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Adequação tarifária como forma de eficiência energética em um sistema de abastecimento de água

Resumo

Muitos são os motivos para a realização de pesquisas que envolvam o setor de saneamento no Brasil. Entre estes motivos, estão algumas características muito peculiares relacionadas a este setor, características que vão desde a sua concepção e a sua forma de organização até sua operação. Os sistemas de bombeamento são responsáveis por cerca de 90% do consumo de energia elétrica no setor de saneamento, influenciando diretamente nas despesas das prestadoras de serviço. A eficiência energética tem um conceito muito amplo e pode ser obtida através de ações multidisciplinares. O objetivo deste trabalho foi o de desenvolver uma metodologia para realizar uma adequação tarifária na fatura de energia elétrica da Estação Elevatória de Água Tratada–EEAT Parque Histórico. Tal EEAT pertence à Companhia Pernambucana de Saneamento– COMPESA, está localizada no município de Jaboatão dos Guararapes e é responsável pelo abastecimento de cerca de 20.000 pessoas. De posse do histórico do consumo e custo com energia elétrica da referida unidade e conhecendo-se as tarifas de energia aplicadas pela Companhia Energética de Pernambuco–CELPE, foi possível verificar a otimização do valor pago nas faturas de energia. No caso testado, observou-se que, com uma pequena alteração na estrutura de medição de energia da unidade, foi possível realizar o enquadramento tarifário, de forma que houve uma redução média mensal na fatura de energia elétrica no valor de R$ 1.885,65. Tomando-se como base o pequeno investimento realizado, o tempo de retorno foi de apenas um mês.

Introdução

Os sistemas de abastecimento e de esgotamento sanitário, são responsáveis por, aproximadamente, 3% da energia consumida no mundo. No Brasil, a situação não é diferente e, de acordo com dados de 2008 do Programa Nacional de Conservação de Energia para o Setor de Saneamento – PROCEL SANEAR, entre 2 e 3% do consumo total de energia elétrica no nosso país, o equivalente a cerca de 10 bilhões de kWh/ano, são consumidos por prestadoras de serviços de água e esgotamento sanitário. Este consumo refere-se aos diversos usos nos processos de abastecimento de água e de esgotamento (GOMES, 2010). Segundo Tsutiya (2005), cerca de 90% dos gastos com energia elétrica das concessionárias de água devem-se às elevatórias dos sistemas de abastecimento público. Em muitos casos, é possível ter redução nos custos com energia elétrica num sistema com simbólicos investimentos iniciais (HADDAD, 2001).

De acordo com os dados de 2010 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, as despesas totais dos prestadores de serviços de saneamento com energia elétrica chegam a cerca de R$ 3 bilhões por ano, variando entre 6,5% a 23,8% das despesas totais, com média de 12,2% para os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de companhias estaduais de saneamento, sendo também em média o segundo maior item no orçamento das despesas.

Embora não existam dados consolidados sobre quanto da energia consumida é desperdiçada, estima-se que a despesa anual dos prestadores de serviços de saneamento, somente pela ineficiência energética é de R$ 375 milhões de reais. Despesa esta que, pela ausência de marco regulatório para o setor, é frequentemente repassada para a sociedade via tarifa. A sociedade, por sua vez, está no limite de seu orçamento, o que tem contribuído para aumentar a inadimplência, que por sua vez acarreta menor faturamento, impactando negativamente os investimentos dos prestadores de serviços de saneamento (ELETROBRAS et al., 2005).

A eficiência energética em sistemas de abastecimento de água mostra-se como uma grande oportunidade para redução de custos operacionais nas empresas do setor de saneamento. No Brasil, muitas dessas empresas são estatais e convivem com os vícios de uma época onde as empresas de distribuição de energia elétrica também eram estatais e não havia grande controle nos gastos com o insumo energia. A partir da reestruturação do setor elétrico brasileiro, esta preocupação se tornou evidente na medida em que as empresas de saneamento começaram a ser cobradas por utilizar a energia de forma ineficiente (consumo excedente de energia reativa) ou pelo não cumprimento dos contratos de fornecimento de energia elétrica (ultrapassagem da demanda elétrica contratada). Os primeiros passos rumo à eficiência energética nas empresas deste seguimento passam por ações simples, sejam elas administrativas ou operacionais.

Esse trabalho apresenta um caso prático de eficiência energética a partir de uma simples ação administrativa associada a um pequeno investimento. Para isso, considerou-se o histórico de consumo e custo com energia elétrica da EEAT Parque Histórico. A comparação entre os valores simulados em 2015 e os realizados em 2016 (a partir do ciclo 05/2016), mostra que o resultado para a economia média mensal nas faturas de energia ficou muito próximo do valor esperado.

Autores: Leonardo Nascimento de Oliveira;  Luis Henrique Pereira da Silva e  Karlos Eduardo Arcanjo da Cruz.

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