Notícias

RJ vai gastar R$ 28 milhões em faxina paliativa de rios para Olimpíada

Publicado em 07/12/2015 às 10:12:25

Após abandonar promessas ambientais feitas para a Olimpíada, a Prefeitura do Rio de Janeiro resolveu aplicar cerca de R$ 28 milhões numa faxina em rios e córregos que cruzam as duas principais grandes áreas de competição dos Jogos de 2016. Onze cursos d’água próximos ao Parque Olímpico, em Jacarepaguá, e ao Parque de Deodoro (veja lista abaixo) passarão por limpeza e desassoreamento até junho do ano que vem, às vésperas do início da Rio-2016.

O problema é que os efeitos desse trabalho não devem durar por muito tempo. Segundo a própria prefeitura, a limpeza dosrios será paliativa, ou seja, de eficácia temporária. Isso porque os problemas que causam a sujeira não serão combatidos.

Os rios de Jacarepaguá e de Deodoro sofrem com poluição e assoreamento devido à falta de saneamento básico na capital fluminense. Bairros inteiros próximos aos cursos d’água não têm coleta de esgoto. Por isso, dejetos acabam despejados diretamente em rios e córregos, e terminam acumulando-se em locais estratégicos para a Olimpíada de 2016. A poluída Lagoa de Jacarepaguá, que circunda o Parque Olímpico, é um exemplo disso.

Quando o Rio de Janeiro se candidatou a sede dos Jogos Olímpicos, governos chegaram a prometer a expansão da rede deesgoto da cidade. Obras foram iniciadas por Prefeitura e governo do Estado. Entretanto, foram insuficientes para evitar a constante degradação de rios de Jacarepaguá e Deodoro. Restou ao município, então, a limpeza –ainda que temporária– visando aos Jogos Olímpicos.

Duas concorrências para contratação de empresas para execução dos trabalhos já foram lançadas pela Rio-Águas, órgão municipal responsável pela manutenção dos rios da capital fluminense. Uma delas prevê investimento de R$ 18,9 milhões para limpeza de rios próximos ao Parque Olímpico. Outra, já encerrada, resultou na contratação de uma companhia para limpeza dos rios próximos do Parque de Deodoro por R$ 9,6 milhões.

Questionada sobre uma solução definitiva para os rios, a Rio-Águas ratificou que ela ‘só será alcançada com osaneamento das regiões’.

Veja os rios que serão limpos para a Olimpíada:

Área do Parque Olímpico (custo estimado de R$ 18,9 milhões)

. Arroio Fundo

. Arroio Pavuna

. Pavuninha

. Canal de Sernambetiba

. Canal do Anil

. Canal da Avenida Isabel Domingues

Área do Parque de Deodoro (custo de R$ 9,6 milhões)

. Catarino

. Caldeireiro

. Marangá

. Marinho

. Piraquara

Promessas abandonadas

Durante a candidatura do Rio à sede da Olimpíada, a prefeitura assumiu o compromisso de construir cinco UTRs (unidades de tratamento de rios) em Jacarepaguá para evitar que a poluição que chega a curso d’água acabasse nas lagoas da região. Só uma foi feita. As outras quatro não saíram do papel.

A administração municipal também assumiu a responsabilidade de sanear a região de Deodoro depois que o Rio foi escolhido sede dos Jogos de 2016. O trabalho deve estar 40% concluído durante a Olimpíada.

Já o governo do Estado prometeu limpar as lagoas de Jacarepaguá para a Rio-2016, porém desistiu de concluir a tarefa antes do evento. A despoluição da Baía de Guanabara também é um compromisso olímpico estadual. Não será cumprido.

Primeiro passo

Para o engenheiro ambiental David Zee, da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), a diferença entre o que foi prometido para a Olimpíada e o que será realizado, na área ambiental, é grande. Apesar disso, ele comemorou o ‘primeiro passo’ dado pela prefeitura para a melhoria das condições de rios e córregos na zona oeste do Rio.

‘Uma longa caminhada começa com um primeiro passo’, disse Zee, ao UOL Esporte. ‘A limpeza dos rios não resolve o problema, mas pode ser um marco. Pode mudar o aspecto péssimo desses locais e até aumentar a consciência da população para que ela também colabore e não jogue lixo na água.’

O biólogo Mario Moscatelli também criticou a falta de compromisso de governantes com o meio ambiente. Reforçou que a limpeza dos rios olímpicos é muito pouco perto do que ainda precisa ser feito. Mesmo assim, disse que o trabalho terá benefícios para o meio ambiente e população, ainda que temporários.

‘O desassoreamento melhora o fluxo d’água, ajuda na circulação. Mas, se nada mais for feito, os rios voltarão a virar verdadeiros valões de esgoto’, disse. ‘Tem que haver vontade política para seja feito o que realmente é necessário. ‘


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *