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Adubação potássica na cana-de-açúcar

Adubação potássica na cana-de-açúcar

Resumo

Diante do intenso aumento populacional ao longo dos anos, a busca pela ampliação da produção de alimentos é constante. Soma-se isso, ao engajamento cada vez mais crescente da população em relação a temas ambientais, o que dificulta à abertura de novas áreas de produção, tornando o aumento de produtividade a solução mais viável e sustentável para o suprimento da produção de alimentos. O acréscimo populacional também acarreta em um aumento no consumo de energia. Sabendo que os combustíveis fósseis ainda são a principal fonte energética mundial, o aumento na produção de alimentos traz mais uma solução para os problemas futuros, a produção de bioetanol através do processamento de culturas como: milho, beterraba e principalmente a cana-de-açúcar, no caso do Brasil. O estudo teve como objetivo a realização de um levantamento bibliográfico sobre a importância do potássio na cultura da cana-de-açúcar, analisando as alterações nas recomendações que ocorreram nos últimos anos e o que essas alterações influenciaram na qualidade do produto colhido e na produtividade alcançada em função de diversos fatores. Na análise da cana planta, houve uma diminuição da quantidade de K2O recomendada para aplicação no sulco de plantio, corroborando outros estudos que analisam a importância do parcelamento na adubação de plantio. Elevou-se a quantidade recomendada para adubação de cobertura, tanto na cana planta quanto na cana soca. A explicação para este aumento é devido ao incremento de produtividade ao longo dos últimos anos, exigindo mais potássio não só para possibilitar a produção, como a necessidade de reposição do potássio extraído com a colheita da cana.


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Introdução

O Brasil é atualmente o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, com área estimada destinada a produção da cultura em 8,4 milhões de hectares, sendo o Estado de São Paulo o maior produtor nacional (CONAB, 2021). Dentre os diversos setores do agronegócio, o sucroalcooleiro esteve entre os cinco principais exportadores no ano de 2020, com participação de 9,9% do total exportado pelo setor agropecuário no ano, totalizando um valor exportado de US$ 9,99 bilhões (BRASIL, 2020).

Diante deste cenário positivo para o setor sucroalcooleiro, a demanda por novas tecnologias e soluções, visando o aumento de produtividade é cada vez mais intensa e necessária. Novas técnicas de manejo foram adotadas, como controle biológico de pragas, além de maior acompanhamento e atenção as exigências nutricionais da planta, maior frequência e análises da fertilidade do solo, o que possibilitou ganhos de produtividade nos canaviais. Atualmente, um dos maiores focos na busca por maiores produtividades e longevidade de canaviais é a busca pelo equilíbrio entre as necessidades nutricionais da planta, considerando a variação nos tipos de solo destinados para o cultivo em cada região, a forma de aplicação dos nutrientes e a viabilidade econômica.

A alta produtividade de um canavial depende de inúmeras variáveis, como as citadas no parágrafo anterior, porém uma delas é possível manejar com maior eficiência, graças a estudos e ao maior conhecimento da fisiologia das plantas atualmente, o fornecimento dos nutrientes necessários para uma boa produtividade. Segundo Kinpara (2003): “Os solos brasileiros, em geral, apresentam carência em K. Um dos motivos é que a forma solúvel, utilizada pela planta, é facilmente lixiviada no perfil do solo […]”. Além disso, o K é o nutriente mais absorvido pela cana-de-açúcar (OTTO et al. 2010). Devido a esse e outros estudos relacionados à deficiência de potássio em solos brasileiros, hoje sabemos a importância da adubação potássica na cana-de-açúcar e as necessidades deste nutriente para uma alta produtividade, podendo ser aplicado em diferentes formas e dosagens, a depender das variações regionais do local de cultivo.

Autor: João Paulo Blanco Vidotti.


Adubação potássica na cana-de-açúcar