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Caracterização de um sistema de abastecimento público de água diante da escassez hídrica

Resumo

A mudança climática, o crescimento populacional e a urbanização intensa tendem a diminuir a disponibilidade de água em várias partes do planeta. Com vista a avaliar a disponibilidade hídrica em um estudo de caso, esta pesquisa objetiva investigar a dinâmica entre a oferta e a demanda de água potável para abastecimento no município de Caruaru-PE, que vem sofrendo uma severa escassez hídrica nos últimos anos. O estudo é de caráter exploratório, sendo desenvolvido por meio de levantamento bibliográfico e entrevistas com especialistas. Os resultados apontam que, embora a situação atual seja crítica, a conclusão das obras de ampliação do Sistema Adutor do Prata e da Adutora do Agreste, que receberá água do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional, haverá disponibilidade hídrica para a região nas próximas décadas. A pesquisa também ressalta que é necessária a avaliação de ações voltadas para o aumento da eficiente a curto-médio prazo, que busquem minimizar os efeitos negativos, tanto na qualidade quanto na quantidade de água disponível, provocados nesse período de escassez hídrica.

Introdução

Nas últimas décadas, a escassez hídrica tem demandado a atenção de profissionais de várias áreas. Não obstante, a mudança climática, o crescimento populacional e a urbanização intensa tendem a diminuir a disponibilidade de água em várias partes do planeta. As alterações provocadas pela urbanização modificam o estilo de vida da população e demandam maior produção de água. Com o crescimento da demanda mundial por água, associado ao crescimento da população e da economia, a escassez hídrica tem se tornado uma situação cada vez mais frequente, o caracteriza uma relação conflituosa entre expansão urbana, água e segurança ambiental (MOREIRA, 2016; SILVA et al., 2017).

O aumento de consumidores, aliado com a escassez hídrica e a queda da qualidade das águas, compromete o abastecimento público de água potável. Nos próximos anos a situação tende a ficar mais crítica, pois a disponibilidade hídrica não será suficiente para o atendimento das demandas previstas com o aumento da população e, consequentemente, do consumo (GAVIOLLI, 2013). A disponibilidade de água tem ganhado tanto destaque, que, recentemente e pela primeira vez, as Organizações Unidas adotaram a água como nº 6 das 17 metas de desenvolvimento sustentável a serem seguidas de 2015 a 2030 (BARRAQUÉ, 2017).

O conceito de demanda do abastecimento público de água está relacionado com a necessidade requerida de água potável para diversos tipos de consumo – doméstico, agrícola e industrial – onde em situação de escassez o consumo humano é prioritário. Nesse aspecto, a oferta deve atender a demanda de acordo com a disponibilidade dos recursos hídricos, sendo capaz de oferecer água com qualidade, regularmente e de fácil acesso para a população considerando as necessidades presentes assim como as das futuras gerações. O crescimento populacional e a industrialização fazem suscitar uma tendência de crescimento da demanda em relação à oferta, o que causa escassez da disponibilidade e conflitos complexos em muitas regiões (HELLER & PÁDUA, 2006).

A escassez hídrica se caracteriza pelo atendimento precário, ou até ausente, de água. A falta de água potável de boa qualidade e em custos razoáveis gera uma busca cada vez mais acentuada de meios para captação de água em boa quantidade e qualidade para atender as necessidades da população. Wada et al. (2013) relataram que desde a década de 1960, com o aumento populacional, o consumo de água mais do que dobrou. Bordalo (2012) ressaltou que os hábitos intensamente materialistas e consumistas das sociedades urbanas e industriais atuais são fatores de grande relevância para transformação de abundância em escassez da água. No entanto, embora seja um problema crescente, nem sempre a população está bem informada, o que dificulta as políticas públicas voltadas para redução do consumo (CÔRTES, 2013).

Segundo Reboucas (1997), o estímulo à urbanização e à industrialização, devido à ausência de uma gestão adequada de ações desenvolvimentistas, em lugares onde já ocorre escassez de água para abastecimento público faz com que ocorra um uso e ocupação inadequados do meio físico. Por conseguinte, ocorre crise de água e de outros pilares fundamentais à população. Além disso, a qualidade da água ainda fica comprometida devido ao despejo proeminente de esgotos domésticos e industriais não tratados em corpos d’água, dificultando e encarecendo o tratamento da água e, por conseguinte, agravando ainda mais o balanço entre oferta e demanda hídrica para a população em geral.

Por fim, destacamos que não é conveniente que a problemática da água em uma região fique restrita apenas ao balanço entre oferta e demanda, necessitam ser incluídos aspectos geoambientais e socioculturais relacionando-os com políticas públicas voltadas para gestão dos recursos hídricos, de modo que garanta um desenvolvimento sustentável, possibilitando um crescimento econômico aliado à qualidade de vida, à igualdade social e à conservação ambiental em longo prazo (REBOUCAS, 1997).

Autores: Isabela Carolina Lopes Coelho; Rosinele de Andrade Santana; Saulo de Tarso Marques Bezerra; Ayane Aparecida da Silva Ribeiro e Hellen Xavier Tavares Vasconcelos.

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