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Abastecimento de água para comunidades Amazônicas: estudo do caso Vila do Lago do Limão, município de Iranduba, estado Amazonas

Resumo

A comunidade da Vila do Lago do Limão fica localizada no quilômetro 30 da rodovia AM 70, que liga Manaus aos municípios do Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. O local pode ser considerado um paraíso ecológico perto da cidade, com rios, matas e igapós. Contudo, a água potável ainda é um dos problemas que aflige algumas populações desta região. No presente trabalho foi feita a avaliação da qualidade das águas do lago do Limão e dos poços de águas subterrâneas, quanto aos parâmetros pH, condutividade elétrica, cor, turbidez, sólidos totais, nitrato e cloretos. Alguns destes poços apresentam problemas de manutenção e vazão, principalmente na época da vazante. Neste sentido, no presente trabalho foram apresentadas e discutidas algumas soluções para prover o abastecimento de água potável para as comunidades ribeirinhas utilizando-se águas superficiais do lago e envolver as entidades governamentais e não governamentais sobre a importância de estudos para a implantação de sistemas de tratamento e abastecimento de água, com isso promover um abastecimento contínuo de água com qualidade, que contribua para a qualidade de vida destas populações.

Introdução

A água é um recurso natural essencial à vida, com quantidade constante no planeta e qualidade restaurada permanentemente pelo ciclo hidrológico. Entretanto, com o aumento das concentrações populacionais e o desenvolvimento econômico, este recurso vem sofrendo alterações físicas, biológicas e químicas devido aos usos diversificados e a contaminação por despejos.

A Amazônia abriga quase um quinto da água doce de todas as bacias hidrográficas do planeta, mas seus habitantes ainda não conseguem lidar satisfatoriamente com esse fantástico recurso. Somente nestes últimos anos, após as vazantes e cheias acima dos valores até então medidos, as comunidades ribeirinhas estão se dando conta de que possuir tanta água também demanda responsabilidades e requer um cuidado maior com este bem natural.

A classificação das águas superficiais da Amazônia feita por Sioli (1984) baseia-se nas características físico-químicas e ecológicas peculiares e típicas da região, onde há uma inter-relação com o solo e a floresta por onde percorrem essas águas, favorecendo o aparecimento de três tipos de águas classificadas em:

a) Águas brancas (barrentas): são as dos rios que possuem origem em regiões geológicas jovens, como os Andes, ricas em sólidos minerais que podem fornecer grandes quantidades de partículas em suspensão através de processos erosivos.

b) Águas claras: são as dos rios originados em regiões geologicamente antigas, como planícies do Brasil Central e das Guianas, tecnicamente pobre em sólidos minerais em suspensão e isenta de material organo-vegetal dissolvida.

c) Águas pretas: ocorrem nos rios que têm origem em regiões planas, antigas e com solos arenosos e vegetação do tipo capim. A cor negra resulta do processo de decomposição da matéria orgânica transportada, gerando os ácidos húmicos e fúlvicos. As águas barrentas (alta turbidez) e negras (cor alta) necessitam de algum processo de remoção destas características para que se tornem adequadas ao consumo. Segundo Azevedo (2006, p. 9), as populações amazônicas que habitam as várzeas, invariavelmente, fixam-se às margens dos cursos de águas. Na área de várzea, local do estudo proposto, a vida se move com o ciclo das águas, que sobem e descem, inundam e secam, abundam e escasseiam, chegando a ter variações entre os picos de cheia de aproximadamente 39 metros e vazante com aproximadamente 17 metros à altura de Manaus. Na vazante dos rios, muitos mananciais superficiais secam completamente ou ficam com pouca lâmina de água, inviabilizando sua utilização, seja pela insuficiência, e/ou por condições impróprias para o consumo humano.

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Autora: Ana Patrícia Lima Sampaio.