Parque Kalundborg Symbioses (www.symbiosis.dk – foto abaixo), que abriga corporações como a Novo Nordisk, a maior produtora de insulina do mundo; a Novozymes, líder global em enzimas, e a Dong Energy, pioneira no bioetanol de segunda geração.

No local foi criado um sistema de ciclo fechado em que o subproduto de uma empresa é matéria-prima de outra, com vantagens econômicas e ecológicas.

agua-industria

Imagem do Parque Industrial Kalundborg a 2 km de altitude

De igual no modo, na Coreia do Sul, o cluster de tingimento têxtil Banwol-Sihwa compartilha o lodo dos efluentes com uma indústria de cimento que o utiliza para substituir argila. Além da redução do consumo hídrico, a alternativa diminui o uso energético ao evitar a captação em mananciais cada vez mais distantes dos espaços urbanos-industriais.

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